15 de maio de 2014

Lisboa

Há eventos, dos quais não consigo fugir (nem devo), que enfatizam o meu estado “menos bem”, que instalam em mim uma qualquer apatia e falta de garra. Acredito que são apenas fases passageiras mas cabe-me a mim combatê-las, por isso, hoje decidi tentar apaixonar-me novamente... Por ti!

Sempre que me falam em viver em Lisboa o meu primeiro argumento costuma ser “se puderes mantém-te longe, Lisboa não é cidade para ninguém”, depois lembram-me que continuo por cá e já houve alturas em que a minha alma alentejana arraçada de algarvia pensou diferente e fico a pensar no tema.

Lisboa não é uma cidade agitada, não é uma cidade caótica, não é uma cidade stressada, não é uma cidade anti-social... Essas são características das pessoas que por cá passam ou param e nós tentamos atribuí-las à cidade que Lisboa não é. Para mim, Lisboa é, apenas e só, uma grande cidade.

Aqui e agora, para uma menina com a mania da independência sem um ordenado milionário, não dá para sair de casa 10 minutos antes da hora combinada, não dá para estacionar em qualquer lado, não dá para não perder tempo precioso quando se tem que ir a algum lado, não dá para sair com a malta e estar em casa 10 minutos depois, não dá... Para tanta coisa! Esse é o efeito que Lisboa tem em mim que não consigo contrariar...

Aqui tudo me parece longe (“Ah, mas isso é porque vives na Amadora!”, sim, porque é onde consigo pagar uma renda suportável e viver sozinha). A agitação e o stress proporcionam-se porque, como é tudo longe, é normalíssimo andar a correr de um lado para o outro para conseguir fazer tudo o que se pretende. O caos instala-se porque, no meio de tanta corrida, há sempre alguém que se distraí e não avança no semáforo ou bate no vizinho da frente. A vida social condiciona-se, acomoda-se (“Não vou atravessar a cidade de um lado ou outro para lá estar 5 minutos e voltar para casa”), molda-se, trabalha-se como se pode e isso, muitas vezes, implica estar meses sem ver aqueles que partilham comigo o código postal. Mas esta cidade, especialmente quando está bom tempo, tem muita coisa boa...

Hoje desliguei o meu motor, que não anda a carburar tão bem como eu gostaria, e decidi dar um passeio e fazer um piquenique na Avenida da Liberdade. Com o sol a bater no rosto, com a brisa a passar no meio das folhas das árvores e com os carros a circular a conta-gotas, esqueci-me por momentos que estava no meio da cidade e no meio do meu dia laboral... Só o ar que por ali se respira não me convence :p

Dizem que o melhor caminho para nos desapaixonarmos é fixar um ou dois defeitos do objecto dos nossos afectos e fazer deles a nossa defesa, exaltá-los ao máximo (“Não gosto de Lisboa porque aqui é tudo longe!”)... Para nos enamorarmos não há receita (se estou errada informem-me que ainda é capaz de dar jeito), não é um processo assim tão fácil nem imediato, mas vou tentar.

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