17 de agosto de 2017

Pessoas

Há pessoas que nós não escolhemos, simplesmente sentimos que elas vão invadindo a nossa vida, a pouco e pouco; há pessoas que nós não afastamos, simplesmente escolhem um caminho que não cruza com o nosso... Há pessoas que são esses dois tipos de pessoas, aquelas por quem não hesitaria em dar tudo e fazer todos os sacrifícios do planeta, aquelas cujas dificuldades me preocupam e que, de um momento para o outro, parecem inacessíveis, que seguem num qualquer mundo paralelo à espera que eu os vá resgatar... E eu, sou uma desistente, uma pessimista, de sorriso dissimulado e olhos tristes, e não tenho paciência.

6 de agosto de 2017

2 de agosto de 2017

Game over

E, de um momento para o outro, a vida dá 50500 tropeções e leva-te de volta e sítios muito manhosos…

Há já muito tempo, quando tinha os meus seis aninhos, houve um dia que ao voltar da escola encontrei a minha avó caída no chão, sem vida. Não foi porque a escada não tinha corrimão, ou porque o puxador da porta do sótão não aguentou a pressão e se partiu, foi porque estava destinado que assim fosse. E este tema tabu (ao longo de muitos anos e em muitas cabeças) teve impacto em mim e fez com que, desde que me conheço por gente, não soubesse lidar com mortes não naturais.

Esta semana, um amigo de um amigo meu, um dos poucos que ele fez questão que eu conhecesse, porque era mesmo importante, e que sempre conheci de sorriso rasgado, escolheu “terminar o jogo”. E isto gera em mim sentimentos muito, muito maus.

Não sei dizer se fico destroçada ou estupefacta. Uma parte de mim, fica presa nas brincadeiras, nas provocações em jeito de picardia, nas palhaçadas partilhadas e nas conversas sem sentido ou justificações desnecessárias; outra parte, mais racional, é desassossegada na constante busca por respostas (Onde é que ele tinha a cabeça!? Porque é que ele não meteu a mochila às costas e foi para a Tailândia!? Será que a miúda que ninguém consegue encontrar está grávida!?). E a minha revolta, que por si só já tem o tamanho do planeta terra, aumenta mais um bocadinho.

27 de julho de 2017

Ele é assim

Se ele está feliz porque vai andar de descapotável (e ele adora descapotáveis), então eu também estou feliz :)

"O amor é assim, pelo menos para mim"

20 de julho de 2017

I want to break free - Queen

I want to break free
I want to break free
I want to break free from your lies
You're so self satisfied I don't need you
I've got to break free
God knows, God knows I want to break free.

I've fallen in love
I've fallen in love for the first time
And this time I know it's for real
I've fallen in love,
God knows, God knows I've fallen in love.

It's strange but it's true, yeah
I can't get over the way you love me like you do
But I have to be sure
When I walk out that door
Oh how I want to be free, baby
Oh how I want to be free,
Oh how I want to break free.

But life still goes on
I can't get used to, living without, living without,
Living without you by my side
I don't want to live alone, hey
God knows, got to make it on my own
So baby can't you see
I've got to break free.

I've got to break free.
I want to break free, yeah
I want, I want, I want, I want to break free.

5 de julho de 2017

Na primeira pessoa

Uma das coisas que mais gosto é trabalhar ao final do dia, podem dizer-me que o cérebro já está cansado, que a produtividade não é a mesma mas a verdade é que para mim funciona muito melhor. Regra geral, o escritório já está em silêncio, mais de metade das pessoas já saíram, os meus colegas que insistem em ouvir música de auriculares de modo a que eu possa ouvir, ou insistem em cantar, também já foram embora e fico só eu, o meu foco e esse silêncio.

A parte chata é quando esse silêncio é invadido por rodinhas.

Com o passar dos tempos, o meu sistema nervoso foi associando o som de rodinhas no corredor do escritório a sentimentos menos bons e, por muito que as condicionantes se tenham alterado, essa associação permanece.

Certo dia, estava eu focada no meu mundinho e ouço as ditas rodinhas, como felizmente a interação diminuiu drasticamente, nem liguei. Até ao momento em que o som das mesmas se imobilizou mesmo à porta do espacinho onde agora passo o meu tempo. De repente, ouço o meu nome. A sensação de encarquilhamento começou nas unhas dos pés e subiu até à raiz dos cabelos a uma velocidade estonteante e, no momento em que ouvi “Tens disponibilidade para…”, só tive tempo de accionar os travões a fundo porque a minha voz interior já tinha respondido “para ti, nunca!”. Trocámos duas ou três frases idiotas, rematadas com um “O quê? Isso ainda não está pronto?” a que eu me reservei o direito de não responder “Há-des ter muito a ver com isso!” e isso arruinou todo o meu trabalho de sou-tão-feliz-aqui-que-não-me-imagino-em-mais-lado-nenhum das últimas semanas.

O meu mundo laboral não é perfeito, mas nenhum é. Adoro aquilo que faço quando me mantenho atrás do computador e crio e programo e desenvolvo e analiso, quando não tenho dinâmicas que não me dizem nada, quando não tenho eventos aos quais me sinto obrigada a ir e passo o tempo contrariada, quando não tenho 50500 reuniões. E agarro-me a esse sentimento do “nem tudo é mau”, não dou pulos de felicidade mas penso que é um bom sítio para cumprir os mínimos olímpicos. Chego até a recusar entrevistas e novos desafios profissionais. E depois, lá vêm as rodinhas outra vez e sinto vontade de fugir, correr atrás do primeiro recrutador que apareça (ou do último que recusei) e implorar para que me aceitem, para que me tirem daqui, para não ter que lidar com a tacanhez de quem ainda pensa “se não quiseste trabalhar comigo agora faço-te a vida negra”.

A formiguinha sou eu. Teoricamente, o problema não são os outros com essa mentalidade pequenina, sou eu que lhes dou demasiada importância, sou eu que não sei viver nesta realidade da hipocrisia. Será que isto quer dizer alguma coisa?

29 de junho de 2017

Outras pessoas

Era uma vez uma menina com mau feitio, que comia criancinhas deficientes ao pequeno-almoço, ou pelo menos era isso que ela gostava que pensassem dela.

Essa menina tinha sonhos, tinha ambição, tinha vontade de mudar o mundo e… Com o seu coração gigantesco, fazia por isso! Sempre que alguma das suas “pessoas especiais” passava por um momento menos bom, ela arregaçava as mangas e tentava fazer a diferença. Com um abraço despropositado, um discurso inspirador, um bilhete surpresa em cima da mesa, um projecto feito por medida… Ou pelo menos, a menina que eu conheço, pois sei bem que outros conhecem a versão mais bruta e mais amarga.

Certo dia, essa menina decidiu abrir horizontes e levar os artigos portugueses aos quatro cantos do mundo, na versão caixinha de surpresas. Ganhou anos de vida! [Porque o melhor do mundo é fazermos para os outros aquilo que nos faz verdadeiramente felizes.] E no sorriso de todos aqueles que ela continua a surpreender ela alimenta o seu.