31 de março de 2014

Homens!

O ser humano macho tem métodos (usar muita ironia para ler a palavra que se segue) lindos para demonstrar carinho e preocupação. Não é uma descoberta nova, desde que tenho carro que o meu pai me tem mostrado a diversidade que existe nesse ramo (começou quando ele descobriu que o meu carro tinha os pneus carecas sem eu ter dado por nada e foi evoluindo a partir daí) mas há situações mesmo imprevisíveis...

Menina lesionada e sem treinar, para se curar, a engordar horrores. Menino preocupado... “Que conversa é essa de teres corrida no fim de semana!? Nem penses nisso! Tens de te cuidar, não podes correr o risco de ficar pior..." E por aí fora. Menina ouve bem à primeira mas menino fez questão de se repetir até à exaustão.

No dia seguinte à corrida:
Menina: – Bom dia!
Menino: Silêncio.
Menina: – Isso está a correr assim tão bem?
Menino: Mais silêncio.

Menina pensa que aquele, efetivamente, é um mau dia e ignora a questão. Passado umas horas o tema vem à baila...

Menina: – Alguém sabe o que é que se passa com aquele caramelo?
Outros: – Está chateado contigo!
Menina: – Oi!? O que é que eu fiz desta vez?
Outros: – Ele já sabe que foste correr!

30 de março de 2014

Prevariquei


E correu muito bem! Depois de duas semanas no banco (hihihihihi!), estes 12,195 km à chuva souberam-me imensamente bem.

21 de março de 2014

A primeira vez

Hoje, importa dizer que estou bem, que estou inteira e que não há motivo para alarme... Sobrevivi!

Ontem, pela primeira vez (ao fim de quase três anos como amadorense), fui às urgências do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (mais conhecido como Hospital Amadora- Sintra) e tive muita sorte. Num dia em que o tempo médio de espera estava na ordem das 4h, eu entrei diretamente para a ortopedia, pouco tempo depois já estava a fazer o raio-x e depois foi só esperar (mais ou menos meia hora) para ser vista pelo médico.

Aspectos a registar: Estava lá uma senhora, com a mãe e com a filha, que tinham sido as três agredidas pelo marido; que a polícia não as ia deixar sair sem apresentarem queixa e isso era o horror; que já não era a primeira vez que lá estavam nessa situação; que se voltaram, para mim e outra rapariga, e disseram “só vem aqui a este hospital quem é vítima de agressão” (bem que me podiam ter avisado antes!). Tirando isto, correu tudo muito bem (eu ia mesmo à espera de pior).

O médico, um senhor ortopedista com os seus charmosos cabelos brancos, era um fácil (ou era eu que estava brutalmente descompensada!). Tinha um ar carrancudo até à quinta casa e passado 2 minutos já não conseguia deixar de sorrir enquanto tentava fazer um ar sério para me dar uma descasca.

A nossa conversa não começou muito bem porque a primeira abordagem dele, ao tema da minha entorse, envolveu qualquer coisa como canadianas e o Canadá ainda não está na minha lista de destinos de férias, portanto, eu nem sequer o ouvi muito bem.

Então e agora posso correr? Resposta: Uns olhos muito abertos.
E se for andar de bicicleta? Resposta: Uns olhos ainda mais abertos.
Ao menos posso ir nadar? Resposta: Mas você está a brincar comigo!? Afinal quer curar isso ou não!?
Quero mas se ficar parada fico gorda que nem uma texuga! Resposta: Riso incontrolável. Vá se lá embora e tenha juízo!

20 de março de 2014

Ter filhos...

Apetecia-me escrever um post sobre o tema das criancinhas, sobre as teorias de incentivo à natalidade e a moda em que se está a tornar o “ser mãe”, mas sei que seria uma caminhada no limbo e não me apetece correr riscos :p

Li esta crónica (sim, eu leio este tipo de coisas), que me conquistou na parte em que o conceito base é a renúncia... Por todos os motivos e mais algum, pareceu-me bem partilhá-la aqui.

16 de março de 2014

Meia-maratona EDP 2014

Sou meia maratonista :)

De cada vez que pensava em fazer a minha primeira meia maratona, só me ocorriam piadas idiotas com a palavra meia, mas a verdade é que já me andava a preparar há imenso tempo e tinha chegado, finalmente, a altura decisiva.

Ainda não me sentia recuperada dos 21km de Cascais, que foram intensos e continuavam a fazer efeito nos meus músculos. Mas sabia que, a correr ou a andar, tinha imenso tempo para chegar até ao fim. Portanto, fui para a prova bastante optimista.

Esta prova tem os defeitos que toda a gente já lhe tinha apontado... Muita confusão, muita gente mais a passear do que a correr, a impossibilidade de manter um ritmo constante (ou aceleras para ultrapassar, ou abrandas porque não espaço para passar em lado nenhum)... Mas não falharam nos abastecimentos, nem na animação. Se me senti uma pequena formiguinha no meio daquele mar de gente, é porque sou mesmo uma formiguinha. HIHIHI!


Esta prova em termos físicos custou-me menos que a anterior, em termos psicológicos foi 50500 vezes pior (não sou dada a grandes confusões e momentos claustrofóbicos no meio de desconhecidos) e, como é um recta contínua, parece que não há objectivos intermédios, mas cheguei bem ao final e sabia quais eram os erros que não queria repetir (em termos de recuperação).

Sinto que fiz uma prova muito boa, sinto-me contente com o resultado e a satisfação de cortar a meta da primeira meia maratona, com este tempo:
é indescritível! Mesmo no meio de mais 20 como eu, simplesmente felizes por termos chegado ao fim!

Sim, eu sou uma grande maluca. Mas agora sou também meia maratonista :)



10 de março de 2014

Ainda as novidades

Tenho um novo amor! Pronto, já disse!

Lamento que a parte efusiva da nossa relação tenha durado tão pouco, sei que fui eu que cometi o erro de te arranjar companhia e, a partir daí, senti logo que as coisas se tinham complicado. A verdade é que sempre ouvi dizer que “dois é bom, três é demais”, portanto, era tudo uma questão de tempo. Só quero que saibas que continuo a adorar sentir o teu cheiro e adormecer abraçada a ti, continuas a proporcionar-me a tranquilidade e a paz de que preciso, mas já não tens o mesmo charme.

Já sabias que andava encantada com outro, nunca fiz questão de te esconder nada (nem fazia sentido), achava que ele era perfeito para mim e, como não era a única que pensava assim, estava decidida a dar-lhe uma oportunidade mas... Conheci o melhor amigo dele! Ele sim, lindo, definido, deslumbrante, cheio de qualidades. Comecei a namorá-lo, em segredo, sem ninguém saber, às escondidas, enquanto a minha consciência repetia as palavras que ouvi tanta vez “se não querem que se saiba é porque um dos dois não gosta verdadeiramente do outro”. Não me importava com isso (ou julgava não me importar), gostava de saber que podia ir ter com ele de vez em quando, sorrir-lhe e depois voltar para casa revoltada porque não o levava comigo. Então, decidi que estava na altura de mudar isso (raios partam esta vida que se quer sempre a tomar decisões), conformei-me com todos os cenários possíveis, confrontei-o e, passados cinco minutos, estávamos a voltar para casa... juntos! Estou feliz, ele vai comigo tentar fazer a Meia-Maratona ;)

8 de março de 2014

Close Your Eyes - Michael Bublé

Close your eyes
Let me tell you all the reasons why
I think you're one of a kind

Here's to you
The one that always pulls us through
Always do what you got to do
You're one of a kind
Thank God you're mine

You're an angel dressed in armor
You're the fair in every fight
You're my life and my safe harbor
Where the sun sets every night
And if my love is blind I don't want to see the light

It's your beauty that betrays you
Your smile gives you away
Cause you're made of strength and mercy
And my soul is yours to save
I know this much it's true
When my world was dark and blue
I know the only one who'll rescue me is you

Close your eyes
Let me tell you all the reasons why
You'll never gonna have to cry
Because you're one of a kind

Yeah, here's to you
The one that always pulls us through
You always do what you got to do, baby
Because you're one of a kind

When your love pours down on me
I know I'm finally free
So I tell you gratefully
Every single beat in my heart
Is yours to keep

(…)

You're the reason why I'm breathing
With a little look my way
You're the reason that I'm feeling
It's finally safe to stay


Para todas as mulheres únicas que precisam que lhes lembrem disso, não só hoje mas todos os dias!

4 de março de 2014

Para a posteridade


Só porque em vez de 20km foram 21km (eu bem me parecia que aquele troço entre o 15km e o 16km nunca mais acabava). Estive brutalmente bem!

3 de março de 2014

Conversas que nunca existiram mas deviam #2

O: Gabi, tens a cozinha toda cheia de arroz! O que é que andaste a fazer?

G: Confere! Apeteceu-me sushi para o jantar.

O: OK, prefiro nem saber.

2 de março de 2014

Os primeiros 20

Já nem sei bem quando foi que decidi aventurar-me e tentar fazer os 21 quilómetros da meia maratona, mas lembro-me que uma das primeiras preocupações foi (fazer uma espera ao Miguel para) adaptar o meu treino do ginásio a esta moda “nova” das corridas.

Os tempos das 3 corridas de 10km que fiz (Tejo, Aeroporto e ISCTE) arrumaram-se de modo decrescente, o preço das provas teimava agora em crescer e eu pensei “não tenho vida para isto, vou arriscar”. E assim fiz, com a devida antecedência, comecei a treinar para a meia maratona!

Entretanto, apareceu uma prova convidativa, os 20km de Cascais, e eu lembro-me de ter pensado que o lema deles era perfeito (“desafia-te além dos 10km”) e poderia ser, sem dúvida, um bom treino para a meia maratona (por ser 15 dias antes ainda dava para recuperar ou perceber que não ia chegar ao fim), portanto, inscrevi-me.

Os treinos não correram como previsto. Numa aula de cycling, sem saber bem como, lesionei o tornozelo e as corridas tiveram que ser bastante doseadas (só para não assumir que foram reduzidas ao mínimo possível). Mas decidi ir a Cascais na mesma.

Hoje levantei-me cedinho e corri para a janela, “boa, está um dia de m#$&@!”. Tinha deixado tudo preparado no dia anterior, vesti-me, acondicionei o meu tornozelo dentro de umas meias de compressão XPTO, tomei o pequeno-almoço e meti-me a caminho, sem grande convicção.

Esta prova deixou-me brutalmente ansiosa, a ideia de ultrapassar os meus limites rumo ao desconhecido mexeu com o meu sistema, tal não era o medo de não a dar acabada que até levei o telemóvel comigo (logo eu!), mas sabia que tinha o esquema todo montado mentalmente para poder combater a parte psicológica que eu receava que me vencesse.

Contrariamente ao que tinha feito nas outras provas, parti quase da linha da frente para me poder orientar pelo tempo de prova (curiosamente desta vez ele não existia em mais lado nenhum senão na frente da corrida) mas estava decidida a andar os primeiros quilómetros. Foi uma missão impossível, a recta inicial sem inclinação pedia uma corridinha e lá fui eu no meio da multidão até começar a subida, aí decidi andar, sabia que tinha imensos quilómetros pela frente e desejava chegar ao fim.

1km: Percebi que a inclinação tinha atenuado e (re)comecei a minha prova. “Os altos e baixos são só até aos 6km” e lá fui eu agarrada àquele sentimento.

2km; 3km; 4km: Começa a chover, aquela chuva miudinha super chata, e eu recordei as palavras da Sofia, a colega de trabalho que em tempos me desafiou para uma corrida, “se chover até corres mais depressa”.

5km: Água! Bebi um pouco e não agi em conformidade com o passado, optei por não correr com o que tinha sobrado (burra!).

6km: “Agora até aos 16km é tudo sem muita inclinação, tens que correr pelo menos até aos 10km”.

7km; 8km; 9km; 10km: O meu joelho deu sinal de vida, com quem diz “não chega já!?”, apercebi-me que o meu ritmo estava muito lento e que já não havia água para mim (tinha acabado!) e pensei “pronto, aguentas até aos 12km que depois descansas”.

11km; 12km: Decidi comer a minha barrinha de cereais, ainda a correr, porque haveria água nos 14km e eu só queria lá chegar.

13km; 14km: Morta de sede. A organização a informar “há água nos 15km”. Segue!

15km: Água! Finalmente! Novo alento para correr até ao quilómetro seguinte.

16km: Tentei aguentar-me, resistir, mas passado pouco tempo comecei a ver a subida e dei-me por vencida. Tentei andar, as dores que sentia nas pernas e no rabiosque eram tantas mas tantas que pensei “mais vale correr devagar”.

17km: Voltei a fazer uma tentativa para andar, em passo acelerado, porque queria mesmo terminar a prova a correr, mas as dores musculares não deixaram e lá fui eu a correr devagarinho.

18km: “Está quase e agora é maioritariamente a descer.”

19km: Um fotógrafo mete-se comigo (naquele troço ia completamente isolada): “Agora é o tudo por tudo... para a foto!”. Fez-me rir e sorrir, e fui assim com aquele sorriso idiota até à meta. Ao chegar à Baía vi o cronómetro 2:08:02, sabia que tinha partido um pouco depois, toda eu brilhei: “excelente prova!”. E o meu chip diz:


Hoje, o anúncio dos BES Run Challenge que tanto tenho ouvido passou a fazer todo o sentido, é qualquer coisa como “só até à árvore, agora só até ao carro, só até àesquina, só até Cascais...”, correr assim tem mesmo que ser por objectivos mais curtos :)