2 de agosto de 2017

Game over

E, de um momento para o outro, a vida dá 50500 tropeções e leva-te de volta e sítios muito manhosos…

Há já muito tempo, quando tinha os meus seis aninhos, houve um dia que ao voltar da escola encontrei a minha avó caída no chão, sem vida. Não foi porque a escada não tinha corrimão, ou porque o puxador da porta do sótão não aguentou a pressão e se partiu, foi porque estava destinado que assim fosse. E este tema tabu (ao longo de muitos anos e em muitas cabeças) teve impacto em mim e fez com que, desde que me conheço por gente, não soubesse lidar com mortes não naturais.

Esta semana, um amigo de um amigo meu, um dos poucos que ele fez questão que eu conhecesse, porque era mesmo importante, e que sempre conheci de sorriso rasgado, escolheu “terminar o jogo”. E isto gera em mim sentimentos muito, muito maus.

Não sei dizer se fico destroçada ou estupefacta. Uma parte de mim, fica presa nas brincadeiras, nas provocações em jeito de picardia, nas palhaçadas partilhadas e nas conversas sem sentido ou justificações desnecessárias; outra parte, mais racional, é desassossegada na constante busca por respostas (Onde é que ele tinha a cabeça!? Porque é que ele não meteu a mochila às costas e foi para a Tailândia!? Será que a miúda que ninguém consegue encontrar está grávida!?). E a minha revolta, que por si só já tem o tamanho do planeta terra, aumenta mais um bocadinho.

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