23 de dezembro de 2025

Profissão vs passatempo

Bom dia de terça-feira, pessoas giras!

Hoje é dia de me sentir PLENA e CONSCIENTE, que é como quem diz que tive uma sessão de saco de pancada e nem sei muito bem para que lado me voltar 😁

Na semana passada, andei em modo intensivo de formação em TAT (Tripulante de Ambulâncias de Transporte). Portanto, foi a altura de aprender os procedimentos para reanimar alguém em paragem cardio respiratória e perceber que um dos erros mais fáceis de cometer é causar um penumotórax num bebé (insuflar o bebé como se fosse um adulto). Foi também um dos módulos de formação mais caóticos, entre trocas de formadores (devido a saídas em serviço) e inconsistências de informação.

Esta semana, foi dia de finalizar o módulo e preparava-se uma repetição do mesmo modo acelerado sem pré-aviso, que me levou a meter os pés à parede. É verdade que a minha "explosão" não me afetou como antes, mas escrevo aqui porque preferia não ter "explodido" e quero ter isso bem presente daqui para a frente. Somos um grupo bastante heterogéneo, com prioridades muito diferentes e em fases da vida que em nada se alinham. Mas deveríamos ter todos uma capacidade desenvolvida, tendo em conta aquilo que nos propomos fazer no futuro, que é a empatia com o próximo, juntamente com uma tentativa mínima de nos colocarmos nos sapatos da outra pessoa.

Ontem, foi aquele dia que (em modo besta) a farda teria ficado toda no quartel, junto com um "obrigada pela oportunidade e gostei muito de vos conhecer", mas há demasiada gente à espera que eu desista, à espera que eu não consiga e pronta para dizer um "eu bem te avisei" ou "eu tinha razão".

Quanto mais eu percorrer um caminho que é só meu, que é mais introspectivo, mais em modo ouvir, calar e desvalorizar, mais espaço haverá para eu ser mais eu e amar cada pedacinho dessa pessoa. Portanto, levantar a cabeça, dar o peito às balas e seguir viagem, com a certeza de que aquilo que eles julgam em mim diz tanto mas tanto sobre eles (quer seja sobre o tempo que roubo à Catarina - porque também já o roubaram a alguém, quer seja sobre as minhas prioridades - porque não é aquela casa que me paga as contas no final do mês e ter esse conforto não é para todos).

No meio desta aventura, questiono a minha vida laboral... Porque para que exista retorno é necessário que haja entrega (e não me refiro à entrega de trabalho desenvolvido, visto que ainda agora ali cheguei). Entrega emocional, envolvimento, paixão... Aquelas pequenas coisas que podem fazer desta relação (profissional) mais profunda e que abrem a porta para um desenvolvimento conjunto. Só não me posso esquecer que estas ainda são as nossas primeiras semanas e que as expectativas não podem escalar gigantescamente para que a fase da "lua de mel" não seja derrotada em 10 minutos.

Seguimos fortes (ou pelo menos tentamos). Boa semana!