12 de agosto de 2026
Noites de pagodinho
6 de agosto de 2026
Sobre a boina
Olá, pessoas giras!
Na semana passada, andei a panicar com o facto de ter "reprovado" na formação de incêndios florestais (o que não deixar de ser algo bastante interessante porque acabei por passar com 18.6, uma das minhas melhores notas).
Toda a situação idiota à volta deste processo de aparecer na plataforma como reprovada, gerou em mim um desconforto gigante e abriu-me os olhos para toda uma estrutura e uma forma de funcionar que não se alinha com os meus valores. Ou seja, quinta-feira informei um graduado, no sábado informei outro e na segunda-feira informei o terceiro toda a cadeia de comando que podia / devia estar a par deste tema. Ontem entrei na plataforma e verifiquei que a situação já está regularizada (acredito mesmo que deixaram passar os prazos para lançar as notas e, por defeito, a escola colocou-nos todos como reprovados, ainda que nem todos tenham dado conta). Hoje é outra vez quinta-feira (pasmem-se, ainda sei os dias da semana!) e eu continuo sem resposta, ninguém se dignou a responder nada, nem um simples ("foi um lapso na plataforma e vai ser resolvido").
Entretanto, enchi-me de coragem e ontem, depois de um dia no escritório em Lisboa, apareci no quartel para fazer umas horas de "estágio". Aquele "estar sem saber o que fazer", aquela espera sem saber se há serviço ou não, aquele sentimento gigante de ser uma tangerina no meio dos alhos chochos, aquele ambiente machista e aquela constatação do "dificilmente me vão ensinar alguma coisa, estão à espera que eu questione, tente desenrascar-me e aprenda assim" bateu-me com demasiada força.
Eu que sempre atribui um valor gigante a esta formação e a todo o percurso até colocar a boina na cabeça, neste momento penso gigantescamente diferente. A formação que eu considerava mais relevante, mostrou-me que, no fundo, não é ali que se aprende nada e, só por aí, já derrubou mais de metade dos meus sonhos, porque ninguém nasce ensinado, e se não for ali que aprendo algo que é completamente fora da minha realidade, vai ser onde!?
Depois, iniciou-se a fase de olhar à volta. Mais de 85% daquela gente está lá porque precisa do dinheiro e faz daquilo vida. Poucos são aqueles que estão ali porque acreditam na missão e abdicam do seu tempo livre por um bem maior e, desses, se não existisse uma recompensa monetária são poucos os que continuavam a aparecer.
Eu sou uma privilegiada e estou grata por isso. Tenho um bom emprego, na minha área, que paga decentemente, consegui que o trabalho ficasse naquele lugar próprio em que não me tira horas de sono e em que nem sempre concordo com os colegas ou com a chefia mas não me coloco em dinâmicas tóxicas ou "diz que disse" manhosos. Portanto, porque preciso fazer algo que contraria isto no meu tempo livre e por uma recompensa que não é em nada comparável!? A resposta correta é: não preciso!
Gostava de fazer dois machos felizes ao serem os meus padrinhos!? Gostava. Gostava de sentir aquele orgulho de chegar ao fim e colocar a boina na cabeça!? Gostava. Gostava de não desapontar as 20 pessoas que acreditaram em mim, sem que eu o fizesse, e que me ajudaram a chegar até aqui!? Gostava. Se sinto que é muito mais honesto e lógico desistir já, sem andar a roubar tempo às pessoas que nos tentam ensinar, sem avançar com processos burocráticos que não vão levar a lado nenhum, sem ser promovida e sem receber a boina!? Sim (é um sim duro, triste, mas honesto).
Se ando a trabalhar em mim, a descobrir quem sou, a fazer o meu próprio despertar e alinhar-me com o meu propósito, tenho zero necessidade arrastar isto e de me enfiar naquele ambiente corrosivo mais tempo.
Muito grata à alminha que atravessou a minha vida para que eu aprendesse a confiar e me abriu os olhos para um mundo em tons de arco íris (não tem que ser tudo preto e branco): "Salta fora" vai ser uma expressão que vou levar para a vida.
Boa semana!
4 de agosto de 2026
A minha energia 2026
Raiz: sob-ativo (-19%)
Sacro: aberto (38%)
Umbilical: sob-ativo (-12%)
Cardíaco: aberto (31%)
Laríngeo: aberto (12%)
Terceiro Olho: aberto (12%)
Coronário: sob-ativo (-6%)
Para mais tarde recordar... Daqui.
31 de julho de 2026
Outra vez os bombeiros
Olá, pessoas giras!
De manhã, foi partilhada a escala de serviço para os dias da feira e, os estagiários, foram incluídos sem que lhes fosse dado qualquer contexto sobre o serviço, sobre a inclusão na escala e sem que lhes fosse solicitada qualquer disponibilidade. Eu estava em modo laboral e nem vi tal missiva, entretanto, recebi um telefonema de uma colega minha da recruta a destilar veneno sobre o tema (que não podem pôr e dispor da vida das pessoas, que nem sabem se as pessoas têm planos, que não se preocuparam em pedir disponibilidade...) e entrei em modo ventilação, sem paciência, sendo que o único tema que me incomoda mesmo é a forma como as coisas (não) são comunicadas.
Fui para a minha reunião de revisão de desempenho de meio do ano (que ficará toda ela para um só post) e, no final, já tinha mais umas 20 mensagens sobre o tema e o meu sistema nervoso entrou em sobrecarga total. O tema bombeiros é complicado, nós não somos todos iguais, não estamos todos na mesma fase da vida, não temos todas as mesmas aspirações e nem reagimos todos da mesma forma.
Honestamente, estar escalada para o primeiro dia de feira a sério, das 20h de sexta às 8h de sábado, até me pareceu algo bastante fofinho. Eu não sou uma pessoa de manhãs, tinha a sorte de fazer um horário simpático mesmo com as velhotas a desmaiar em modo Tony Carreira. Era despachar o serviço e curtir os restantes dias da feira.
De tarde, caí na asneira de abrir a plataforma da formação (porque é mesmo um hábito meu de vez em quando ir lá ver o estado da nação) e recebi um gigantesco murro no estômago. Fui reprovada na formação de incêndios rurais que ocorreu em Março. Problema: desta vez eu fui capaz de ouvir o meu corpo, aquele revolver do estômago, aquele acelerar do coração, aquele desespero do modo de fuga ativo e as lágrimas a escorrerem pela cara.
Eu tenho, desde sempre, problemas com "não ser perfeita". Aquela pauta algures no 6º ano, com um quatro e o resto tudo cincos ainda hoje me persegue. Aquela sensação de não ser suficiente, ditada por um número, um dia, um momento, sempre foi algo que não soube interpretar. E voltei a sentir isso tudo ontem, mas num contexto mais manhoso e com requintes de malvadez.
Não há mal nenhum em chumbar, eu sei perfeitamente que é uma profissão exigente fisicamente e as circunstâncias da vida naquela altura eram completamente diferentes (estava a terminar uma semana de tratamento com Pylera e restrições alimentares), mal preparada a nível físico. Agora, esperarem até ao final da formação, sabendo que deixava de existir a possibilidade de repetir o módulo noutro sítio e sentirem que era a única forma de me manterem lá para terem o número mínimo de pessoas para levar a formação até ao fim, roça a falta de respeito e de consideração. Nem é frustrada por falhar, é revoltada por nem terem sido capazes de me dizer.
Simultaneamente, aquela sensação de fracasso, em que as mentes pequeninas que frequentaram a formação comigo, para ingressarem nos bombeiros, só com o objetivo de conhecerem mais fauna masculina, seguem em frente. Devia estar muito agradecida, é um favor que me fazem cortar-me as pernas porque eu também não seria capaz de desistir, e se é para ser comparada com este tipo de pessoas mais vale saltar fora. Não tenho perfil para bombeira porque me falta força física e humildade, ok, mas sejam homenzinhos para me assumir isso e me dizer isso na cara.
Boa semana!
23 de julho de 2026
As festas de Fernão Ferro
Olá, pessoas giras!!
Uma loira diferente entrou na minha vida. Accionou o meu gatilho "lá vou eu tentar outra vez ter uma amiga mulher para dar asneira daqui a 3 ou 4 semanas" mas dei lhe o benefício da dúvida. Acho que nos conhecemos minimamente no final de Junho, "colámos" no 11 e 12 de Julho, portanto, ainda está tudo dentro do prazo e não tenho desejos de revelar o meu lado besta ou calhau com olhos.
Eu vou ser sempre uma gaja de atos espontâneos e de surpresas simples e básicas, com o chip de quem tem "compromissos" ligado (quer sejam crianças, companheiros, piriquitos ou família), apelei à minha falta de noção e apareci onde não era esperada. [Sempre a viver a velha máxima do "faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti".]
O plano era conhecer um talho e jantar num lugar diferente, quando dei por mim tinham passado 3 horas, nada de jantar, e já tinha gargalhado tanto que a vontade de ir para casa era zero. Acabei na "feira" de Fernão Ferro, o mega acontecimento do ano da cidade.
Pessoas, eu sou de Grândola. Todo e qualquer evento que seja mais pequeno do que o nosso mercado mensal não tem a menor possibilidade de ser considerado uma feira, na loucura, chamem-lhe festa. Qualquer ajuntamento ou celebração pode ser uma festa, mas quem vive a feira de Grândola ganha uma certa incapacidade de chamar feira a qualquer mini evento.
Felizmente, foi uma das melhores festas de sempre (fez lembrar me as festas de Alvaiázere a que fui em tempos muito idos, quando ainda achava que as amizades das tunas - que não a minha - eram para a vida, em que fomos comprar rifas da quermesse, para ganhar o maior recipiente que houvesse para beber cerveja). Aquela magia de ir a um ajuntamento de gente, para comer e beber, com música por todo o lado e, cereja no topo do bolo, ninguém te conhece!
Portanto, foi um lembrete ativo que a feira de Grândola não vai ser fácil para mim, que é melhor começar já a trabalhar no tema, enquanto me permiti ser eu, rir com vontade, observar mais do que falar e conseguir estar comigo (só comigo) sem qualquer tipo de stress ou incómodo.
Mesmo com a viagem de uma hora até casa, para me dedicar ao descanso, fui feliz!
Sejam felizes por aí também!
20 de julho de 2026
Corrida Atlântica 2026
13 de julho de 2026
Leitura, conversa, amor e Ele
9 de julho de 2026
Outra noite estrelada
As noites estreladas fazem-me feliz, lembram-me que nem toda a gente tem a oportunidade de olhar para o céu e sorrir a contar estrelas (grande parte das vezes porque o barulho das luzes não permite). No fundo, estamos todos debaixo do mesmo céu.
3 de julho de 2026
Lista de afirmações
A loira da minha vida pediu-me uma lista de afirmações que eu faço, para mim mesma, quase diariamente, para tentar identifica traumas que possam estar a sustentar ou boicotar esses desejos internos.
Eu não quero um homem que me sustente monetariamente e quero um homem que possa ser o meu ombro emocional (se souber cozinhar ainda melhor).
Vou beber um galão para acordar (continuo sem ver o pequeno-almoço como a primeira refeição do dia e apenas como um empurrão para começar o dia).
Eu posso fazer isto ao final do dia, que é rápido, porque ainda estou meio a dormir.
Eu não me importo de ir ao escritório duas vezes na semana em que não tenho a Catarina comigo, desde que na semana em que ela está comigo vá só uma.
Detesto ter que ir para Lisboa só por causa do trabalho (parece que me esqueço que é lá que tenho as conversas mais genuínas e interessantes).
O David ainda é um problema meu porque eu sou a mais estável a nível emocional / mental.
De cada vez que a Catarina me bate e me dá pontapés, penso que estou a criar uma delinquente e culpo-me só de pensar assim. A regulação emocional ainda é muito difícil (especialmente com cansaço envolvido ou situações em que a tenho que contrariar) e como eu sou a pessoa com quem se sente segura, calha-me a mim.
Eu não preciso que a minha mãe me ajude com as rotinas da Catarina (passar tempo com a neta parece ser das poucas coisas que ela faz com vontade e sem cobrança).
Ser mãe não é para mim, devia ter seguido as minhas convicções.
Eu ainda quero casar outra vez.
19 de junho de 2026
Pontos nos is
17 de junho de 2026
Dia de reflexão
Olá, pessoas giras!
A minha veia de interesse político ainda não tinha despertado e, depois de meses, que me pareciam intermináveis, de debates, de anúncios, de tempo de antena dedicado (e sem capacidade de exercer o meu direito de simplesmente abandonar a televisão nacional), eis que surgia uma lufada de ar fresco, aquele dia espetacular em que não era permitida campanha.
Ainda hoje, sinto que a melhor fase das diferentes aventuras em que uma pessoa se envolve é a reflexão. Aquele reflexão em jeito de "apesar de tudo fez sentido" ou "porque é que me andei a enganar a mim mesma".
Por aqui, o dia da reflexão são todos! Ou não fosse eu conhecida brutalmente por ser alguém que pensa demais. Portanto, sentem se de forma confortável, apertem os cintos, mantenham a calma e em caso de emergência liguem o 112.
O curso de instrução inicial para bombeiro está longe de estar terminado mas iniciou-se agora uma nova fase. Concluímos os seis módulos de formação e passámos à fase de estágio. Cada um dos módulos teve a sua fase de alucinação e loucura.
Os dois primeiros foram bastante interessantes (organização do serviço de bombeiros e tecnologias de base na atividade de bombeiros), maioritariamente teóricos e conseguiram despertar o interesse. As técnicas de socorrismo e tripulante de ambulância de transporte abriram horizontes para todo um novo mundo, mas ficou aquela sensação de "quando é que começa mesmo a formação", porque não há tempo para tudo, os conceitos são abordados por alto, as técnicas de avaliação não são colocadas em prática e o foco vai para o processo de reanimação, que é o único que nós esperamos nunca precisar. No nosso caso, seguiu-se a extinção de incêndios urbanos. E, não sei se por toda a polémica e drama envolvida, se pela intensidade e exigência física, nesta altura quis mandar tudo às urtigas (a minha resiliência para coisas que eu não tenho mesmo necessidade de aturar morreu na praia). O módulo de extinção de incêndios florestais, de que tanto ouvi críticas, tornou-se o meu favorito, porque aprendemos a extinguir o fogo com material de sapador e a trabalhar o rescaldo para evitar reacendimentos e, embora tenha que admitir que não é fácil andar de pá e ancinho às costas, a vontade de fazer acontecer e o espírito de equipa fizeram toda a diferença. E, como não podiam ser tudo rosas, o salvamento e desencarceramento veio dar cabo disto tudo. Eu sei que a teoria do "treino difícil, combate fácil" é muito gira mas eu já não tenho 20 anos para andar com 20 quilos de material às costas e achar piada quando quase paro de respirar (e se não fosse o meu futuro padrinho a aparecer por lá e fazer me acreditar que não sou assim tão parvinha, tinha sido o dia de deixar lá a tralha toda - até porque já anda sempre na mala do carro).
Simultaneamente, este fim de semana marcou o início do meu serviço de brigada de aeródromo, aquela malta fofinha que dá apoio ao centro de meio aéreos de cada vez que um helicóptero decola para fazer serviço. E todo um novo mundo sobre o que é estar de serviço no quartel se revelou (e isto sim, precisa de reflexão adequada).
Por agora, continuo a acreditar na missão dos bombeiros, e continuo a acreditar que se der um dia ou dois de disponibilidade por mês posso fazer a diferença na vida de por quem lá anda (que são sempre os mesmos e podem aproveitar uma folga extra). Sem decisões tomadas, sem grandes filosofias e ainda com vontade de mudar o mundo.
Boa semana!
16 de junho de 2026
E vão 8 meses
1 de junho de 2026
29 de maio de 2026
O post tabu
Era uma vez uma Princesa que vivia num reino totalmente desconhecido...
Esta Princesa nasceu e cresceu neste reino, nunca foi propriamente feliz porque se encolhia para caber, para agradar, para tentar ser igual, e teve a oportunidade de sair e conhecer o mundo. Durante os muitos anos em que se manteve "fora de portas", a Princesa viveu! Teve bons e maus momentos, experiências excelentes e outras menos boas, conheceu pessoas diferentes, pessoas mais ou menos parecidas consigo e carregou os seus traumas por diversos caminhos, sempre com a sensação que o reino era algo que tinha ficado para trás. Tudo isto numa altura em que a vida não se fazia atrás de nenhum ecrã.
Esta Princesa taurina viveu sempre de emoções, naquele desequilíbrio fofinho do "ou me levam às lágrimas ou me fazem explodir de alegria", sem situações mornas ou de meio termo, como se a intensidade fosse aquilo que lhe permitisse sentir-se viva. E foi nesta altura que, pela primeira vez, ela questionou quem era... Faziam-na acreditar que este comportamento demonstrava bipolaridade.
Esta Princesa foi sempre intensa, e namoradeira. Piscava o olho aqui, dava 5 minutos de atenção ali, punha uma mão numa perna ou num ombro. Diziam-lhe que era o reflexo de ser a carinha laroca de um grupo, efeitos de ir para a frente de palco. Mas, neste tempo, as relações existiam e era feitas de estabilidade, de segurança e de respeito.
Nesta altura, existiu um Principe, que surgiu pela primeira vez montado num cavalo branco, depois arranjou um cavalo preto e foi ele que a ensinou a montar. [Há coisas que não se esquecem e aquele Renault Clio preto vai ser sempre uma das minhas paixões assolapadas... Minhas não, da Princesa.] Com ele, tudo foi feito, supostamente, da maneira certa. Conheceram-se através de amigos em comum, exploraram isso em privado, depois com os amigos, apresentaram-se famílias, partilhou-se vida e experiências. Mas a Princesa não se conhecia verdadeiramente, não se amava a si mesma, não confiava em si. Era uma relação bonita carregada de fins e recomeços e mil pessoas pelo meio, de parte a parte, e não há como viver permanentemente a perdoar e contentar-se com migalhas.
Quando a Princesa fechou esta porta à magia de acreditar que podia ser amada sem ser pela metade, fechou muitas mais só para poder fugir de uma realidade que ela não queria para si. E passou a navegar de relacionamento em relacionamento, ou pelo menos era isto que diziam as pessoas à sua volta. Ela nunca sentiu que as suas relações fossem desprovidas de sentimento, desapegadas, mas nunca teve dúvida que se baseavam em conveniência e fuga - ela já não tinha o seu grupo de amigos e não queria estar sozinha. Mas ao menos sentia que, ali, o que ela sentia não era solidão, era solitude.
Por circunstâncias da vida, a Princesa teve que voltar a viver no reino e, quando lá chegou, a realidade tinha mudado brutalmente e o tipo de relações, que ela tinha conhecido nos últimos anos, já não existia. Tudo se tinha transformado e todas as relações (namoros, amizades, casamentos...) se baseavam em desapego e conveniência. E o sentimento de solidão que tinha ficado bem arrumado numa gaveta, voltou para se transformar e para a vestir como se fosse um "saco de batatas" (aqueles vestidos que servem bem a toda a gente mas não ficam bem a ninguém).
Agora, a Princesa luta para colocar a solitude de volta no seu lugar, ainda sem sucesso mas com pequenas vitórias, passo a passo e um dia de cada vez. Já não ambiciona casar, mas sente e sabe que um companheiro será sempre a melhor companhia para viajar.
25 de maio de 2026
Recharge Weekend
Olá, pessoas giras!
A minha empresa atual, independentemente da saga de abrir entidade em Portugal, tem uma preocupação genuína com os colaboradores e faz anualmente um fim de semana (há quem diga que são dois mas ver para querer) de paragem global para recarregar as energias de todas as equipas.
Portanto, desde quinta-feira que a vida se faz a outro ritmo, ainda que em modo mãe. As prioridades mudaram, a rotina continuou (não me sentia capaz para fazer diferente) mas os planos mudaram totalmente e, entre treinos de preparação para a Corrida Atlântica - Comporta / Tróia, abandonei-me a desacelerar e viver.
Ainda sinto que me dói ser mãe solo, que não tenho a receptividade para os 50 mil quilos de energia que ela tem mas faço o melhor que posso com aquilo que sei e não me posso esquecer disso a cada passo desta caminhada (mesmo quando ela grita histérica que não quer tomar banho ou que os dias com o pai são muito melhores).
Pela primeira vez, combati os meus receios internos e a minha auto-sabotagem e levei a minha filha para passar uma noite fora de casa, só comigo (sem família, sem amigos, sem rede). E adorei! Vai ser sempre difícil conciliar horários e fazer viagens de carro sem que ela adormeça e o fuso horário fique desajustado, mas com convicção tudo se consegue. E aquela alegria genuína que ela demonstrou quando entrou no quarto de hotel (porque pelos vistos ir para um hotel era uma cena do outro mundo) não tem preço. "Mãe, mãe, há roupões com chinelos!!" vai ser uma frase histórica.
A verdade é que: nada na vida acontece sem um motivo!
Foi a primeira vez que nós fomos convidadas para uma benção / queima das fitas e nada me podia deixar mais orgulhosa do que fazer parte dum dia assim. Foram necessários carradas de anos, terapia no lombo e uma mini "me" para me aperceber que as crianças com quem me cruzei na vida foram sempre um reflexo dos pais, de formas mais ou menos rebuscadas.
A Pipoca vai ser sempre alguém muito especial para mim, ainda que eu tenha pensado que em determinada altura competíamos as duas por atenção (agora sei bem que vamos sempre competir por aquela atenção, não eu nem ela...). Tenho um orgulho gigante na mulher que ela se está a tornar, no meio da nossa família bipolar, e amo aquela garra e aquela vida que ela carrega. Sei bem que o percurso formativo dela ainda está longe de terminar, mesmo que queira trabalhar enquanto estuda, porque quem bota os pés na tuna durante a vida académica, sabe que há uma linha diferente que se cruza.
Boa semana!
12 de maio de 2026
7 de maio de 2026
Sinal de alerta
Há momentos, durante o meu dia à dia, em que vejo as nuances da vida com uma nitidez assustadora e não sei o que fazer com isso.
Gosto de pensar que estou brutalmente melhor, em termos de saúde mental, mas depois lá vem mais um ou outro evento que me atira ao chão e questiono todas as perseguições do mundo (inclusive a da minha própria sombra). E a parte estúpida é conseguir identificar os stresses e os gatilhos e continuar sem fazer nada de muito diferente.
Trocado por miúdos... Há já muito tempo que identifiquei o meu padrão de procrastinação, o meu medo de não conseguir realizar uma tarefa e que me paralisa até ao último minuto. Aquele pânico de falhar, aquele receio que descubram que não sou tão boa como eles pensam, aquele desespero de querer produzir tudo perfeito... Portanto, como sei que a única forma de combater isso é ter prazos mais curtos, envolvi a minha chefinha e pedi "vamo-nos comprometer só as duas?".
Neste momento, tenho um compromisso de fazer entregas semanais daquilo que desenvolvo, ou exploro, e [Surpresa, das surpresas!] faltava uma hora para a reunião de apresentação acontecer quando comecei a pegar no assunto. Não é preciso ser um génio para saber que isto não faz nada bem!
Produzi durante uma hora sem interrupções, sem me lembrar que o telemóvel existe, com todas as notificações do mundo desligadas. Fiz um progresso gigante no projeto que ando a arrastar há meses, só por medo, e ainda recebi um "excelente trabalho". Qual é mesmo a necessidade de chegar a este ponto?
Se eu não acreditasse tão afincadamente que vou morrer num acidente de automóvel, lá muito mais para a frente na vida (estás a ouvir Universo?), diria que o esgotamento me iria derrubar sem dó nem piedade e que seria de caixão à cova. Não há cérebro nenhum, nem coração, que aguente a funcionar assim por muito tempo.
5 de maio de 2026
Celebrações
Olá, pessoas giras!
Sempre fui defensora de empresas que abrem entidade em Portugal para proporcionar aos seus trabalhadores o mesmo tipo de direitos e regalias que os colegas da empresa de origem têm, portanto, nada como fazer a empresa crescer com a camisola certa vestida (não se enganem, não vesti camisola nenhuma que não a minha e dos meus interesses).
Simultaneamente, celebro a primeira viagem na Europa, desde que fui a Berlim ver a Pink (em 2019!), e o regresso foi feito em caminhadas por Barcelona. Perguntaram-me se soube a pouco e dei por mim, estranhamente, a dizer que não. Também me perguntaram qual tinha sido o ponto alto da viagem e, de tantas gargalhadas genuínas no meio da rua, com duas almas que dificilmente se alinham para sair de casa, foi difícil escolher. Amei viver e experienciar La Boqueria, não me recordo de ter estado por lá nas anteriores passagens por Barcelona, certamente não o vivi da mesma forma, portanto, valeu a pena. A cidade está toda esburacada e há obras por todo o lado, para além das infindáveis na Sagrada Família, mas o saldo foi positivo.
Próxima etapa: primeira viagem sozinha fora do país. Este desejo faz parte do plano Cuidar mais do "Eu" 2026, definido em paralelo com um existente no Cadaval, e é daqueles que podem ser publicamente partilhados, mas é também aquele que me deixa mais apreensiva. Tenho medo de não querer correr o risco, medo de me sentir brutalmente só (nota mental para mim própria, alinhar esta viagem com as semanas certas do meu período).
Boa semana!
27 de abril de 2026
Voltas ao Sol
As celebrações deste aniversário trouxeram para a luz 50 mil temas mal resolvidos e que levaram o meu cérebro ao colapso. E, esse sacana, como não queria sofrer sozinho, atirou o meu corpo para dentro do mesmo poço.
O meu mais velho, que nem devia ser um problema meu, que a mãe conhece bem as amizades e é permissiva com as mesmas, continua sem saber muito bem o que quer da vida e decidiu fazer-me cabelos brancos... Eu permito que ele faça isso comigo e nem sei porquê. Qual foi o momento, o evento, a asneira que fez com que eu me sentisse responsável por ele?
A piquena continua a acusar a falta de regulação emocional, não só sob efeito do cansaço, para evitar levantar a mão e tentar bater-me. Mas, no meio do meu caos hormonal, sinto que tenho tenho zero credibilidade (sei perfeitamente que a adulta sou eu e que não posso permitir esse comportamento, só não quero pecar na forma como o faço).
A minha empresa perdeu a noção do bom senso, ainda que tenha tido a feliz ideia de abrir entidade em Portugal e colocar as coisas a funcionar como deve de ser. Eu continuo a acreditar que a proposta de contrato que eles colocaram em cima da mesa foi um ataque de insanidade temporária, burocrático, reversível, mas é impossível deixar de sentir que a paixão assolapada que ainda vibrava ao fim de quatro meses perdeu as asas.
O meu coração foi simplesmente estraçalhado e espremido e jogado no lixo. E querem saber qual é a parte pior? Fui eu que lhe fiz isto tudo! Porque continuo a alimentar padrões da treta, porque continuo a permitir que me vejam como algo que não sou... Porque não ponho os pés à parede e não coloco LIMITES!
Estou tão triste comigo (sim, sim, eu sei que a fase menstrual do mês não me ajuda em nada) e tão desiludida com as pessoas que tenho colocado à minha volta, que sinto que voltei atrás no tempo uns dois anos e voltei ao meu estado depressivo pré medicação (sim, sim, para a semana tudo volta a ficar mais cor de rosa mas até lá já cortei mais dois ou três espinhos do caminho).
Eu sou meio alucinada, meio descompensada, meio 8 ou 80... Mas com a certeza que conquistei um lugar no mundo profissional e na vida, não faz sentido aceitar os prémios de consolação. Há dias em que me fazem sentir a última coca cola no deserto ou a última bolacha do pacote (e em mau). Não é um problema meu se as coca colas ou as bolachas acabaram, isto é como ser escolhido em último quando se fazem as equipas para um jogo qualquer ("Ah, mas eu escolhi-te", "Certo, não havia mais ninguém, não se chama opção a isso").
A minha doutora apela ao meu lado racional e diz que eu tenho a faca e o queijo, um excelente queijo da serra, na mão. Já eu acho que é um queijo de cabra, porque é o meu favorito e porque é meu. Se quiserem a faca, eu ainda empresto, agora o queijo... Temos pena!
Boa semana!
18 de abril de 2026
16 de abril de 2026
Sobrevivi
8 de abril de 2026
Crenças da idade da pedra
7 de abril de 2026
Sobre a leveza e a paz de espírito
O ser humano é curioso... Na maior parte das vezes incompleto, inseguro mas sempre espiritual, ainda que não o reconheça.
Há anos que me apaixonei pelo meu lado espiritual, na tentativa de encontrar cá dentro aquilo que me fazia sentir incompleta e poder desatar esses nós para poder fluir plena. Desde muito cedo, que as vibrações e o alinhamento dos chakras despertaram em mim uma curiosidade incomum e que fui alimentando, até que as redes sociais e os 50 mil estímulos externos se tornaram demasiado intensos e eu me perdi de mim.
Quando escolhi divorciar-me, senti que tinha perdido o meu melhor amigo, que me tinha perdido a mim mesma e que, em parte, perdia a minha filha. E escolhi caminhar nesse limbo, entre o real e o espiritual, à procura de resgatar a minha alma e o meu ser, recuperar a minha leveza e equilibrar o meu espírito.
O percurso que escolhi é manhoso. A montanha russa é assustadoramente desequilibrada. E o álcool o maior inimigo da consistência, da disciplina e das convicções. Esse nunca me fez sentir sozinha ou abandonada, nunca me falhou mas também nunca me deu bons conselhos.
Todo um percurso elaborado e diferenciado para chegar onde estou hoje. Ao processo mágico da terapia (já estavam a ver que era isso que aí vinha, não é!?).
Sou uma mulher diferente. Ainda me encolho para tentar caber (aqui na vila), ainda luto para me dar valor e dar valor ao sucesso que alcancei, já reconheço as minhas limitações e procuro aprender para as ultrapassar (é difícil reconhecer que sou humana e posso falhar, quando isso vai contra as minhas crenças mais enraizadas)... E, maior ensinamento do mundo, o que eu sinto depende mais de mim do que do outro.
Se as minhas expectativas não foram atendidas, foi porque não as partilhei de forma adequada. Se os meus pensamentos me torturam, foi porque não os deixei ir na hora certa. Se desejo e escolho partilhar algo com alguém, é porque fazia sentido para mim e não há espaço para arrependimento.
E esta coisa de fazer as coisas com significado, com propósito, alinhado com o meu ser (ainda que possa não ser a coisa mais linda e perfeita do planeta), faz me vibrar no comprimento de onda certo e agradecer a todos os seres e a todas as aprendizagens por me permitirem sentir-me EU, uma vez ou outra. E sorrir com os olhos!
5 de abril de 2026
Sobre a Páscoa Feliz
29 de março de 2026
Influência
20 de março de 2026
"There is a lot on my mind"
Boa semana!
5 de março de 2026
Atualização de 2026
Olá, pessoas giras!!
A vida profissional levou um reforço de confiança, tenho andado numa tentativa louca de manter o foco e só me recompensar quando efetivamente registo progresso. Entretanto, a minha empresa ficou louca com a possibilidade de ter dois bilhetes para o Web Summit a preços mega low cost e, sorte ou azar, este ano estarei por lá (sem pedinchar e sem implorar, nem sei se estava preparada para isto).
A saúde, essa magana, anda sempre a trocar-me as voltas e tive que abraçar o segundo tratamento para a minha bactéria fofinha do estômago. Só que esta aventura já não foi tão simpática como a anterior... 10 dias de antibiótico, racionado em 3 comprimidos 4 vezes ao dia, com restrições alimentares (Como é que se vive sem café!? E sem chocolate!? E, pasmem-se, estou ansiosa por voltar a beber um galão quentinho!) e todos os efeitos secundários possíveis de imaginar: náuseas, vómitos, dores de cabeça (e sem a garantia que os meus auxiliares de não-vamos-matar-ninguém-hoje e vamos-lá-desligar-para-a-vida estão a ser absorvidos devidamente). Felizmente, a saga chegou ao fim e, amanhã, vou fazer uma festa de productos lácteos (que eu tenho saudades gigantes de uma pizza com queijo - e eu nem gosto de queijo!).
Entretanto, dei um jeito estranho nas costas e pareço uma velhinha entrevada, com o requinte de malvadez que sou uma velhinha entrevada, muito senhora de si e das suas dores, que vai todos os dias a casa dos pais só para que a mamã lhe coloque creme nas costas (pior que isto, nesta fase da vida, não deve dar).
O meu miminho de 12000 peças de Outubro já está assim 😍
A vida de Sra. Bombeira não é para mim! E esta é uma daquelas conclusões dolorosas (e das difíceis de assumir em pleno). No dia em que recebi a nota da formação de urbanos, e tendo em conta que sou de matemática, aquele 12.40 soube a reprovação e veio carregado de frustração com a qual (ainda) não sei lidar, significa que na parte prática eles me deram o 10 só porque não queriam chumbar ninguém. Isto em cima de uns dias de interações estúpidas e sem sentido, só podia ter uma reacção: asneira! Eu acredito em mim e acredito no meu valor e acredito que um bombeiro não tem que ser excelente em todas as vertentes (muito menos, ser um bombeiro teórico e na prática não conseguir acompanhar), como eu não sei ser medíocre ou suficiente e entregar serviço deste nível corrói-me. Mas decidi que não quero abdicar da formação (nem da bóina) e vou fazer um esforço, agora maior, de chegar ao fim. Sim, estou louca, mas no meio daquela gente toda, nem se nota 😜
Em termos de atualizações, só falta mencionar que existe um plano "cuidar mais do meu eu" a desenrolar-se (em simultâneo, com o plano igual a este que decorre no Cadaval), que é de rir e chorar por mais. É uma iniciativa diferenciada que inclui desde roupa nova, a planos de treino e objetivos de viagem, com a nuance espetacular de incluir bilhetes para um concerto, em 2027, que já se encontra esgotado, e promete resultados promissores ao recordar que as pessoas não estão ao virar da esquina, estão dentro de nós.
Bom fim de semana!
29 de janeiro de 2026
Mãe vs Profissional
Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, para ela, isso significava ter todo o tempo para ouvir as pessoas que fosse gerir, tomar decisões e orientar processos e, depois de mandar as suas pessoas para o aconchego do lar, ter tempo para pôr a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Essa miúda cresceu e foi para o mundo real, corporativo, e os primeiros exemplos de chefia que teve eram um misto disso mesmo: homens atarefados em reuniões e a tomar decisões, que chegavam ao fim do dia com o trabalho por fazer, mas conseguiam orientar tudo quando ficavam sozinhos na empresa, uma ou duas horas depois de toda a gente ter dado o dia como terminado. Talvez por isso, o sonho dessa miúda de gerir pessoas morreu, mas a certeza que não é preciso ser chefe de ninguém para se ser bem sucedido continuou.
Durante o dia, na vida profissional que eu conheço (leia-se "na minha área"), as exigências são imensas. Os pedidos surgem de todos os lados, quase sempre sem que haja visibilidade sobre os mesmos, e a definição de prioridades é essencial. O dia-a-dia é passado em lufa lufa, em reuniões e em busca de respostas, que resolvem problemas do imediato mas não acrescentam valor nenhum e fazem com que os verdadeiros desafios de valor acrescentado fiquem em espera. E, por isso, uma hora de trabalho, depois de toda a gente se desligar, vale ouro.
Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, como tal, não queria ser mãe, porque sabia que as tais horas de trabalho, depois de toda a gente se desligar, iriam desaparecer. Essa miúda, a determinada altura, ouviu o relógio biológico dizer "ou és mãe agora ou já não és" e falou com o seu companheiro "não há nenhuma forma de, no primeiro ano, eu ser pai e tu seres mãe, mas se vamos fazer isto acontecer, quando eu voltar ao trabalho, tu vais fazer o papel de mãe (sair mais cedo do trabalho, ir buscar a criança à escola e orientar as coisas para o jantar) e eu vou fazer o papel de pai (trabalhar até tarde, pôr dinheiro em casa e dar banho à criancinha)". E foi com base neste pressuposto que nasceu uma Princesa linda de morrer, com um sorriso fofuchinho capaz de derreter até o calhau com olhos mais convicto.
A vida pregou uma partida a esta miúda (tal como a tantas outras) e a gigantesca mudança de vida que acontece com a chegada de um bebé ao mundo, veio rodeada por uma pandemia à escala mundial. Se pais e mãe batalham em descobrir os seus novos papéis, nesta nova fase da vida, quando têm todo o apoio do mundo e os amigos e família podem dar uma ajudinha, quando esse apoio não existe a coisa intensifica-se.
As crenças do que significa ser pai e ser mãe e da forma como fomos criados andam à flor da pele, a incerteza de que estamos a fazer um bom trabalho mina o nosso cérebro e tudo se torna mais difícil (porque pessoas cansadas nunca tomam as melhores decisões).
A miúda gira deu por si com uma criança no colo e um companheiro com crises de ansiedade, ao ponto de ter desmaios (certamente a questionar, em silêncio, o seu papel como pai e teimoso com uma mula sem querer procurar ajuda) e fritou da pipoca. Desistiu de tudo o que tinha conquistado até aí (independência, autonomia, distância de relações tóxicas, contexto geográfico... Já disse independência?) e regressou às origens, à procura da tal ajuda que não podia circular entre concelhos. Apesar dos alertas, do espanto e tudo mais, na altura tudo fez sentido, a criança era a prioridade e não há nada melhor do que poder contar com o colo dos avós e dos tios em vez do colo de estranhos (já para não falar do alívio que é saber que em caso de emergência se está a 5 minutos da criancinha, em vez de 50).
No mundo profissional, a proximidade das oportunidades faz imensa diferença. Se a pandemia trouxe a facilidade de trabalhar "a partir de qualquer lugar", para a miúda gira que queria estar perto das suas pessoas e atender aos seus pedidos trouxe uma realidade completamente desprovida de sentido e uma desconexão com o mundo laboral [que cocó é reconhecer estas coisas!]. Simultaneamente, a miúda gira que queria ser pai percebeu que aquela hora depois de todos se desligarem era essencial para uma mãe solo ouvir e atender às necessidades da sua criancinha (e quanto mais cedo essa hora começasse melhor). Portanto, aquilo que eram os ideais de uma carreira de sucesso foram por água abaixo.
E agora, temos uma miúda gira, que gosta de si ([mega conquista]) mas sente que tem que escolher entre uma coisa e a outra. Porque a exigência de ser uma mãe que ouve e atende é cansativa e as horas de ouro, que supostamente iriam existir depois da criança adormecer, são passadas a dormir numa tentativa complicada de reduzir o cansaço constante.
26 de janeiro de 2026
Sonhar é grátis
Olá, pessoas giras!!
Hoje foi dia de alargar horizontes, sem sair da mesa e da cadeira do escritório, mas a voar mesmo muito alto. Entre esta cadeira e este computador vive alguém com medo do sucesso e com medo da abundância, mas que andou a passear em Nova Iorque no seu fato Massimo Dutti, durante a hora de almoço (só porque sonhar é grátis).
Desde semp... Muito cedo, que me lembro de dizer que nunca ia ser mãe porque não queria ter que abdicar da minha carreira. E, embora identifique e reconheça todas as competências que uma mulher aperfeiçoa após a maternidade, continuo com sentimentos divergentes sobre a possibilidade de conjugar as duas coisas.
Como boicotar a maternidade estava a ser um peso grande demais para carregar, porque a pequena Princesa apesar de me ter escolhido para mãe, não pediu para nascer e não tinha que lidar com isso. Optei por boicotar a carreira, porque é mais fácil e simples ainda que não faça sentido nenhum.
Se eu me mantiver ali no modo mediano, não tenho tiques de vedeta, não me valorizo demais e sinto-me uma pessoa normal naquele que é agora o meu contexto quotidiano. E esta realidade é algo de muito assustador que acaba sempre comigo a dizer "estar aqui é o melhor para a Catarina mas não é o melhor para mim". Mas a verdade é que não posso colocar a minha vida em pausa até ela atingir a maioridade (apesar de eu acreditar que quando chegar ao 10º ano, ela vai querer para ela algo que não passa por esta escola secundária aqui).
Claro está, que se eu fosse trabalhar para outro código postal no mundo (e não no país), isso seria algo que acontecia naturalmente e a piquena lá ia estudar uma cultura diferente da nossa (sim, o pai dela ia espernear mas ia perceber que é alimento para a alma). E Nova Iorque soa imensamente bem neste contexto, que a empresa nova até tem lá escritório, mas o bom ordenado ainda não dava para suportar o custo de vida (e da educação) lá daquele lado.
Não quero mostrar ao mundo que, para se fazer diferente, só é preciso querer diferente. E eu quero diferente para mim, mas não quero tornar isso uma realidade.... Como é que eu vou explicar ao mundo que consigo ser válida a nível profissional, boa mãe e independente!? A aldeia que é precisa para criar uma criança não está pronta para lidar com isso!
Se gostava de ter o melhor dos dois mundo? Gostava. Se já estou mentalmente disponível? Acho que não. Mas... Há uma loira na minha vida a tentar mudar isso (se alguém quiser o número dela eu partilho, já que terapia de verdade é a melhor coisa que inventaram no mundo!).
Boa semana!!
25 de janeiro de 2026
Sempre a aprender
22 de janeiro de 2026
Lisboa e a chuva
21 de janeiro de 2026
Incêndios Urbanos e não só
Era um lindo dia de manhã, de madrugada, em que deixei a piquena na escolinha e me preparei para ir até ao quartel, fazer um teste que tinha deixado pendente da noite anterior (fruto daquelas coisas bem combinadas e com a devida antecedência, mas que eu bati o pé porque tinha a Princesa comigo).
Era um lindo dia, frio, de sexta-feira. Seria o primeiro dia de uma nova aventura, sair do quartel com a turma de formação, ter formação fora e pernoitar fora de casa. E eu, como chefe de turma, fui chamada para identificar o material que iríamos levar.
Eis que, de repente, estou a ser chamada para a sala dos chefes, e recebo um valente sermão... Sobre pessoas que querem ser protagonistas, pessoas que se julgam melhor que as outras, pessoas que se querem destacar. Sobre pessoas que não têm noção de compromisso e não entendem que não podem desistir das coisas de um dia para o outro, porque isso impacta toda a turma. E muito mais disto.
Neste momento, toda a vontade que eu já não tinha para ir até Fanhões, morreu. E a loira da minha vida só me fez sentir que o que tinha começado como uma lufada de ar fresco, rapidamente se transformou num cenário de tortura. Mas, era uma formação que estava a meio, e lá me orientei para me fazer à estrada.
Ainda não tínhamos terminado o primeiro exercício da formação, e já este cenário estava a ter uma mudança radical com requintes de malvadez. Comentei que tinha estado a receber um sermão gigantesco e ouvi um "Alguém fez queixa de ti. Não gostava que o fizessem comigo, também não gostei que o fizessem contigo". E perdi o chão.
A cabeça viajou, o espírito colapsou e eu perdi-me de mim. Tentei colar todo o discurso que tinha ouvido em mim, e nas minhas atitudes, e, depois de anos e anos a lutar para reconhecer o meu valor próprio, estar alguém a pedir-me que me anulasse e ignorasse o meu valor, sem sequer me dizer o que efetivamente eu tinha feito e sem ouvir a minha versão da história, deitou-me por terra.
Cavalheiros, como bombeira sou 0, ainda que duvide muito que estejamos todos ao mesmo nível (e duvido também que a formação tenha feito alguma diferença nisso - a não ser quando aprendi que o bebé nasce dentro da placenta, andei enganada estes anos todos), mas estou muito longe de ser igual. Se eu gostava de ser uma cabeça de alho chocho rodeada de gomos de tangerina? Amava! Mas nunca seria a mesma coisa.
Nessa noite, pensei arrumar a tralha e vir embora. Agarrei-me à pouca força que ainda tinha e contive o grito de raiva "qual de vocês é que teve a lata de fazer queixa de mim mas não é crescidinho o suficiente para me enfrentar cara a cara!?". Claro está, que se já me tinham perdido antes (com um sermão que eu não entendia), o resto do fim de semana foi feito a mínimos olímpicos.
Sim, adorei ter chamas a rolar por cima da minha cabeça. Sim, adorei perceber a dinâmica dos procedimentos, é super fácil entender metade das coisas quando se conhecem os conceitos básicos como "ar quente sobe". Mas... Senti sempre que aquilo não era para mim. E mesmo que quisesse pensar que a ajuda que queria efetivamente dar, era na emergência médica, não preciso de ninguém a pisar a minha sanidade mental.
Uma pessoa pensa abdicar do seu tempo, para que outros possam ter mais qualidade de vida e é assim que nos tratam, com acusações infundadas que não seriam repetidas se eles não acreditassem nas mesmas. Zero que preciso disso para mim! Prefiro formar um grupo de auto-ajuda que fica em silêncio e sem telemóvel, várias vez por dia e por semana 😂
Estava a tentar provar o quê e a quem? Que há lugar para mim e para ser valorizada na vila, que também para mim fiz o certo ao voltar para a terrinha... Mas é mentira, mentira! E o aperto no peito que é ter que dizer ao meu sobrinho, vou desistir pelas mesmas razões que tu, pessoas a serem pessoas.
Estava a valer a pena? Teve muitos bons momentos, teve situações giras, teve experiências do caraças... Nas primeiras semanas. Nas últimas, deixou de ser uma coisa leve e passou a ser um frete, sem planeamento, com datas e obrigações que simplesmente apareciam do nada.
Se custa desistir? Horrores! Não me conheço por desistente, mas a minha teimosia não ganha à minha sanidade. Vou abraçar o meu afinal-ainda-não-é-desta "padrinho", vou agradecer ao Segundo Comandante (apenas pelos nossos momentos de regresso ao passado) e atribuir a culpa ao corpo e ao avançar da idade (se alguém espera de mim que vá comprar guerras nesta altura, estou fora).
Afinal, vou apenas mostrar que aprendi algo com eles... Primeiro eu, depois eu, a seguir eu e depois os outros!
12 de janeiro de 2026
Eu e o meu novo eu
Olá, pessoas giras!
O novo ano ainda agora começou e já vem carregadinho de desafios para pessoas crescidas...
Do lado do quartel, e da formação de bombeiros, veio um "temos que despachar isto e pôr tudo a mexer". Andámos a ter formação todas as noites e a fazer práticas de trauma como se não houvesse amanhã (e sim, fiquei traumatizada e não fui a única, e digam o que disserem mas eu sei que na vida real nada vai funcionar assim). Nem deu tempo para me endireitar dessa sessão de pancada, e já estávamos a mudar o registo para os Incêndios urbanos e andar com as garrafas de ar às costas (aventura que vai a meio e espera-se para a semana uma bela continuação do evento, em Fanhões, dentro de um contentor a arder...).
No meio desta brincadeira, ia ser uma pessoa crescida e fazer voluntariado nas mesas de voto, mas esse objetivo e a respectiva compensação monetária (que eu acho mesmo piada a esta coisa de ser paga para fazer voluntariado, quando comparam esse valor ao que eu efetivamente ganho) morreram na praia.
Eu, uma gaja crescida e com idade para ter juízo, mãe de uma quase jovem de 5 anos, ainda acredito que dá para tudo (só não acredito que não seja preciso fazer escolhas para que isso funcione pelo melhor). E cheguei a uma fase em que não sei se quer o que faz sentido escolher. Zero paciência para aquele que era o meu spot favorito, porque toda a gente acha que tem que andar meio mundo atrás de meio mundo. Zero paciência para pessoas que só querem fofocar (e isso baixa a minha vibração zen). Zero paciência para falar sobre as aventuras no quartel e fazerem me sentir que é algo ofensivo. Zero paciência para pessoas que não fazem por serem felizes mas depois querem vir desequilibrar a minha felicidade.
Posto isto, só me ocorre dizer que o cansaço não é, e nem será nunca, um bom conselheiro. Tenho dores em músculos que já não me lembrava de ter, tenho uma dívida gigante de horas à cama (porque sair para celebrar aniversários e ter que cumprir horários no quartel, não são atividades compatíveis).
MAS...
Há uma esperança gigante que depois da tormenta chegue a calma. Ficam a faltar apenas dois módulos de formação, passam a existir fins de semana mais calmos e o natural encadeamento da vida voltará a existir. Pensamento positivo.
De uma pessoa cansada para o mundo: Boa semana!
5 de janeiro de 2026
Obrigada, 2025!
Olá, 2025!
Obrigada, 2025, por tantas oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal. Avisa o teu seguidor que a fasquia está alta (não são as expectativas porque o ano será o que eu fizer com ele), o meu melhor EU está a ser limado e aperfeiçoado, ele que venha cheio de coragem para me aturar!

