31 de julho de 2026

Outra vez os bombeiros

 Olá, pessoas giras!

O dia de ontem foi bastante intenso, maioritariamente por intervenção nada divina referente ao mundo dos aspirantes a bombeiros, e preciso vir aqui exorcizar e pôr as ideias no sítio.

De manhã, foi partilhada a escala de serviço para os dias da feira e, os estagiários, foram incluídos sem que lhes fosse dado qualquer contexto sobre o serviço, sobre a inclusão na escala e sem que lhes fosse solicitada qualquer disponibilidade. Eu estava em modo laboral e nem vi tal missiva, entretanto, recebi um telefonema de uma colega minha da recruta a destilar veneno sobre o tema (que não podem pôr e dispor da vida das pessoas, que nem sabem se as pessoas têm planos, que não se preocuparam em pedir disponibilidade...) e entrei em modo ventilação, sem paciência, sendo que o único tema que me incomoda mesmo é a forma como as coisas (não) são comunicadas.

Fui para a minha reunião de revisão de desempenho de meio do ano (que ficará toda ela para um só post) e, no final, já tinha mais umas 20 mensagens sobre o tema e o meu sistema nervoso entrou em sobrecarga total. O tema bombeiros é complicado, nós não somos todos iguais, não estamos todos na mesma fase da vida, não temos todas as mesmas aspirações e nem reagimos todos da mesma forma.

Honestamente, estar escalada para o primeiro dia de feira a sério, das 20h de sexta às 8h de sábado, até me pareceu algo bastante fofinho. Eu não sou uma pessoa de manhãs, tinha a sorte de fazer um horário simpático mesmo com as velhotas a desmaiar em modo Tony Carreira. Era despachar o serviço e curtir os restantes dias da feira.

De tarde, caí na asneira de abrir a plataforma da formação (porque é mesmo um hábito meu de vez em quando ir lá ver o estado da nação) e recebi um gigantesco murro no estômago. Fui reprovada na formação de incêndios rurais que ocorreu em Março. Problema: desta vez eu fui capaz de ouvir o meu corpo, aquele revolver do estômago, aquele acelerar do coração, aquele desespero do modo de fuga ativo e as lágrimas a escorrerem pela cara.

Eu tenho, desde sempre, problemas com "não ser perfeita". Aquela pauta algures no 6º ano, com um quatro e o resto tudo cincos ainda hoje me persegue. Aquela sensação de não ser suficiente, ditada por um número, um dia, um momento, sempre foi algo que não soube interpretar. E voltei a sentir isso tudo ontem, mas num contexto mais manhoso e com requintes de malvadez.

Não há mal nenhum em chumbar, eu sei perfeitamente que é uma profissão exigente fisicamente e as circunstâncias da vida naquela altura eram completamente diferentes (estava a terminar uma semana de tratamento com Pylera e restrições alimentares), mal preparada a nível físico. Agora, esperarem até ao final da formação, sabendo que deixava de existir a possibilidade de repetir o módulo noutro sítio e sentirem que era a única forma de me manterem lá para terem o número mínimo de pessoas para levar a formação até ao fim, roça a falta de respeito e de consideração. Nem é frustrada por falhar, é revoltada por nem terem sido capazes de me dizer.

Simultaneamente, aquela sensação de fracasso, em que as mentes pequeninas que frequentaram a formação comigo, para ingressarem nos bombeiros, só com o objetivo de conhecerem mais fauna masculina, seguem em frente. Devia estar muito agradecida, é um favor que me fazem cortar-me as pernas porque eu também não seria capaz de desistir, e se é para ser comparada com este tipo de pessoas mais vale saltar fora. Não tenho perfil para bombeira porque me falta força física e humildade, ok, mas sejam homenzinhos para me assumir isso e me dizer isso na cara.

Boa semana!

23 de julho de 2026

As festas de Fernão Ferro

Olá, pessoas giras!!

Por aqui, toda a vida avança num novo registo.

A música que se ouve numa base diária mudou (entre a música de fundo para foco total no trabalho, as sessões de Reiki em modo ASMR e as músicas da sétima essência a valorizar a mulher, nem sei qual foi a mudança maior).

Uma loira diferente entrou na minha vida. Accionou o meu gatilho "lá vou eu tentar outra vez ter uma amiga mulher para dar asneira daqui a 3 ou 4 semanas" mas dei lhe o benefício da dúvida. Acho que nos conhecemos minimamente no final de Junho, "colámos" no 11 e 12 de Julho, portanto, ainda está tudo dentro do prazo e não tenho desejos de revelar o meu lado besta ou calhau com olhos.

Eu vou ser sempre uma gaja de atos espontâneos e de surpresas simples e básicas, com o chip de quem tem "compromissos" ligado (quer sejam crianças, companheiros, piriquitos ou família), apelei à minha falta de noção e apareci onde não era esperada. [Sempre a viver a velha máxima do "faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti".]

O plano era conhecer um talho e jantar num lugar diferente, quando dei por mim tinham passado 3 horas, nada de jantar, e já tinha gargalhado tanto que a vontade de ir para casa era zero. Acabei na "feira" de Fernão Ferro, o mega acontecimento do ano da cidade.

Pessoas, eu sou de Grândola. Todo e qualquer evento que seja mais pequeno do que o nosso mercado mensal não tem a menor possibilidade de ser considerado uma feira, na loucura, chamem-lhe festa. Qualquer ajuntamento ou celebração pode ser uma festa, mas quem vive a feira de Grândola ganha uma certa incapacidade de chamar feira a qualquer mini evento.

Felizmente, foi uma das melhores festas de sempre (fez lembrar me as festas de Alvaiázere a que fui em tempos muito idos, quando ainda achava que as amizades das tunas - que não a minha - eram para a vida, em que fomos comprar rifas da quermesse, para ganhar o maior recipiente que houvesse para beber cerveja). Aquela magia de ir a um ajuntamento de gente, para comer e beber, com música por todo o lado e, cereja no topo do bolo, ninguém te conhece!

Portanto, foi um lembrete ativo que a feira de Grândola não vai ser fácil para mim, que é melhor começar já a trabalhar no tema, enquanto me permiti ser eu, rir com vontade, observar mais do que falar e conseguir estar comigo (só comigo) sem qualquer tipo de stress ou incómodo.

Mesmo com a viagem de uma hora até casa, para me dedicar ao descanso, fui feliz!
Sejam felizes por aí também!

20 de julho de 2026

Corrida Atlântica 2026

A Ultra Maratona Melides Tróia é épica. São 40 e muitos quilómetros feitos na areia da praia pelos "duros" e os "fortes", aqueles atletas hiper-preparados que enfrentam de ânimo leve qualquer tortura.

A prova Atlântica é aquele "miminho" para quem não quer ficar de fora. Este ano, foram 16km da Comporta a Tróia. Eu fui e cheguei ao fim. Tenho um orgulho gigante por ter ido, por ter feito parte, e por continuar a acreditar em mim.

Se quis bater em quem escolheu este dia, com esta maré, que me fez andar "de lado"!? Sim! Se senti que me saiu do couro e acredito que amanhã nem ando!? Sim! Se estou aqui com cravada em dores e com um sorriso de orelha em orelha!? Também!

Obrigada à família que estrebucha e reclama e que me ajudou a tornar este objetivo em "concluído com sucesso".

Este foi o post que escrevi ontem no Facebook, que relata a minha última aventura, com um mini sabor amargo (só para alimentar o meu lado pessimista, porque não tenho a menor dúvida que é uma sensação sem sentido e sem sustentação).

Há dois anos fiz esta prova, de 15km em 2h15, pouco tempo depois de ter tido uma crise de tensão alta e ter sido diagnosticada com hipertensão. Tive uma parceira incrível que me dizia "se andamos tão rápido como os outros correm, estamos bem", ambas tínhamos medo de correr e esticar a corda, portanto, não conseguimos tirar partido do piso espetacular que tivemos pela frente.

Este ano, embora soubesse à partida que a maré era ruim, e que a prova teria mais um quilómetro, ia com a convicção que me tinha preparado melhor (e preparei, achei que hoje não andava e a minha mobilidade está de volta e já sinto a anca e tudo), e coloquei a expectativa alta demais. Queria fazer a prova em duas horas (16km - 120min - 7:30min por km). Só que... Ninguém me explicou quão ruim é correr de lado e ao fim dos primeiros quatro quilómetros a bacia já parecia toda desencaixada e forçou em excesso todo o que não era suposto. A coach deste ano, mandou-me géis para ir recuperando as forças, o meu cardio nunca foi espetacular mas acompanhou e eu fui traída pela parte em que estava mais segura: as pernas!

Fiz a prova em 2h18, só mais 3 minutos para mais um quilómetro, cheguei ao fim e com um tempo excelente. Aprendi a custo que são as expectativas que nos lixam, queria melhor mas tenho um orgulho gigante porque ter feito orelhas moucas às opiniões do meu pai e da minha irmã. Soube bem fazer a chegada à meta a ouvir: "enganaste-me, achei que só chegavas daqui a meia hora, nem me preparei para a foto".

A prova este ano foi dura, já vi videos e partilhas de atletas bem mais experientes que sentiram o mesmo que eu. Não devia servir de alento, mas a validação nunca fez mal a ninguém e fico ainda mais orgulhosa da minha conquista. Até para o ano e que até lá não me doa nada (excepto o dedo do pé que tem a unha que matei ontem indecisa se caí ou se aguenta firme).

13 de julho de 2026

Leitura, conversa, amor e Ele

Sexta-feira foi dia de experiências novas.

O Universo surpreende nos de formas bastante engraçadas e a vaga para uma consulta alternativa que eu esperava desde quarta-feira à noite, prevista inicialmente para o final de Agosto, caiu-me no colo (um dia e pouco depois).

A Neuza é uma mulher incrível, com um dom muito especial de ver para além desta dimensão e partilhar os ensinamentos que esses contactos lhe proporcionam. Sei bem que com esta capacidade especial vem uma grande responsabilidade e, não só por isso, admiro-a imenso. Estou grata porque os nossos caminhos se cruzaram.

Este momento, foi para falar sobre mim e sobre os meus traumas, para permitir avançar nesta minha caminhada de me conhecer a mim própria e me amar um pouco mais. E acabei a descobrir um amor maior, um amor que inunda o peito de luz para me fazer sentir plena e tranquila (sem falar dos 3 centímetros extra que ganhei para encher quando respiro fundo).

Num instante inicial, fiquei chocada por não ter que esconder o maior trauma da minha vida "o que te aconteceu por volta dos 6/7 anos" e por perceber que as nossas relações anteriores se podem ancorar a nós e sugar parte da nossa essência. Só que a certeza que o avô Chico (da boina), a avó Isabel (baixinha e de óculos) e o tio Amílcar (o brincalhão da motorizada) estão comigo a testemunhar esta jornada, como eu sempre senti, dissipou todas as minhas dúvidas.

É duro ouvir / sentir que "O teu pai ainda está cá? É como se só tivesses mãe, o que aconteceu com vocês?". Quase tão duro como "agora és tu a ovelha negra da família que veio quebrar padrões, para o teu bem e da Catarina". Mas ganho uma convicção redobrada que estou no caminho certo, a fazer o que sinto alinhado comigo e a desbravar uma nova consciência.

Conversei com a minha criança interior e expliquei lhe que ela já pode sentir, expressar-se, fazer asneiras, ser pouco perfeita e dar trabalho, pode brincar sem se encolher para caber e agradar, porque o meu eu adulto está aqui pronto para a proteger. No fundo, ela cresceu e tornou-se uma mulher forte, decidida, próspera e capaz de se sustentar, a si e aos seus (abraçando a família que sou neste momento, eu e a Catarina).

Ao perceber isto, foi altura de assumir que as linhagens de trauma terminam em mim; que os padrões de comportamentos, pensamentos e acções tóxicas têm os dias contados; que aceito, respeito e estou grata por tudo o que veio antes de mim, da minha ancestralidade, e está na hora de deixar ir o que acrescenta pouco valor.

Como se não bastasse, ouvi-la falar das minhas relações sem que eu lhe contasse nada e do percurso que tenho feito para me curar através do outro, fez-me sentir acolhida. Sempre soube que todas as pessoas cruzam a nossa vida por um motivo e tenho uma clareza gigante para identificar esses motivos nas diferentes situações. A minha pessoa ainda está por vir e está tudo bem, há muito trabalho para fazer junto com as que já chegaram.

A caminhada começou tarde, mas tem tem tudo para vingar e ser bem sucedida - só depende de mim!

9 de julho de 2026

Outra noite estrelada


Os puzzles foram desde sempre uma companhia excelente para mim, trazem um silêncio especial e um "desligar" da vida que continua a acontecer lá fora. Como se não bastasse, sempre associei os puzzles a obras de arte pelas quais nutro um carinho especial e isso torna a aventura ainda mais aliciante.

A noite estrelada vai ser sempre uma parte gigante da minha história. Fui com uma amiga a Amesterdão, ao museu do Van Gogh, para descobrir que esta pintura em específico tinha sido oferecida ao Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque. E o que é que nós fizemos!? Planeamos nova viagem para um destino ainda mais brutal.

Este ano, no meu aniversário, a minha filhota foi com o pai escolher uma prenda para mim e diz que assim que viu o puzzle disse logo que sabia que a mãe ia gostar. Não se enganou.

Já não foi a primeira vez que fiz este puzzle. Amo cada detalhe, cada traço, cada pincelada, porque sinto que ao longo dos anos as noites estreladas foram crescendo dentro de mim e iluminando cada pedacinho do meu ser. A primeira versão esteve durante muitos anos pendurada no quarto dessa minha amiga e, entretanto, perdi-lhe o rasto. Desta vez, sinto e sei que vai merecer uma moldura a sério, um quadro por medida. E talvez acabe a iluminar a parede da minha sala.

As noites estreladas fazem-me feliz, lembram-me que nem toda a gente tem a oportunidade de olhar para o céu e sorrir a contar estrelas (grande parte das vezes porque o barulho das luzes não permite). No fundo, estamos todos debaixo do mesmo céu.

3 de julho de 2026

Lista de afirmações

A loira da minha vida pediu-me uma lista de afirmações que eu faço, para mim mesma, quase diariamente, para tentar identifica traumas que possam estar a sustentar ou boicotar esses desejos internos.

Eu não quero um homem que me sustente monetariamente e quero um homem que possa ser o meu ombro emocional (se souber cozinhar ainda melhor).

Vou beber um galão para acordar (continuo sem ver o pequeno-almoço como a primeira refeição do dia e apenas como um empurrão para começar o dia).

Eu posso fazer isto ao final do dia, que é rápido, porque ainda estou meio a dormir.

Eu não me importo de ir ao escritório duas vezes na semana em que não tenho a Catarina comigo, desde que na semana em que ela está comigo vá só uma.

Detesto ter que ir para Lisboa só por causa do trabalho (parece que me esqueço que é lá que tenho as conversas mais genuínas e interessantes).

O David ainda é um problema meu porque eu sou a mais estável a nível emocional / mental.

De cada vez que a Catarina me bate e me dá pontapés, penso que estou a criar uma delinquente e culpo-me só de pensar assim. A regulação emocional ainda é muito difícil (especialmente com cansaço envolvido ou situações em que a tenho que contrariar) e como eu sou a pessoa com quem se sente segura, calha-me a mim.

Eu não preciso que a minha mãe me ajude com as rotinas da Catarina (passar tempo com a neta parece ser das poucas coisas que ela faz com vontade e sem cobrança).

Ser mãe não é para mim, devia ter seguido as minhas convicções.

Eu ainda quero casar outra vez.