25 de maio de 2026

Recharge Weekend

Olá, pessoas giras!

A minha empresa atual, independentemente da saga de abrir entidade em Portugal, tem uma preocupação genuína com os colaboradores e faz anualmente um fim de semana (há quem diga que são dois mas ver para querer) de paragem global para recarregar as energias de todas as equipas.

Portanto, desde quinta-feira que a vida se faz a outro ritmo, ainda que em modo mãe. As prioridades mudaram, a rotina continuou (não me sentia capaz para fazer diferente) mas os planos mudaram totalmente e, entre treinos de preparação para a Corrida Atlântica - Comporta / Tróia, abandonei-me a desacelerar e viver.

Ainda sinto que me dói ser mãe solo, que não tenho a receptividade para os 50 mil quilos de energia que ela tem mas faço o melhor que posso com aquilo que sei e não me posso esquecer disso a cada passo desta caminhada (mesmo quando ela grita histérica que não quer tomar banho ou que os dias com o pai são muito melhores).

Pela primeira vez, combati os meus receios internos e a minha auto-sabotagem e levei a minha filha para passar uma noite fora de casa, só comigo (sem família, sem amigos, sem rede). E adorei! Vai ser sempre difícil conciliar horários e fazer viagens de carro sem que ela adormeça e o fuso horário fique desajustado, mas com convicção tudo se consegue. E aquela alegria genuína que ela demonstrou quando entrou no quarto de hotel (porque pelos vistos ir para um hotel era uma cena do outro mundo) não tem preço. "Mãe, mãe, há roupões com chinelos!!" vai ser uma frase histórica.

A verdade é que: nada na vida acontece sem um motivo! 

Foi a primeira vez que nós fomos convidadas para uma benção / queima das fitas e nada me podia deixar mais orgulhosa do que fazer parte dum dia assim. Foram necessários carradas de anos, terapia no lombo e uma mini "me" para me aperceber que as crianças com quem me cruzei na vida foram sempre um reflexo dos pais, de formas mais ou menos rebuscadas.

A Pipoca vai ser sempre alguém muito especial para mim, ainda que eu tenha pensado que em determinada altura competíamos as duas por atenção (agora sei bem que vamos sempre competir por aquela atenção, não eu nem ela...). Tenho um orgulho gigante na mulher que ela se está a tornar, no meio da nossa família bipolar, e amo aquela garra e aquela vida que ela carrega. Sei bem que o percurso formativo dela ainda está longe de terminar, mesmo que queira trabalhar enquanto estuda, porque quem bota os pés na tuna durante a vida académica, sabe que há uma linha diferente que se cruza.


Obrigada por me teres levado a tirar a capa da embalagem de vácuo (está tão ralinha que quase se desfez durante este fim de semana, mas já só precisa voltar ver a luz do dia daqui a uns 16 anos, hihihihi), obrigada por teres dado asas à música que existe dentro de ti e teres encontrado na NostraTuna o teu lugar, obrigada por perceberes que temos isto em comum e que é bom 😘

Boa semana!

7 de maio de 2026

Sinal de alerta

Há momentos, durante o meu dia à dia, em que vejo as nuances da vida com uma nitidez assustadora e não sei o que fazer com isso.

Gosto de pensar que estou brutalmente melhor, em termos de saúde mental, mas depois lá vem mais um ou outro evento que me atira ao chão e questiono todas as perseguições do mundo (inclusive a da minha própria sombra). E a parte estúpida é conseguir identificar os stresses e os gatilhos e continuar sem fazer nada de muito diferente.

Trocado por miúdos... Há já muito tempo que identifiquei o meu padrão de procrastinação, o meu medo de não conseguir realizar uma tarefa e que me paralisa até ao último minuto. Aquele pânico de falhar, aquele receio que descubram que não sou tão boa como eles pensam, aquele desespero de querer produzir tudo perfeito... Portanto, como sei que a única forma de combater isso é ter prazos mais curtos, envolvi a minha chefinha e pedi "vamo-nos comprometer só as duas?".

Neste momento, tenho um compromisso de fazer entregas semanais daquilo que desenvolvo, ou exploro, e [Surpresa, das surpresas!] faltava uma hora para a reunião de apresentação acontecer quando comecei a pegar no assunto. Não é preciso ser um génio para saber que isto não faz nada bem!

Produzi durante uma hora sem interrupções, sem me lembrar que o telemóvel existe, com todas as notificações do mundo desligadas. Fiz um progresso gigante no projeto que ando a arrastar há meses, só por medo, e ainda recebi um "excelente trabalho". Qual é mesmo a necessidade de chegar a este ponto?

Se eu não acreditasse tão afincadamente que vou morrer num acidente de automóvel, lá muito mais para a frente na vida (estás a ouvir Universo?), diria que o esgotamento me iria derrubar sem dó nem piedade e que seria de caixão à cova. Não há cérebro nenhum, nem coração, que aguente a funcionar assim por muito tempo.

5 de maio de 2026

Celebrações

Olá, pessoas giras!

Estou de volta para celebrar a minha nova entidade patronal, na função número 16. Parece que afinal uma pessoa manifestar a sua opinião e mostrar o seu descontentamento ainda tem algum valor e o contrato lá foi alterado para assegurar os nossos direitos atuais.

Sempre fui defensora de empresas que abrem entidade em Portugal para proporcionar aos seus trabalhadores o mesmo tipo de direitos e regalias que os colegas da empresa de origem têm, portanto, nada como fazer a empresa crescer com a camisola certa vestida (não se enganem, não vesti camisola nenhuma que não a minha e dos meus interesses).

Simultaneamente, celebro a primeira viagem na Europa, desde que fui a Berlim ver a Pink (em 2019!), e o regresso foi feito em caminhadas por Barcelona. Perguntaram-me se soube a pouco e dei por mim, estranhamente, a dizer que não. Também me perguntaram qual tinha sido o ponto alto da viagem e, de tantas gargalhadas genuínas no meio da rua, com duas almas que dificilmente se alinham para sair de casa, foi difícil escolher. Amei viver e experienciar La Boqueria, não me recordo de ter estado por lá nas anteriores passagens por Barcelona, certamente não o vivi da mesma forma, portanto, valeu a pena. A cidade está toda esburacada e há obras por todo o lado, para além das infindáveis na Sagrada Família, mas o saldo foi positivo.

Próxima etapa: primeira viagem sozinha fora do país. Este desejo faz parte do plano Cuidar mais do "Eu" 2026, definido em paralelo com um existente no Cadaval, e é daqueles que podem ser publicamente partilhados, mas é também aquele que me deixa mais apreensiva. Tenho medo de não querer correr o risco, medo de me sentir brutalmente só (nota mental para mim própria, alinhar esta viagem com as semanas certas do meu período).

Boa semana!