Há momentos, durante o meu dia à dia, em que vejo as nuances da vida com uma nitidez assustadora e não sei o que fazer com isso.
Gosto de pensar que estou brutalmente melhor, em termos de saúde mental, mas depois lá vem mais um ou outro evento que me atira ao chão e questiono todas as perseguições do mundo (inclusive a da minha própria sombra). E a parte estúpida é conseguir identificar os stresses e os gatilhos e continuar sem fazer nada de muito diferente.
Trocado por miúdos... Há já muito tempo que identifiquei o meu padrão de procrastinação, o meu medo de não conseguir realizar uma tarefa e que me paralisa até ao último minuto. Aquele pânico de falhar, aquele receio que descubram que não sou tão boa como eles pensam, aquele desespero de querer produzir tudo perfeito... Portanto, como sei que a única forma de combater isso é ter prazos mais curtos, envolvi a minha chefinha e pedi "vamo-nos comprometer só as duas?".
Neste momento, tenho um compromisso de fazer entregas semanais daquilo que desenvolvo, ou exploro, e [Surpresa, das surpresas!] faltava uma hora para a reunião de apresentação acontecer quando comecei a pegar no assunto. Não é preciso ser um génio para saber que isto não faz nada bem!
Produzi durante uma hora sem interrupções, sem me lembrar que o telemóvel existe, com todas as notificações do mundo desligadas. Fiz um progresso gigante no projeto que ando a arrastar há meses, só por medo, e ainda recebi um "excelente trabalho". Qual é mesmo a necessidade de chegar a este ponto?
Se eu não acreditasse tão afincadamente que vou morrer num acidente de automóvel, lá muito mais para a frente na vida (estás a ouvir Universo?), diria que o esgotamento me iria derrubar sem dó nem piedade e que seria de caixão à cova. Não há cérebro nenhum, nem coração, que aguente a funcionar assim por muito tempo.