Raiz: sob-ativo (-19%)
Sacro: aberto (38%)
Umbilical: sob-ativo (-12%)
Cardíaco: aberto (31%)
Laríngeo: aberto (12%)
Terceiro Olho: aberto (12%)
Coronário: sob-ativo (-6%)
Para mais tarde recordar... Daqui.
Há lugar para todas as maluqueiras...
Olá, pessoas giras!
De manhã, foi partilhada a escala de serviço para os dias da feira e, os estagiários, foram incluídos sem que lhes fosse dado qualquer contexto sobre o serviço, sobre a inclusão na escala e sem que lhes fosse solicitada qualquer disponibilidade. Eu estava em modo laboral e nem vi tal missiva, entretanto, recebi um telefonema de uma colega minha da recruta a destilar veneno sobre o tema (que não podem pôr e dispor da vida das pessoas, que nem sabem se as pessoas têm planos, que não se preocuparam em pedir disponibilidade...) e entrei em modo ventilação, sem paciência, sendo que o único tema que me incomoda mesmo é a forma como as coisas (não) são comunicadas.
Fui para a minha reunião de revisão de desempenho de meio do ano (que ficará toda ela para um só post) e, no final, já tinha mais umas 20 mensagens sobre o tema e o meu sistema nervoso entrou em sobrecarga total. O tema bombeiros é complicado, nós não somos todos iguais, não estamos todos na mesma fase da vida, não temos todas as mesmas aspirações e nem reagimos todos da mesma forma.
Honestamente, estar escalada para o primeiro dia de feira a sério, das 20h de sexta às 8h de sábado, até me pareceu algo bastante fofinho. Eu não sou uma pessoa de manhãs, tinha a sorte de fazer um horário simpático mesmo com as velhotas a desmaiar em modo Tony Carreira. Era despachar o serviço e curtir os restantes dias da feira.
De tarde, caí na asneira de abrir a plataforma da formação (porque é mesmo um hábito meu de vez em quando ir lá ver o estado da nação) e recebi um gigantesco murro no estômago. Fui reprovada na formação de incêndios rurais que ocorreu em Março. Problema: desta vez eu fui capaz de ouvir o meu corpo, aquele revolver do estômago, aquele acelerar do coração, aquele desespero do modo de fuga ativo e as lágrimas a escorrerem pela cara.
Eu tenho, desde sempre, problemas com "não ser perfeita". Aquela pauta algures no 6º ano, com um quatro e o resto tudo cincos ainda hoje me persegue. Aquela sensação de não ser suficiente, ditada por um número, um dia, um momento, sempre foi algo que não soube interpretar. E voltei a sentir isso tudo ontem, mas num contexto mais manhoso e com requintes de malvadez.
Não há mal nenhum em chumbar, eu sei perfeitamente que é uma profissão exigente fisicamente e as circunstâncias da vida naquela altura eram completamente diferentes (estava a terminar uma semana de tratamento com Pylera e restrições alimentares), mal preparada a nível físico. Agora, esperarem até ao final da formação, sabendo que deixava de existir a possibilidade de repetir o módulo noutro sítio e sentirem que era a única forma de me manterem lá para terem o número mínimo de pessoas para levar a formação até ao fim, roça a falta de respeito e de consideração. Nem é frustrada por falhar, é revoltada por nem terem sido capazes de me dizer.
Simultaneamente, aquela sensação de fracasso, em que as mentes pequeninas que frequentaram a formação comigo, para ingressarem nos bombeiros, só com o objetivo de conhecerem mais fauna masculina, seguem em frente. Devia estar muito agradecida, é um favor que me fazem cortar-me as pernas porque eu também não seria capaz de desistir, e se é para ser comparada com este tipo de pessoas mais vale saltar fora. Não tenho perfil para bombeira porque me falta força física e humildade, ok, mas sejam homenzinhos para me assumir isso e me dizer isso na cara.
Boa semana!
Olá, pessoas giras!!
Uma loira diferente entrou na minha vida. Accionou o meu gatilho "lá vou eu tentar outra vez ter uma amiga mulher para dar asneira daqui a 3 ou 4 semanas" mas dei lhe o benefício da dúvida. Acho que nos conhecemos minimamente no final de Junho, "colámos" no 11 e 12 de Julho, portanto, ainda está tudo dentro do prazo e não tenho desejos de revelar o meu lado besta ou calhau com olhos.
Eu vou ser sempre uma gaja de atos espontâneos e de surpresas simples e básicas, com o chip de quem tem "compromissos" ligado (quer sejam crianças, companheiros, piriquitos ou família), apelei à minha falta de noção e apareci onde não era esperada. [Sempre a viver a velha máxima do "faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti".]
O plano era conhecer um talho e jantar num lugar diferente, quando dei por mim tinham passado 3 horas, nada de jantar, e já tinha gargalhado tanto que a vontade de ir para casa era zero. Acabei na "feira" de Fernão Ferro, o mega acontecimento do ano da cidade.
Pessoas, eu sou de Grândola. Todo e qualquer evento que seja mais pequeno do que o nosso mercado mensal não tem a menor possibilidade de ser considerado uma feira, na loucura, chamem-lhe festa. Qualquer ajuntamento ou celebração pode ser uma festa, mas quem vive a feira de Grândola ganha uma certa incapacidade de chamar feira a qualquer mini evento.
Felizmente, foi uma das melhores festas de sempre (fez lembrar me as festas de Alvaiázere a que fui em tempos muito idos, quando ainda achava que as amizades das tunas - que não a minha - eram para a vida, em que fomos comprar rifas da quermesse, para ganhar o maior recipiente que houvesse para beber cerveja). Aquela magia de ir a um ajuntamento de gente, para comer e beber, com música por todo o lado e, cereja no topo do bolo, ninguém te conhece!
Portanto, foi um lembrete ativo que a feira de Grândola não vai ser fácil para mim, que é melhor começar já a trabalhar no tema, enquanto me permiti ser eu, rir com vontade, observar mais do que falar e conseguir estar comigo (só comigo) sem qualquer tipo de stress ou incómodo.
Mesmo com a viagem de uma hora até casa, para me dedicar ao descanso, fui feliz!
Sejam felizes por aí também!
A loira da minha vida pediu-me uma lista de afirmações que eu faço, para mim mesma, quase diariamente, para tentar identifica traumas que possam estar a sustentar ou boicotar esses desejos internos.
Eu não quero um homem que me sustente monetariamente e quero um homem que possa ser o meu ombro emocional (se souber cozinhar ainda melhor).
Vou beber um galão para acordar (continuo sem ver o pequeno-almoço como a primeira refeição do dia e apenas como um empurrão para começar o dia).
Eu posso fazer isto ao final do dia, que é rápido, porque ainda estou meio a dormir.
Eu não me importo de ir ao escritório duas vezes na semana em que não tenho a Catarina comigo, desde que na semana em que ela está comigo vá só uma.
Detesto ter que ir para Lisboa só por causa do trabalho (parece que me esqueço que é lá que tenho as conversas mais genuínas e interessantes).
O David ainda é um problema meu porque eu sou a mais estável a nível emocional / mental.
De cada vez que a Catarina me bate e me dá pontapés, penso que estou a criar uma delinquente e culpo-me só de pensar assim. A regulação emocional ainda é muito difícil (especialmente com cansaço envolvido ou situações em que a tenho que contrariar) e como eu sou a pessoa com quem se sente segura, calha-me a mim.
Eu não preciso que a minha mãe me ajude com as rotinas da Catarina (passar tempo com a neta parece ser das poucas coisas que ela faz com vontade e sem cobrança).
Ser mãe não é para mim, devia ter seguido as minhas convicções.
Eu ainda quero casar outra vez.
Olá, pessoas giras!
A minha veia de interesse político ainda não tinha despertado e, depois de meses, que me pareciam intermináveis, de debates, de anúncios, de tempo de antena dedicado (e sem capacidade de exercer o meu direito de simplesmente abandonar a televisão nacional), eis que surgia uma lufada de ar fresco, aquele dia espetacular em que não era permitida campanha.
Ainda hoje, sinto que a melhor fase das diferentes aventuras em que uma pessoa se envolve é a reflexão. Aquele reflexão em jeito de "apesar de tudo fez sentido" ou "porque é que me andei a enganar a mim mesma".
Por aqui, o dia da reflexão são todos! Ou não fosse eu conhecida brutalmente por ser alguém que pensa demais. Portanto, sentem se de forma confortável, apertem os cintos, mantenham a calma e em caso de emergência liguem o 112.
O curso de instrução inicial para bombeiro está longe de estar terminado mas iniciou-se agora uma nova fase. Concluímos os seis módulos de formação e passámos à fase de estágio. Cada um dos módulos teve a sua fase de alucinação e loucura.
Os dois primeiros foram bastante interessantes (organização do serviço de bombeiros e tecnologias de base na atividade de bombeiros), maioritariamente teóricos e conseguiram despertar o interesse. As técnicas de socorrismo e tripulante de ambulância de transporte abriram horizontes para todo um novo mundo, mas ficou aquela sensação de "quando é que começa mesmo a formação", porque não há tempo para tudo, os conceitos são abordados por alto, as técnicas de avaliação não são colocadas em prática e o foco vai para o processo de reanimação, que é o único que nós esperamos nunca precisar. No nosso caso, seguiu-se a extinção de incêndios urbanos. E, não sei se por toda a polémica e drama envolvida, se pela intensidade e exigência física, nesta altura quis mandar tudo às urtigas (a minha resiliência para coisas que eu não tenho mesmo necessidade de aturar morreu na praia). O módulo de extinção de incêndios florestais, de que tanto ouvi críticas, tornou-se o meu favorito, porque aprendemos a extinguir o fogo com material de sapador e a trabalhar o rescaldo para evitar reacendimentos e, embora tenha que admitir que não é fácil andar de pá e ancinho às costas, a vontade de fazer acontecer e o espírito de equipa fizeram toda a diferença. E, como não podiam ser tudo rosas, o salvamento e desencarceramento veio dar cabo disto tudo. Eu sei que a teoria do "treino difícil, combate fácil" é muito gira mas eu já não tenho 20 anos para andar com 20 quilos de material às costas e achar piada quando quase paro de respirar (e se não fosse o meu futuro padrinho a aparecer por lá e fazer me acreditar que não sou assim tão parvinha, tinha sido o dia de deixar lá a tralha toda - até porque já anda sempre na mala do carro).
Simultaneamente, este fim de semana marcou o início do meu serviço de brigada de aeródromo, aquela malta fofinha que dá apoio ao centro de meio aéreos de cada vez que um helicóptero decola para fazer serviço. E todo um novo mundo sobre o que é estar de serviço no quartel se revelou (e isto sim, precisa de reflexão adequada).
Por agora, continuo a acreditar na missão dos bombeiros, e continuo a acreditar que se der um dia ou dois de disponibilidade por mês posso fazer a diferença na vida de por quem lá anda (que são sempre os mesmos e podem aproveitar uma folga extra). Sem decisões tomadas, sem grandes filosofias e ainda com vontade de mudar o mundo.
Boa semana!