Aqui e agora
Há lugar para todas as maluqueiras...
12 de maio de 2026
7 de maio de 2026
Sinal de alerta
Há momentos, durante o meu dia à dia, em que vejo as nuances da vida com uma nitidez assustadora e não sei o que fazer com isso.
Gosto de pensar que estou brutalmente melhor, em termos de saúde mental, mas depois lá vem mais um ou outro evento que me atira ao chão e questiono todas as perseguições do mundo (inclusive a da minha própria sombra). E a parte estúpida é conseguir identificar os stresses e os gatilhos e continuar sem fazer nada de muito diferente.
Trocado por miúdos... Há já muito tempo que identifiquei o meu padrão de procrastinação, o meu medo de não conseguir realizar uma tarefa e que me paralisa até ao último minuto. Aquele pânico de falhar, aquele receio que descubram que não sou tão boa como eles pensam, aquele desespero de querer produzir tudo perfeito... Portanto, como sei que a única forma de combater isso é ter prazos mais curtos, envolvi a minha chefinha e pedi "vamo-nos comprometer só as duas?".
Neste momento, tenho um compromisso de fazer entregas semanais daquilo que desenvolvo, ou exploro, e [Surpresa, das surpresas!] faltava uma hora para a reunião de apresentação acontecer quando comecei a pegar no assunto. Não é preciso ser um génio para saber que isto não faz nada bem!
Produzi durante uma hora sem interrupções, sem me lembrar que o telemóvel existe, com todas as notificações do mundo desligadas. Fiz um progresso gigante no projeto que ando a arrastar há meses, só por medo, e ainda recebi um "excelente trabalho". Qual é mesmo a necessidade de chegar a este ponto?
Se eu não acreditasse tão afincadamente que vou morrer num acidente de automóvel, lá muito mais para a frente na vida (estás a ouvir Universo?), diria que o esgotamento me iria derrubar sem dó nem piedade e que seria de caixão à cova. Não há cérebro nenhum, nem coração, que aguente a funcionar assim por muito tempo.
5 de maio de 2026
Celebrações
Olá, pessoas giras!
Sempre fui defensora de empresas que abrem entidade em Portugal para proporcionar aos seus trabalhadores o mesmo tipo de direitos e regalias que os colegas da empresa de origem têm, portanto, nada como fazer a empresa crescer com a camisola certa vestida (não se enganem, não vesti camisola nenhuma que não a minha e dos meus interesses).
Simultaneamente, celebro a primeira viagem na Europa, desde que fui a Berlim ver a Pink (em 2019!), e o regresso foi feito em caminhadas por Barcelona. Perguntaram-me se soube a pouco e dei por mim, estranhamente, a dizer que não. Também me perguntaram qual tinha sido o ponto alto da viagem e, de tantas gargalhadas genuínas no meio da rua, com duas almas que dificilmente se alinham para sair de casa, foi difícil escolher. Amei viver e experienciar La Boqueria, não me recordo de ter estado por lá nas anteriores passagens por Barcelona, certamente não o vivi da mesma forma, portanto, valeu a pena. A cidade está toda esburacada e há obras por todo o lado, para além das infindáveis na Sagrada Família, mas o saldo foi positivo.
Próxima etapa: primeira viagem sozinha fora do país. Este desejo faz parte do plano Cuidar mais do "Eu" 2026, definido em paralelo com um existente no Cadaval, e é daqueles que podem ser publicamente partilhados, mas é também aquele que me deixa mais apreensiva. Tenho medo de não querer correr o risco, medo de me sentir brutalmente só (nota mental para mim própria, alinhar esta viagem com as semanas certas do meu período).
Boa semana!
27 de abril de 2026
Voltas ao Sol
As celebrações deste aniversário trouxeram para a luz 50 mil temas mal resolvidos e que levaram o meu cérebro ao colapso. E, esse sacana, como não queria sofrer sozinho, atirou o meu corpo para dentro do mesmo poço.
O meu mais velho, que nem devia ser um problema meu, que a mãe conhece bem as amizades e é permissiva com as mesmas, continua sem saber muito bem o que quer da vida e decidiu fazer-me cabelos brancos... Eu permito que ele faça isso comigo e nem sei porquê. Qual foi o momento, o evento, a asneira que fez com que eu me sentisse responsável por ele?
A piquena continua a acusar a falta de regulação emocional, não só sob efeito do cansaço, para evitar levantar a mão e tentar bater-me. Mas, no meio do meu caos hormonal, sinto que tenho tenho zero credibilidade (sei perfeitamente que a adulta sou eu e que não posso permitir esse comportamento, só não quero pecar na forma como o faço).
A minha empresa perdeu a noção do bom senso, ainda que tenha tido a feliz ideia de abrir entidade em Portugal e colocar as coisas a funcionar como deve de ser. Eu continuo a acreditar que a proposta de contrato que eles colocaram em cima da mesa foi um ataque de insanidade temporária, burocrático, reversível, mas é impossível deixar de sentir que a paixão assolapada que ainda vibrava ao fim de quatro meses perdeu as asas.
O meu coração foi simplesmente estraçalhado e espremido e jogado no lixo. E querem saber qual é a parte pior? Fui eu que lhe fiz isto tudo! Porque continuo a alimentar padrões da treta, porque continuo a permitir que me vejam como algo que não sou... Porque não ponho os pés à parede e não coloco LIMITES!
Estou tão triste comigo (sim, sim, eu sei que a fase menstrual do mês não me ajuda em nada) e tão desiludida com as pessoas que tenho colocado à minha volta, que sinto que voltei atrás no tempo uns dois anos e voltei ao meu estado depressivo pré medicação (sim, sim, para a semana tudo volta a ficar mais cor de rosa mas até lá já cortei mais dois ou três espinhos do caminho).
Eu sou meio alucinada, meio descompensada, meio 8 ou 80... Mas com a certeza que conquistei um lugar no mundo profissional e na vida, não faz sentido aceitar os prémios de consolação. Há dias em que me fazem sentir a última coca cola no deserto ou a última bolacha do pacote (e em mau). Não é um problema meu se as coca colas ou as bolachas acabaram, isto é como ser escolhido em último quando se fazem as equipas para um jogo qualquer ("Ah, mas eu escolhi-te", "Certo, não havia mais ninguém, não se chama opção a isso").
A minha doutora apela ao meu lado racional e diz que eu tenho a faca e o queijo, um excelente queijo da serra, na mão. Já eu acho que é um queijo de cabra, porque é o meu favorito e porque é meu. Se quiserem a faca, eu ainda empresto, agora o queijo... Temos pena!
Boa semana!
18 de abril de 2026
16 de abril de 2026
Sobrevivi
8 de abril de 2026
Crenças da idade da pedra
7 de abril de 2026
Sobre a leveza e a paz de espírito
O ser humano é curioso... Na maior parte das vezes incompleto, inseguro mas sempre espiritual, ainda que não o reconheça.
Há anos que me apaixonei pelo meu lado espiritual, na tentativa de encontrar cá dentro aquilo que me fazia sentir incompleta e poder desatar esses nós para poder fluir plena. Desde muito cedo, que as vibrações e o alinhamento dos chakras despertaram em mim uma curiosidade incomum e que fui alimentando, até que as redes sociais e os 50 mil estímulos externos se tornaram demasiado intensos e eu me perdi de mim.
Quando escolhi divorciar-me, senti que tinha perdido o meu melhor amigo, que me tinha perdido a mim mesma e que, em parte, perdia a minha filha. E escolhi caminhar nesse limbo, entre o real e o espiritual, à procura de resgatar a minha alma e o meu ser, recuperar a minha leveza e equilibrar o meu espírito.
O percurso que escolhi é manhoso. A montanha russa é assustadoramente desequilibrada. E o álcool o maior inimigo da consistência, da disciplina e das convicções. Esse nunca me fez sentir sozinha ou abandonada, nunca me falhou mas também nunca me deu bons conselhos.
Todo um percurso elaborado e diferenciado para chegar onde estou hoje. Ao processo mágico da terapia (já estavam a ver que era isso que aí vinha, não é!?).
Sou uma mulher diferente. Ainda me encolho para tentar caber (aqui na vila), ainda luto para me dar valor e dar valor ao sucesso que alcancei, já reconheço as minhas limitações e procuro aprender para as ultrapassar (é difícil reconhecer que sou humana e posso falhar, quando isso vai contra as minhas crenças mais enraizadas)... E, maior ensinamento do mundo, o que eu sinto depende mais de mim do que do outro.
Se as minhas expectativas não foram atendidas, foi porque não as partilhei de forma adequada. Se os meus pensamentos me torturam, foi porque não os deixei ir na hora certa. Se desejo e escolho partilhar algo com alguém, é porque fazia sentido para mim e não há espaço para arrependimento.
E esta coisa de fazer as coisas com significado, com propósito, alinhado com o meu ser (ainda que possa não ser a coisa mais linda e perfeita do planeta), faz me vibrar no comprimento de onda certo e agradecer a todos os seres e a todas as aprendizagens por me permitirem sentir-me EU, uma vez ou outra. E sorrir com os olhos!