20 de março de 2026

"There is a lot on my mind"

Olá, pessoas giras!

Sem que eu saiba bem como, voltei a ver o "Love is blind". Um daqueles programas televisivos de realidade, em que as pessoas se conhecem e se apaixonam sem nunca se verem e depois... A vida real cai-lhes em cima.

A fórmula é simples e básica, não dá que pensar... Mas, tal como em quase tudo, aquela montanha russa, em que todos começam super resolvidos e super apaixonados e, no fim, estão todos mais ou menos sem saber para que lado se virar, pode ressoar com os nossos medos menos bem resolvidos e não há como desligar.

Eu queria muito ser uma pessoa capaz que sente zero necessidade de ter alguém do lado mas, ainda que não tenha sido da melhor forma, habituei-me, ao longo dos anos, a ter com quem partilhar a vida e estou a ter uma dificuldade gigante em contrariar isso.

Não estou a dizer que naveguei de um namorado para o outro (até porque mais de metade das minhas relações foram vividas às escondidas), só que sempre houve alguém na minha vida. As amigas da tuna, as colegas de casa, as companhias de maluqueira, uma amizade mais próxima, um colega de trabalho mais disponível, um grupo pronto para ouvir desabafos... E, aqui e agora, as minhas relações parecem todas mais frias e distantes. Portanto, sinto que os desabafos e as verbalizações me fazem falta.

O sentimento de pertença sempre foi algo muito difícil de alcançar, para mim. Sempre andei meio perdida por me sentir diferente (valores diferentes, conceito de justiça brutalmente enraizado, auto estima inexistente) e a rede de suporte que deveria ter tornou-se sempre demasiado fina.

Problema: Eu não quero ter que me "diminuir" para caber, não quero ter que fingir ser quem não sou, não quero ter que usar uma máscara e, muito menos, quero depender de alguém para me moldar nesse sentido.

E tudo isto veio com a mudança de vida... Não foi só a maternidade, não foi só a mudança para a vila, não foi só o divórcio. Foi um "quero muito encontrar uma tangerina aqui na terra dos alhos chochos e não me contento com menos que isso". O que me choca e me irrita porque é, simultaneamente, uma constatação dura (Sou uma fortalhaça e não preciso de ninguém, então porque continuo à procura!?) e também uma tarefa quase impossível (As tangerinas têm zero paciência para lidar com alhos, como é que vão frequentar os mesmos espaços que eu!?).

Não se preocupem, podia ter-me dado para pior. Estou naquela fase da vida em que assumo uma relação de dependência, com a minha Princesa. e tento perceber se preciso mesmo de mais do que isso.

Boa semana!

5 de março de 2026

Atualização de 2026

Olá, pessoas giras!!

Já faz um tempo que não passo por aqui, tenho andado "entalada" com essa coisa linda e maravilhosa que se apelida de vida e, como a minha só tem um modo ativo, não tenho parado. Portanto, hoje é dia de atualizações.

A vida profissional levou um reforço de confiança, tenho andado numa tentativa louca de manter o foco e só me recompensar quando efetivamente registo progresso. Entretanto, a minha empresa ficou louca com a possibilidade de ter dois bilhetes para o Web Summit a preços mega low cost e, sorte ou azar, este ano estarei por lá (sem pedinchar e sem implorar, nem sei se estava preparada para isto).

A saúde, essa magana, anda sempre a trocar-me as voltas e tive que abraçar o segundo tratamento para a minha bactéria fofinha do estômago. Só que esta aventura já não foi tão simpática como a anterior... 10 dias de antibiótico, racionado em 3 comprimidos 4 vezes ao dia, com restrições alimentares (Como é que se vive sem café!? E sem chocolate!? E, pasmem-se, estou ansiosa por voltar a beber um galão quentinho!) e todos os efeitos secundários possíveis de imaginar: náuseas, vómitos, dores de cabeça (e sem a garantia que os meus auxiliares de não-vamos-matar-ninguém-hoje e vamos-lá-desligar-para-a-vida estão a ser absorvidos devidamente). Felizmente, a saga chegou ao fim e, amanhã, vou fazer uma festa de productos lácteos (que eu tenho saudades gigantes de uma pizza com queijo - e eu nem gosto de queijo!).

Entretanto, dei um jeito estranho nas costas e pareço uma velhinha entrevada, com o requinte de malvadez que sou uma velhinha entrevada, muito senhora de si e das suas dores, que vai todos os dias a casa dos pais só para que a mamã lhe coloque creme nas costas (pior que isto, nesta fase da vida, não deve dar).

O meu miminho de 12000 peças de Outubro já está assim 😍


Dos jogos do meu telemóvel já só resta um, tudo o resto foi desinstalado. [E era agora que se ouviam os foguetes e os aplausos e os gritos de alegria.] Se há algo que eu sempre tive a certeza é que tudo na vida são escolhas, e nem sempre fazemos as escolhas erradas por desconhecimento de causa. Eu, pessoa crescida, maior de idade e com as vacinas em dia, tenho uma tendência gigante para saber que o caminho não por ali e seguir na mesma, mas é algo consciente, é uma escolha madura de quem sabe que vai arcar com as consequências.

A vida de Sra. Bombeira não é para mim! E esta é uma daquelas conclusões dolorosas (e das difíceis de assumir em pleno). No dia em que recebi a nota da formação de urbanos, e tendo em conta que sou de matemática, aquele 12.40 soube a reprovação e veio carregado de frustração com a qual (ainda) não sei lidar, significa que na parte prática eles me deram o 10 só porque não queriam chumbar ninguém. Isto em cima de uns dias de interações estúpidas e sem sentido, só podia ter uma reacção: asneira! Eu acredito em mim e acredito no meu valor e acredito que um bombeiro não tem que ser excelente em todas as vertentes (muito menos, ser um bombeiro teórico e na prática não conseguir acompanhar), como eu não sei ser medíocre ou suficiente e entregar serviço deste nível corrói-me. Mas decidi que não quero abdicar da formação (nem da bóina) e vou fazer um esforço, agora maior, de chegar ao fim. Sim, estou louca, mas no meio daquela gente toda, nem se nota 😜

Em termos de atualizações, só falta mencionar que existe um plano "cuidar mais do meu eu" a desenrolar-se (em simultâneo, com o plano igual a este que decorre no Cadaval), que é de rir e chorar por mais. É uma iniciativa diferenciada que inclui desde roupa nova, a planos de treino e objetivos de viagem, com a nuance espetacular de incluir bilhetes para um concerto, em 2027, que já se encontra esgotado, e promete resultados promissores ao recordar que as pessoas não estão ao virar da esquina, estão dentro de nós.

Bom fim de semana!

29 de janeiro de 2026

Mãe vs Profissional

Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, para ela, isso significava ter todo o tempo para ouvir as pessoas que fosse gerir, tomar decisões e orientar processos e, depois de mandar as suas pessoas para o aconchego do lar, ter tempo para pôr a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Essa miúda cresceu e foi para o mundo real, corporativo, e os primeiros exemplos de chefia que teve eram um misto disso mesmo: homens atarefados em reuniões e a tomar decisões, que chegavam ao fim do dia com o trabalho por fazer, mas conseguiam orientar tudo quando ficavam sozinhos na empresa, uma ou duas horas depois de toda a gente ter dado o dia como terminado. Talvez por isso, o sonho dessa miúda de gerir pessoas morreu, mas a certeza que não é preciso ser chefe de ninguém para se ser bem sucedido continuou.

Durante o dia, na vida profissional que eu conheço (leia-se "na minha área"), as exigências são imensas. Os pedidos surgem de todos os lados, quase sempre sem que haja visibilidade sobre os mesmos, e a definição de prioridades é essencial. O dia-a-dia é passado em lufa lufa, em reuniões e em busca de respostas, que resolvem problemas do imediato mas não acrescentam valor nenhum e fazem com que os verdadeiros desafios de valor acrescentado fiquem em espera. E, por isso, uma hora de trabalho, depois de toda a gente se desligar, vale ouro.

Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, como tal, não queria ser mãe, porque sabia que as tais horas de trabalho, depois de toda a gente se desligar, iriam desaparecer. Essa miúda, a determinada altura, ouviu o relógio biológico dizer "ou és mãe agora ou já não és" e falou com o seu companheiro "não há nenhuma forma de, no primeiro ano, eu ser pai e tu seres mãe, mas se vamos fazer isto acontecer, quando eu voltar ao trabalho, tu vais fazer o papel de mãe (sair mais cedo do trabalho, ir buscar a criança à escola e orientar as coisas para o jantar) e eu vou fazer o papel de pai (trabalhar até tarde, pôr dinheiro em casa e dar banho à criancinha)". E foi com base neste pressuposto que nasceu uma Princesa linda de morrer, com um sorriso fofuchinho capaz de derreter até o calhau com olhos mais convicto.

A vida pregou uma partida a esta miúda (tal como a tantas outras) e a gigantesca mudança de vida que acontece com a chegada de um bebé ao mundo, veio rodeada por uma pandemia à escala mundial. Se pais e mãe batalham em descobrir os seus novos papéis, nesta nova fase da vida, quando têm todo o apoio do mundo e os amigos e família podem dar uma ajudinha, quando esse apoio não existe a coisa intensifica-se.

As crenças do que significa ser pai e ser mãe e da forma como fomos criados andam à flor da pele, a incerteza de que estamos a fazer um bom trabalho mina o nosso cérebro e tudo se torna mais difícil (porque pessoas cansadas nunca tomam as melhores decisões).

A miúda gira deu por si com uma criança no colo e um companheiro com crises de ansiedade, ao ponto de ter desmaios (certamente a questionar, em silêncio, o seu papel como pai e teimoso com uma mula sem querer procurar ajuda) e fritou da pipoca. Desistiu de tudo o que tinha conquistado até aí (independência, autonomia, distância de relações tóxicas, contexto geográfico... Já disse independência?) e regressou às origens, à procura da tal ajuda que não podia circular entre concelhos. Apesar dos alertas, do espanto e tudo mais, na altura tudo fez sentido, a criança era a prioridade e não há nada melhor do que poder contar com o colo dos avós e dos tios em vez do colo de estranhos (já para não falar do alívio que é saber que em caso de emergência se está a 5 minutos da criancinha, em vez de 50).

No mundo profissional, a proximidade das oportunidades faz imensa diferença. Se a pandemia trouxe a facilidade de trabalhar "a partir de qualquer lugar", para a miúda gira que queria estar perto das suas pessoas e atender aos seus pedidos trouxe uma realidade completamente desprovida de sentido e uma desconexão com o mundo laboral [que cocó é reconhecer estas coisas!]. Simultaneamente, a miúda gira que queria ser pai percebeu que aquela hora depois de todos se desligarem era essencial para uma mãe solo ouvir e atender às necessidades da sua criancinha (e quanto mais cedo essa hora começasse melhor). Portanto, aquilo que eram os ideais de uma carreira de sucesso foram por água abaixo.

E agora, temos uma miúda gira, que gosta de si ([mega conquista]) mas sente que tem que escolher entre uma coisa e a outra. Porque a exigência de ser uma mãe que ouve e atende é cansativa e as horas de ouro, que supostamente iriam existir depois da criança adormecer, são passadas a dormir numa tentativa complicada de reduzir o cansaço constante.

26 de janeiro de 2026

Sonhar é grátis

Olá, pessoas giras!!

Hoje foi dia de alargar horizontes, sem sair da mesa e da cadeira do escritório, mas a voar mesmo muito alto. Entre esta cadeira e este computador vive alguém com medo do sucesso e com medo da abundância, mas que andou a passear em Nova Iorque no seu fato Massimo Dutti, durante a hora de almoço (só porque sonhar é grátis).

Desde semp... Muito cedo, que me lembro de dizer que nunca ia ser mãe porque não queria ter que abdicar da minha carreira. E, embora identifique e reconheça todas as competências que uma mulher aperfeiçoa após a maternidade, continuo com sentimentos divergentes sobre a possibilidade de conjugar as duas coisas.

Como boicotar a maternidade estava a ser um peso grande demais para carregar, porque a pequena Princesa apesar de me ter escolhido para mãe, não pediu para nascer e não tinha que lidar com isso. Optei por boicotar a carreira, porque é mais fácil e simples ainda que não faça sentido nenhum.

Se eu me mantiver ali no modo mediano, não tenho tiques de vedeta, não me valorizo demais e sinto-me uma pessoa normal naquele que é agora o meu contexto quotidiano. E esta realidade é algo de muito assustador que acaba sempre comigo a dizer "estar aqui é o melhor para a Catarina mas não é o melhor para mim". Mas a verdade é que não posso colocar a minha vida em pausa até ela atingir a maioridade (apesar de eu acreditar que quando chegar ao 10º ano, ela vai querer para ela algo que não passa por esta escola secundária aqui).

Claro está, que se eu fosse trabalhar para outro código postal no mundo (e não no país), isso seria algo que acontecia naturalmente e a piquena lá ia estudar uma cultura diferente da nossa (sim, o pai dela ia espernear mas ia perceber que é alimento para a alma). E Nova Iorque soa imensamente bem neste contexto, que a empresa nova até tem lá escritório, mas o bom ordenado ainda não dava para suportar o custo de vida (e da educação) lá daquele lado.

Não quero mostrar ao mundo que, para se fazer diferente, só é preciso querer diferente. E eu quero diferente para mim, mas não quero tornar isso uma realidade.... Como é que eu vou explicar ao mundo que consigo ser válida a nível profissional, boa mãe e independente!? A aldeia que é precisa para criar uma criança não está pronta para lidar com isso!

Se gostava de ter o melhor dos dois mundo? Gostava. Se já estou mentalmente disponível? Acho que não. Mas... Há uma loira na minha vida a tentar mudar isso (se alguém quiser o número dela eu partilho, já que terapia de verdade é a melhor coisa que inventaram no mundo!).

Boa semana!!

25 de janeiro de 2026

Sempre a aprender

Mãe, estás a jogar outra vez!? Não gosto que estejas tanto tempo no telemóvel, nem gosto que estejas a jogar.

Porquê, coração?

Não faz bem. O jogo vai te deixar tonta da cabeça.

22 de janeiro de 2026

Lisboa e a chuva

Dia de trabalho em Lisboa.
Está de chuva.
E o meu cérebro pensa: "Lisboa e a chuva, outro fenômeno que não entendo".

Depois reparo na expressão que usei (foco no OUTRO) e fico a rir sozinha.

#istoeleveza

21 de janeiro de 2026

Incêndios Urbanos e não só

Era um lindo dia de manhã, de madrugada, em que deixei a piquena na escolinha e me preparei para ir até ao quartel, fazer um teste que tinha deixado pendente da noite anterior (fruto daquelas coisas bem combinadas e com a devida antecedência, mas que eu bati o pé porque tinha a Princesa comigo).

Era um lindo dia, frio, de sexta-feira. Seria o primeiro dia de uma nova aventura, sair do quartel com a turma de formação, ter formação fora e pernoitar fora de casa. E eu, como chefe de turma, fui chamada para identificar o material que iríamos levar.

Eis que, de repente, estou a ser chamada para a sala dos chefes, e recebo um valente sermão... Sobre pessoas que querem ser protagonistas, pessoas que se julgam melhor que as outras, pessoas que se querem destacar. Sobre pessoas que não têm noção de compromisso e não entendem que não podem desistir das coisas de um dia para o outro, porque isso impacta toda a turma. E muito mais disto.

Neste momento, toda a vontade que eu já não tinha para ir até Fanhões, morreu. E a loira da minha vida só me fez sentir que o que tinha começado como uma lufada de ar fresco, rapidamente se transformou num cenário de tortura. Mas, era uma formação que estava a meio, e lá me orientei para me fazer à estrada.

Ainda não tínhamos terminado o primeiro exercício da formação, e já este cenário estava a ter uma mudança radical com requintes de malvadez. Comentei que tinha estado a receber um sermão gigantesco e ouvi um "Alguém fez queixa de ti. Não gostava que o fizessem comigo, também não gostei que o fizessem contigo". E perdi o chão.

A cabeça viajou, o espírito colapsou e eu perdi-me de mim. Tentei colar todo o discurso que tinha ouvido em mim, e nas minhas atitudes, e, depois de anos e anos a lutar para reconhecer o meu valor próprio, estar alguém a pedir-me que me anulasse e ignorasse o meu valor, sem sequer me dizer o que efetivamente eu tinha feito e sem ouvir a minha versão da história, deitou-me por terra.

Cavalheiros, como bombeira sou 0, ainda que duvide muito que estejamos todos ao mesmo nível (e duvido também que a formação tenha feito alguma diferença nisso - a não ser quando aprendi que o bebé nasce dentro da placenta, andei enganada estes anos todos), mas estou muito longe de ser igual. Se eu gostava de ser uma cabeça de alho chocho rodeada de gomos de tangerina? Amava! Mas nunca seria a mesma coisa.

Nessa noite, pensei arrumar a tralha e vir embora. Agarrei-me à pouca força que ainda tinha e contive o grito de raiva "qual de vocês é que teve a lata de fazer queixa de mim mas não é crescidinho o suficiente para me enfrentar cara a cara!?". Claro está, que se já me tinham perdido antes (com um sermão que eu não entendia), o resto do fim de semana foi feito a mínimos olímpicos.

Sim, adorei ter chamas a rolar por cima da minha cabeça. Sim, adorei perceber a dinâmica dos procedimentos, é super fácil entender metade das coisas quando se conhecem os conceitos básicos como "ar quente sobe". Mas... Senti sempre que aquilo não era para mim. E mesmo que quisesse pensar que a ajuda que queria efetivamente dar, era na emergência médica, não preciso de ninguém a pisar a minha sanidade mental.

Uma pessoa pensa abdicar do seu tempo, para que outros possam ter mais qualidade de vida e é assim que nos tratam, com acusações infundadas que não seriam repetidas se eles não acreditassem nas mesmas. Zero que preciso disso para mim! Prefiro formar um grupo de auto-ajuda que fica em silêncio e sem telemóvel, várias vez por dia e por semana 😂

Estava a tentar provar o quê e a quem? Que há lugar para mim e para ser valorizada na vila, que também para mim fiz o certo ao voltar para a terrinha... Mas é mentira, mentira! E o aperto no peito que é ter que dizer ao meu sobrinho, vou desistir pelas mesmas razões que tu, pessoas a serem pessoas.

Estava a valer a pena? Teve muitos bons momentos, teve situações giras, teve experiências do caraças... Nas primeiras semanas. Nas últimas, deixou de ser uma coisa leve e passou a ser um frete, sem planeamento, com datas e obrigações que simplesmente apareciam do nada.

Se custa desistir? Horrores! Não me conheço por desistente, mas a minha teimosia não ganha à minha sanidade. Vou abraçar o meu afinal-ainda-não-é-desta "padrinho", vou agradecer ao Segundo Comandante (apenas pelos nossos momentos de regresso ao passado) e atribuir a culpa ao corpo e ao avançar da idade (se alguém espera de mim que vá comprar guerras nesta altura, estou fora).

Afinal, vou apenas mostrar que aprendi algo com eles... Primeiro eu, depois eu, a seguir eu e depois os outros!

12 de janeiro de 2026

Eu e o meu novo eu

Olá, pessoas giras!

O novo ano ainda agora começou e já vem carregadinho de desafios para pessoas crescidas...

Do lado do quartel, e da formação de bombeiros, veio um "temos que despachar isto e pôr tudo a mexer". Andámos a ter formação todas as noites e a fazer práticas de trauma como se não houvesse amanhã (e sim, fiquei traumatizada e não fui a única, e digam o que disserem mas eu sei que na vida real nada vai funcionar assim). Nem deu tempo para me endireitar dessa sessão de pancada, e já estávamos a mudar o registo para os Incêndios urbanos e andar com as garrafas de ar às costas (aventura que vai a meio e espera-se para a semana uma bela continuação do evento, em Fanhões, dentro de um contentor a arder...).

No meio desta brincadeira, ia ser uma pessoa crescida e fazer voluntariado nas mesas de voto, mas esse objetivo e a respectiva compensação monetária (que eu acho mesmo piada a esta coisa de ser paga para fazer voluntariado, quando comparam esse valor ao que eu efetivamente ganho) morreram na praia.

Eu, uma gaja crescida e com idade para ter juízo, mãe de uma quase jovem de 5 anos, ainda acredito que dá para tudo (só não acredito que não seja preciso fazer escolhas para que isso funcione pelo melhor). E cheguei a uma fase em que não sei se quer o que faz sentido escolher. Zero paciência para aquele que era o meu spot favorito, porque toda a gente acha que tem que andar meio mundo atrás de meio mundo. Zero paciência para pessoas que só querem fofocar (e isso baixa a minha vibração zen). Zero paciência para falar sobre as aventuras no quartel e fazerem me sentir que é algo ofensivo. Zero paciência para pessoas que não fazem por serem felizes mas depois querem vir desequilibrar a minha felicidade.

Posto isto, só me ocorre dizer que o cansaço não é, e nem será nunca, um bom conselheiro. Tenho dores em músculos que já não me lembrava de ter, tenho uma dívida gigante de horas à cama (porque sair para celebrar aniversários e ter que cumprir horários no quartel, não são atividades compatíveis).

MAS...

Há uma esperança gigante que depois da tormenta chegue a calma. Ficam a faltar apenas dois módulos de formação, passam a existir fins de semana mais calmos e o natural encadeamento da vida voltará a existir. Pensamento positivo.

De uma pessoa cansada para o mundo: Boa semana!

5 de janeiro de 2026

Obrigada, 2025!

Olá, 2025!

Chegou, finalmente, a hora de nos despedirmos, de fazer o tal do balanço anual daquilo que me proporcionaste ou que permitiste que eu me proporcionasse a mim mesma (cada um que leia o que quer).

Serás sempre o ano do novo T3, visto que foi o ano de me assumir no meu próprio espaço e começar a viver, mais do que sobreviver. Simultaneamente, foste também o ano de interiorizar o divórcio... Digam o que disserem, o reflexo do divórcio, da vida focada na individualidade a par com a maternidade e da pseudo solidão só chegou contigo (o ano anterior foi apenas de tentar manter a cabeça acima da água e tentar sobreviver, sem ceder aos instintos homicidas) e esse ano e pouco de atraso fez estragos simpáticos.

Noutra vertente, foste o ano do corpo entrar em histeria. O coitado percebeu que dar dicas e falar baixinho não ia resultar e começou a gritar para se fazer ouvir. Gritou que o sono fazia falta, gritou que o álcool fazia mal e gritou algo que só aprendi a ouvir bem mais tarde ("primeiro EU, depois EU, a seguir EU e depois o outro). Infelizmente, não é uma porta que fica fechada (ainda há uma bactéria para erradicar do estômago e um vírus nas partes íntimas) mas é um trabalho bem encaminhado.

Se tu fosses feito apenas de 6 meses, terias sido um ano negro e brutalmente aborrecido. Felizmente, este último semestre trouxe-me algo de mesmo muito bom. Algo que ao fim destes anos todos, de vida, eu já estava pronta para receber. E estes últimos 6 meses fizeram de ti um ano imensamente memorável.

A parte "chata" é que foram estes meses que te definiram, que mudaram o meu mundo (e até a minha vida) e que tornaram fácil identificar a tua palavra chave: TERAPIA. Eu nunca dei crédito à terapia, mas sempre senti que a medicação é apenas uma forma de esconder o verdadeiro problema, portanto, quando apareceu uma loira na minha vida disposta a mudar isso, com recurso ao humor, dei-lhe o benefício da dúvida. E foi o melhor que fiz!!

A forma como me vejo mudou, a forma como interajo com aqueles que me rodeiam mudou, portanto, a minha vida mudou! Agora, há relações que sei que serão eternas, mas com a certeza que os seus contornos serão bem diferentes e que os meus limites estarão bem à vista (super pronta para relações das quais não dá para fugir mas que podem muito bem passar sem serem alimentadas). Para o bom e para o mal, se quero ser a média das 5 pessoas com quem mais me relaciono, quero atrair pessoas de bem com a vida, de ânimo leve, sem recalcamentos e sem necessidade de me deitar abaixo a cada duas frases, quero pessoas que aplaudam os meus sucessos com sinceridade e sem interesse.

A maternidade ganhou novos contornos e foi pintada com laivos de arco-íris, sem necessidade de máscaras ou de óculos imaginários. Assumiu-se em pleno, sem amarguras, e com a certeza que uma mãe que descansa e dorme é 1000 vezes melhor mãe e que mais vale dar dez minutos de uma mãe plena e focada do que duas horas de uma mãe dispersa. Obrigada pela possibilidade de fazer diferente pela minha pequena (mesmo sem dar o devido uso à meia que coloquei junto à porta de casa para colocar o telemóvel).

Por fim, 2025, quero agradecer-te por me teres aberto a porta do "quero dar de volta à sociedade" (que também é um resultado indireto da terapia). A clareza de perceber que dificilmente vou conseguir trabalhar na vila com o retorno financeiro que tenho atualmente, não implica que não possa tentar de alguma forma fazer a diferença. E ainda que a formação de bombeiros seja uma gigante pedra no calcanhar de muita gente, que eu sinta que já teria desistido se não fossem tantas as vozes da discórdia (o meu eu mais sádico diz que tenho que me aguentar só para que não possa haver um único "eu bem te disse que não eras capaz"), obrigada por esta oportunidade de ser eu.

Chegámos ao fim comigo cansada e exausta e extenuada, porque no meio de tanta vida a acontecer decidi que ainda tinha tempo para trocar de empresa, a nível profissional, mas continuo a defender que mais vale arrepender-me das decisões, de mudança, que tomei já com os dois pés lá dentro (estou a roçar o final do primeiro mês e ainda não há bandeiras vermelhas de alerta, o saldo está positivo).

Obrigada, 2025, por tantas oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal. Avisa o teu seguidor que a fasquia está alta (não são as expectativas porque o ano será o que eu fizer com ele), o meu melhor EU está a ser limado e aperfeiçoado, ele que venha cheio de coragem para me aturar!

23 de dezembro de 2025

Profissão vs passatempo

Bom dia de terça-feira, pessoas giras!

Hoje é dia de me sentir PLENA e CONSCIENTE, que é como quem diz que tive uma sessão de saco de pancada e nem sei muito bem para que lado me voltar 😁

Na semana passada, andei em modo intensivo de formação em TAT (Tripulante de Ambulâncias de Transporte). Portanto, foi a altura de aprender os procedimentos para reanimar alguém em paragem cardio respiratória e perceber que um dos erros mais fáceis de cometer é causar um penumotórax num bebé (insuflar o bebé como se fosse um adulto). Foi também um dos módulos de formação mais caóticos, entre trocas de formadores (devido a saídas em serviço) e inconsistências de informação.

Esta semana, foi dia de finalizar o módulo e preparava-se uma repetição do mesmo modo acelerado sem pré-aviso, que me levou a meter os pés à parede. É verdade que a minha "explosão" não me afetou como antes, mas escrevo aqui porque preferia não ter "explodido" e quero ter isso bem presente daqui para a frente. Somos um grupo bastante heterogéneo, com prioridades muito diferentes e em fases da vida que em nada se alinham. Mas deveríamos ter todos uma capacidade desenvolvida, tendo em conta aquilo que nos propomos fazer no futuro, que é a empatia com o próximo, juntamente com uma tentativa mínima de nos colocarmos nos sapatos da outra pessoa.

Ontem, foi aquele dia que (em modo besta) a farda teria ficado toda no quartel, junto com um "obrigada pela oportunidade e gostei muito de vos conhecer", mas há demasiada gente à espera que eu desista, à espera que eu não consiga e pronta para dizer um "eu bem te avisei" ou "eu tinha razão".

Quanto mais eu percorrer um caminho que é só meu, que é mais introspectivo, mais em modo ouvir, calar e desvalorizar, mais espaço haverá para eu ser mais eu e amar cada pedacinho dessa pessoa. Portanto, levantar a cabeça, dar o peito às balas e seguir viagem, com a certeza de que aquilo que eles julgam em mim diz tanto mas tanto sobre eles (quer seja sobre o tempo que roubo à Catarina - porque também já o roubaram a alguém, quer seja sobre as minhas prioridades - porque não é aquela casa que me paga as contas no final do mês e ter esse conforto não é para todos).

No meio desta aventura, questiono a minha vida laboral... Porque para que exista retorno é necessário que haja entrega (e não me refiro à entrega de trabalho desenvolvido, visto que ainda agora ali cheguei). Entrega emocional, envolvimento, paixão... Aquelas pequenas coisas que podem fazer desta relação (profissional) mais profunda e que abrem a porta para um desenvolvimento conjunto. Só não me posso esquecer que estas ainda são as nossas primeiras semanas e que as expectativas não podem escalar gigantescamente para que a fase da "lua de mel" não seja derrotada em 10 minutos.

Seguimos fortes (ou pelo menos tentamos). Boa semana!