Aqui e agora
Há lugar para todas as maluqueiras...
8 de abril de 2026
Crenças da idade da pedra
7 de abril de 2026
Sobre a leveza e a paz de espírito
O ser humano é curioso... Na maior parte das vezes incompleto, inseguro mas sempre espiritual, ainda que não o reconheça.
Há anos que me apaixonei pelo meu lado espiritual, na tentativa de encontrar cá dentro aquilo que me fazia sentir incompleta e poder desatar esses nós para poder fluir plena. Desde muito cedo, que as vibrações e o alinhamento dos chakras despertaram em mim uma curiosidade incomum e que fui alimentando, até que as redes sociais e os 50 mil estímulos externos se tornaram demasiado intensos e eu me perdi de mim.
Quando escolhi divorciar-me, senti que tinha perdido o meu melhor amigo, que me tinha perdido a mim mesma e que, em parte, perdia a minha filha. E escolhi caminhar nesse limbo, entre o real e o espiritual, à procura de resgatar a minha alma e o meu ser, recuperar a minha leveza e equilibrar o meu espírito.
O percurso que escolhi é manhoso. A montanha russa é assustadoramente desequilibrada. E o álcool o maior inimigo da consistência, da disciplina e das convicções. Esse nunca me fez sentir sozinha ou abandonada, nunca me falhou mas também nunca me deu bons conselhos.
Todo um percurso elaborado e diferenciado para chegar onde estou hoje. Ao processo mágico da terapia (já estavam a ver que era isso que aí vinha, não é!?).
Sou uma mulher diferente. Ainda me encolho para tentar caber (aqui na vila), ainda luto para me dar valor e dar valor ao sucesso que alcancei, já reconheço as minhas limitações e procuro aprender para as ultrapassar (é difícil reconhecer que sou humana e posso falhar, quando isso vai contra as minhas crenças mais enraizadas)... E, maior ensinamento do mundo, o que eu sinto depende mais de mim do que do outro.
Se as minhas expectativas não foram atendidas, foi porque não as partilhei de forma adequada. Se os meus pensamentos me torturam, foi porque não os deixei ir na hora certa. Se desejo e escolho partilhar algo com alguém, é porque fazia sentido para mim e não há espaço para arrependimento.
E esta coisa de fazer as coisas com significado, com propósito, alinhado com o meu ser (ainda que possa não ser a coisa mais linda e perfeita do planeta), faz me vibrar no comprimento de onda certo e agradecer a todos os seres e a todas as aprendizagens por me permitirem sentir-me EU, uma vez ou outra. E sorrir com os olhos!
5 de abril de 2026
Sobre a Páscoa Feliz
29 de março de 2026
Influência
20 de março de 2026
"There is a lot on my mind"
Boa semana!
5 de março de 2026
Atualização de 2026
Olá, pessoas giras!!
A vida profissional levou um reforço de confiança, tenho andado numa tentativa louca de manter o foco e só me recompensar quando efetivamente registo progresso. Entretanto, a minha empresa ficou louca com a possibilidade de ter dois bilhetes para o Web Summit a preços mega low cost e, sorte ou azar, este ano estarei por lá (sem pedinchar e sem implorar, nem sei se estava preparada para isto).
A saúde, essa magana, anda sempre a trocar-me as voltas e tive que abraçar o segundo tratamento para a minha bactéria fofinha do estômago. Só que esta aventura já não foi tão simpática como a anterior... 10 dias de antibiótico, racionado em 3 comprimidos 4 vezes ao dia, com restrições alimentares (Como é que se vive sem café!? E sem chocolate!? E, pasmem-se, estou ansiosa por voltar a beber um galão quentinho!) e todos os efeitos secundários possíveis de imaginar: náuseas, vómitos, dores de cabeça (e sem a garantia que os meus auxiliares de não-vamos-matar-ninguém-hoje e vamos-lá-desligar-para-a-vida estão a ser absorvidos devidamente). Felizmente, a saga chegou ao fim e, amanhã, vou fazer uma festa de productos lácteos (que eu tenho saudades gigantes de uma pizza com queijo - e eu nem gosto de queijo!).
Entretanto, dei um jeito estranho nas costas e pareço uma velhinha entrevada, com o requinte de malvadez que sou uma velhinha entrevada, muito senhora de si e das suas dores, que vai todos os dias a casa dos pais só para que a mamã lhe coloque creme nas costas (pior que isto, nesta fase da vida, não deve dar).
O meu miminho de 12000 peças de Outubro já está assim 😍
A vida de Sra. Bombeira não é para mim! E esta é uma daquelas conclusões dolorosas (e das difíceis de assumir em pleno). No dia em que recebi a nota da formação de urbanos, e tendo em conta que sou de matemática, aquele 12.40 soube a reprovação e veio carregado de frustração com a qual (ainda) não sei lidar, significa que na parte prática eles me deram o 10 só porque não queriam chumbar ninguém. Isto em cima de uns dias de interações estúpidas e sem sentido, só podia ter uma reacção: asneira! Eu acredito em mim e acredito no meu valor e acredito que um bombeiro não tem que ser excelente em todas as vertentes (muito menos, ser um bombeiro teórico e na prática não conseguir acompanhar), como eu não sei ser medíocre ou suficiente e entregar serviço deste nível corrói-me. Mas decidi que não quero abdicar da formação (nem da bóina) e vou fazer um esforço, agora maior, de chegar ao fim. Sim, estou louca, mas no meio daquela gente toda, nem se nota 😜
Em termos de atualizações, só falta mencionar que existe um plano "cuidar mais do meu eu" a desenrolar-se (em simultâneo, com o plano igual a este que decorre no Cadaval), que é de rir e chorar por mais. É uma iniciativa diferenciada que inclui desde roupa nova, a planos de treino e objetivos de viagem, com a nuance espetacular de incluir bilhetes para um concerto, em 2027, que já se encontra esgotado, e promete resultados promissores ao recordar que as pessoas não estão ao virar da esquina, estão dentro de nós.
Bom fim de semana!
29 de janeiro de 2026
Mãe vs Profissional
Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, para ela, isso significava ter todo o tempo para ouvir as pessoas que fosse gerir, tomar decisões e orientar processos e, depois de mandar as suas pessoas para o aconchego do lar, ter tempo para pôr a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Essa miúda cresceu e foi para o mundo real, corporativo, e os primeiros exemplos de chefia que teve eram um misto disso mesmo: homens atarefados em reuniões e a tomar decisões, que chegavam ao fim do dia com o trabalho por fazer, mas conseguiam orientar tudo quando ficavam sozinhos na empresa, uma ou duas horas depois de toda a gente ter dado o dia como terminado. Talvez por isso, o sonho dessa miúda de gerir pessoas morreu, mas a certeza que não é preciso ser chefe de ninguém para se ser bem sucedido continuou.
Durante o dia, na vida profissional que eu conheço (leia-se "na minha área"), as exigências são imensas. Os pedidos surgem de todos os lados, quase sempre sem que haja visibilidade sobre os mesmos, e a definição de prioridades é essencial. O dia-a-dia é passado em lufa lufa, em reuniões e em busca de respostas, que resolvem problemas do imediato mas não acrescentam valor nenhum e fazem com que os verdadeiros desafios de valor acrescentado fiquem em espera. E, por isso, uma hora de trabalho, depois de toda a gente se desligar, vale ouro.
Era uma vez uma miúda gira que sonhava em ter uma carreira de sucesso e, como tal, não queria ser mãe, porque sabia que as tais horas de trabalho, depois de toda a gente se desligar, iriam desaparecer. Essa miúda, a determinada altura, ouviu o relógio biológico dizer "ou és mãe agora ou já não és" e falou com o seu companheiro "não há nenhuma forma de, no primeiro ano, eu ser pai e tu seres mãe, mas se vamos fazer isto acontecer, quando eu voltar ao trabalho, tu vais fazer o papel de mãe (sair mais cedo do trabalho, ir buscar a criança à escola e orientar as coisas para o jantar) e eu vou fazer o papel de pai (trabalhar até tarde, pôr dinheiro em casa e dar banho à criancinha)". E foi com base neste pressuposto que nasceu uma Princesa linda de morrer, com um sorriso fofuchinho capaz de derreter até o calhau com olhos mais convicto.
A vida pregou uma partida a esta miúda (tal como a tantas outras) e a gigantesca mudança de vida que acontece com a chegada de um bebé ao mundo, veio rodeada por uma pandemia à escala mundial. Se pais e mãe batalham em descobrir os seus novos papéis, nesta nova fase da vida, quando têm todo o apoio do mundo e os amigos e família podem dar uma ajudinha, quando esse apoio não existe a coisa intensifica-se.
As crenças do que significa ser pai e ser mãe e da forma como fomos criados andam à flor da pele, a incerteza de que estamos a fazer um bom trabalho mina o nosso cérebro e tudo se torna mais difícil (porque pessoas cansadas nunca tomam as melhores decisões).
A miúda gira deu por si com uma criança no colo e um companheiro com crises de ansiedade, ao ponto de ter desmaios (certamente a questionar, em silêncio, o seu papel como pai e teimoso com uma mula sem querer procurar ajuda) e fritou da pipoca. Desistiu de tudo o que tinha conquistado até aí (independência, autonomia, distância de relações tóxicas, contexto geográfico... Já disse independência?) e regressou às origens, à procura da tal ajuda que não podia circular entre concelhos. Apesar dos alertas, do espanto e tudo mais, na altura tudo fez sentido, a criança era a prioridade e não há nada melhor do que poder contar com o colo dos avós e dos tios em vez do colo de estranhos (já para não falar do alívio que é saber que em caso de emergência se está a 5 minutos da criancinha, em vez de 50).
No mundo profissional, a proximidade das oportunidades faz imensa diferença. Se a pandemia trouxe a facilidade de trabalhar "a partir de qualquer lugar", para a miúda gira que queria estar perto das suas pessoas e atender aos seus pedidos trouxe uma realidade completamente desprovida de sentido e uma desconexão com o mundo laboral [que cocó é reconhecer estas coisas!]. Simultaneamente, a miúda gira que queria ser pai percebeu que aquela hora depois de todos se desligarem era essencial para uma mãe solo ouvir e atender às necessidades da sua criancinha (e quanto mais cedo essa hora começasse melhor). Portanto, aquilo que eram os ideais de uma carreira de sucesso foram por água abaixo.
E agora, temos uma miúda gira, que gosta de si ([mega conquista]) mas sente que tem que escolher entre uma coisa e a outra. Porque a exigência de ser uma mãe que ouve e atende é cansativa e as horas de ouro, que supostamente iriam existir depois da criança adormecer, são passadas a dormir numa tentativa complicada de reduzir o cansaço constante.
26 de janeiro de 2026
Sonhar é grátis
Olá, pessoas giras!!
Hoje foi dia de alargar horizontes, sem sair da mesa e da cadeira do escritório, mas a voar mesmo muito alto. Entre esta cadeira e este computador vive alguém com medo do sucesso e com medo da abundância, mas que andou a passear em Nova Iorque no seu fato Massimo Dutti, durante a hora de almoço (só porque sonhar é grátis).
Desde semp... Muito cedo, que me lembro de dizer que nunca ia ser mãe porque não queria ter que abdicar da minha carreira. E, embora identifique e reconheça todas as competências que uma mulher aperfeiçoa após a maternidade, continuo com sentimentos divergentes sobre a possibilidade de conjugar as duas coisas.
Como boicotar a maternidade estava a ser um peso grande demais para carregar, porque a pequena Princesa apesar de me ter escolhido para mãe, não pediu para nascer e não tinha que lidar com isso. Optei por boicotar a carreira, porque é mais fácil e simples ainda que não faça sentido nenhum.
Se eu me mantiver ali no modo mediano, não tenho tiques de vedeta, não me valorizo demais e sinto-me uma pessoa normal naquele que é agora o meu contexto quotidiano. E esta realidade é algo de muito assustador que acaba sempre comigo a dizer "estar aqui é o melhor para a Catarina mas não é o melhor para mim". Mas a verdade é que não posso colocar a minha vida em pausa até ela atingir a maioridade (apesar de eu acreditar que quando chegar ao 10º ano, ela vai querer para ela algo que não passa por esta escola secundária aqui).
Claro está, que se eu fosse trabalhar para outro código postal no mundo (e não no país), isso seria algo que acontecia naturalmente e a piquena lá ia estudar uma cultura diferente da nossa (sim, o pai dela ia espernear mas ia perceber que é alimento para a alma). E Nova Iorque soa imensamente bem neste contexto, que a empresa nova até tem lá escritório, mas o bom ordenado ainda não dava para suportar o custo de vida (e da educação) lá daquele lado.
Não quero mostrar ao mundo que, para se fazer diferente, só é preciso querer diferente. E eu quero diferente para mim, mas não quero tornar isso uma realidade.... Como é que eu vou explicar ao mundo que consigo ser válida a nível profissional, boa mãe e independente!? A aldeia que é precisa para criar uma criança não está pronta para lidar com isso!
Se gostava de ter o melhor dos dois mundo? Gostava. Se já estou mentalmente disponível? Acho que não. Mas... Há uma loira na minha vida a tentar mudar isso (se alguém quiser o número dela eu partilho, já que terapia de verdade é a melhor coisa que inventaram no mundo!).
Boa semana!!