17 de junho de 2026

Dia de reflexão

Olá, pessoas giras!

Em fase de campanhas eleitorais, o dia da reflexão sempre foi o meu favorito.

A minha veia de interesse político ainda não tinha despertado e, depois de meses, que me pareciam intermináveis, de debates, de anúncios, de tempo de antena dedicado (e sem capacidade de exercer o meu direito de simplesmente abandonar a televisão nacional), eis que surgia uma lufada de ar fresco, aquele dia espetacular em que não era permitida campanha.

Ainda hoje, sinto que a melhor fase das diferentes aventuras em que uma pessoa se envolve é a reflexão. Aquele reflexão em jeito de "apesar de tudo fez sentido" ou "porque é que me andei a enganar a mim mesma".

Por aqui, o dia da reflexão são todos! Ou não fosse eu conhecida brutalmente por ser alguém que pensa demais. Portanto, sentem se de forma confortável, apertem os cintos, mantenham a calma e em caso de emergência liguem o 112.

O curso de instrução inicial para bombeiro está longe de estar terminado mas iniciou-se agora uma nova fase. Concluímos os seis módulos de formação e passámos à fase de estágio. Cada um  dos módulos teve a sua fase de alucinação e loucura.

Os dois primeiros foram bastante interessantes (organização do serviço de bombeiros e tecnologias de base na atividade de bombeiros), maioritariamente teóricos e conseguiram despertar o interesse. As técnicas de socorrismo e tripulante de ambulância de transporte abriram horizontes para todo um novo mundo, mas ficou aquela sensação de "quando é que começa mesmo a formação", porque não há tempo para tudo, os conceitos são abordados por alto, as técnicas de avaliação não são colocadas em prática e o foco vai para o processo de reanimação, que é o único que nós esperamos nunca precisar. No nosso caso, seguiu-se a extinção de incêndios urbanos. E, não sei se por toda a polémica e drama envolvida, se pela intensidade e exigência física, nesta altura quis mandar tudo às urtigas (a minha resiliência para coisas que eu não tenho mesmo necessidade de aturar morreu na praia). O módulo de extinção de incêndios florestais, de que tanto ouvi críticas, tornou-se o meu favorito, porque aprendemos a extinguir o fogo com material de sapador e a trabalhar o rescaldo para evitar reacendimentos e, embora tenha que admitir que não é fácil andar de pá e ancinho às costas, a vontade de fazer acontecer e o espírito de equipa fizeram toda a diferença. E, como não podiam ser tudo rosas, o salvamento e desencarceramento veio dar cabo disto tudo. Eu sei que a teoria do "treino difícil, combate fácil" é muito gira mas eu já não tenho 20 anos para andar com 20 quilos de material às costas e achar piada quando quase paro de respirar (e se não fosse o meu futuro padrinho a aparecer por lá e fazer me acreditar que não sou assim tão parvinha, tinha sido o dia de deixar lá a tralha toda - até porque já anda sempre na mala do carro).

Simultaneamente, este fim de semana marcou o início do meu serviço de brigada de aeródromo, aquela malta fofinha que dá apoio ao centro de meio aéreos de cada vez que um helicóptero decola para fazer serviço. E todo um novo mundo sobre o que é estar de serviço no quartel se revelou (e isto sim, precisa de reflexão adequada).

Por agora, continuo a acreditar na missão dos bombeiros, e continuo a acreditar que se der um dia ou dois de disponibilidade por mês posso fazer a diferença na vida de por quem lá anda (que são sempre os mesmos e podem aproveitar uma folga extra). Sem decisões tomadas, sem grandes filosofias e ainda com vontade de mudar o mundo.

Boa semana!

16 de junho de 2026

E vão 8 meses


Confesso que se torna difícil, para mim, ver algum progresso, mas este é o reflexo da minha resiliência (e da minha paciência também).

29 de maio de 2026

O post tabu

Era uma vez uma Princesa que vivia num reino totalmente desconhecido...

Esta Princesa nasceu e cresceu neste reino, nunca foi propriamente feliz porque se encolhia para caber, para agradar, para tentar ser igual, e teve a oportunidade de sair e conhecer o mundo. Durante os muitos anos em que se manteve "fora de portas", a Princesa viveu! Teve bons e maus momentos, experiências excelentes e outras menos boas, conheceu pessoas diferentes, pessoas mais ou menos parecidas consigo e carregou os seus traumas por diversos caminhos, sempre com a sensação que o reino era algo que tinha ficado para trás. Tudo isto numa altura em que a vida não se fazia atrás de nenhum ecrã.

Esta Princesa taurina viveu sempre de emoções, naquele desequilíbrio fofinho do "ou me levam às lágrimas ou me fazem explodir de alegria", sem situações mornas ou de meio termo, como se a intensidade fosse aquilo que lhe permitisse sentir-se viva. E foi nesta altura que, pela primeira vez, ela questionou quem era... Faziam-na acreditar que este comportamento demonstrava bipolaridade.

Esta Princesa foi sempre intensa, e namoradeira. Piscava o olho aqui, dava 5 minutos de atenção ali, punha uma mão numa perna ou num ombro. Diziam-lhe que era o reflexo de ser a carinha laroca de um grupo, efeitos de ir para a frente de palco. Mas, neste tempo, as relações existiam e era feitas de estabilidade, de segurança e de respeito.

Nesta altura, existiu um Principe, que surgiu pela primeira vez montado num cavalo branco, depois arranjou um cavalo preto e foi ele que a ensinou a montar. [Há coisas que não se esquecem e aquele Renault Clio preto vai ser sempre uma das minhas paixões assolapadas... Minhas não, da Princesa.] Com ele, tudo foi feito, supostamente, da maneira certa. Conheceram-se através de amigos em comum, exploraram isso em privado, depois com os amigos, apresentaram-se famílias, partilhou-se vida e experiências. Mas a Princesa não se conhecia verdadeiramente, não se amava a si mesma, não confiava em si. Era uma relação bonita carregada de fins e recomeços e mil pessoas pelo meio, de parte a parte, e não há como viver permanentemente a perdoar e contentar-se com migalhas.

Quando a Princesa fechou esta porta à magia de acreditar que podia ser amada sem ser pela metade, fechou muitas mais só para poder fugir de uma realidade que ela não queria para si. E passou a navegar de relacionamento em relacionamento, ou pelo menos era isto que diziam as pessoas à sua volta. Ela nunca sentiu que as suas relações fossem desprovidas de sentimento, desapegadas, mas nunca teve dúvida que se baseavam em conveniência e fuga - ela já não tinha o seu grupo de amigos e não queria estar sozinha. Mas ao menos sentia que, ali, o que ela sentia não era solidão, era solitude.

Por circunstâncias da vida, a Princesa teve que voltar a viver no reino e, quando lá chegou, a realidade tinha mudado brutalmente e o tipo de relações, que ela tinha conhecido nos últimos anos, já não existia. Tudo se tinha transformado e todas as relações (namoros, amizades, casamentos...) se baseavam em desapego e conveniência. E o sentimento de solidão que tinha ficado bem arrumado numa gaveta, voltou para se transformar e para a vestir como se fosse um "saco de batatas" (aqueles vestidos que servem bem a toda a gente mas não ficam bem a ninguém).

Agora, a Princesa luta para colocar a solitude de volta no seu lugar, ainda sem sucesso mas com pequenas vitórias, passo a passo e um dia de cada vez. Já não ambiciona casar, mas sente e sabe que um companheiro será sempre a melhor companhia para viajar.


25 de maio de 2026

Recharge Weekend

Olá, pessoas giras!

A minha empresa atual, independentemente da saga de abrir entidade em Portugal, tem uma preocupação genuína com os colaboradores e faz anualmente um fim de semana (há quem diga que são dois mas ver para querer) de paragem global para recarregar as energias de todas as equipas.

Portanto, desde quinta-feira que a vida se faz a outro ritmo, ainda que em modo mãe. As prioridades mudaram, a rotina continuou (não me sentia capaz para fazer diferente) mas os planos mudaram totalmente e, entre treinos de preparação para a Corrida Atlântica - Comporta / Tróia, abandonei-me a desacelerar e viver.

Ainda sinto que me dói ser mãe solo, que não tenho a receptividade para os 50 mil quilos de energia que ela tem mas faço o melhor que posso com aquilo que sei e não me posso esquecer disso a cada passo desta caminhada (mesmo quando ela grita histérica que não quer tomar banho ou que os dias com o pai são muito melhores).

Pela primeira vez, combati os meus receios internos e a minha auto-sabotagem e levei a minha filha para passar uma noite fora de casa, só comigo (sem família, sem amigos, sem rede). E adorei! Vai ser sempre difícil conciliar horários e fazer viagens de carro sem que ela adormeça e o fuso horário fique desajustado, mas com convicção tudo se consegue. E aquela alegria genuína que ela demonstrou quando entrou no quarto de hotel (porque pelos vistos ir para um hotel era uma cena do outro mundo) não tem preço. "Mãe, mãe, há roupões com chinelos!!" vai ser uma frase histórica.

A verdade é que: nada na vida acontece sem um motivo! 

Foi a primeira vez que nós fomos convidadas para uma benção / queima das fitas e nada me podia deixar mais orgulhosa do que fazer parte dum dia assim. Foram necessários carradas de anos, terapia no lombo e uma mini "me" para me aperceber que as crianças com quem me cruzei na vida foram sempre um reflexo dos pais, de formas mais ou menos rebuscadas.

A Pipoca vai ser sempre alguém muito especial para mim, ainda que eu tenha pensado que em determinada altura competíamos as duas por atenção (agora sei bem que vamos sempre competir por aquela atenção, não eu nem ela...). Tenho um orgulho gigante na mulher que ela se está a tornar, no meio da nossa família bipolar, e amo aquela garra e aquela vida que ela carrega. Sei bem que o percurso formativo dela ainda está longe de terminar, mesmo que queira trabalhar enquanto estuda, porque quem bota os pés na tuna durante a vida académica, sabe que há uma linha diferente que se cruza.


Obrigada por me teres levado a tirar a capa da embalagem de vácuo (está tão ralinha que quase se desfez durante este fim de semana, mas já só precisa voltar ver a luz do dia daqui a uns 16 anos, hihihihi), obrigada por teres dado asas à música que existe dentro de ti e teres encontrado na NostraTuna o teu lugar, obrigada por perceberes que temos isto em comum e que é bom 😘

Boa semana!

7 de maio de 2026

Sinal de alerta

Há momentos, durante o meu dia à dia, em que vejo as nuances da vida com uma nitidez assustadora e não sei o que fazer com isso.

Gosto de pensar que estou brutalmente melhor, em termos de saúde mental, mas depois lá vem mais um ou outro evento que me atira ao chão e questiono todas as perseguições do mundo (inclusive a da minha própria sombra). E a parte estúpida é conseguir identificar os stresses e os gatilhos e continuar sem fazer nada de muito diferente.

Trocado por miúdos... Há já muito tempo que identifiquei o meu padrão de procrastinação, o meu medo de não conseguir realizar uma tarefa e que me paralisa até ao último minuto. Aquele pânico de falhar, aquele receio que descubram que não sou tão boa como eles pensam, aquele desespero de querer produzir tudo perfeito... Portanto, como sei que a única forma de combater isso é ter prazos mais curtos, envolvi a minha chefinha e pedi "vamo-nos comprometer só as duas?".

Neste momento, tenho um compromisso de fazer entregas semanais daquilo que desenvolvo, ou exploro, e [Surpresa, das surpresas!] faltava uma hora para a reunião de apresentação acontecer quando comecei a pegar no assunto. Não é preciso ser um génio para saber que isto não faz nada bem!

Produzi durante uma hora sem interrupções, sem me lembrar que o telemóvel existe, com todas as notificações do mundo desligadas. Fiz um progresso gigante no projeto que ando a arrastar há meses, só por medo, e ainda recebi um "excelente trabalho". Qual é mesmo a necessidade de chegar a este ponto?

Se eu não acreditasse tão afincadamente que vou morrer num acidente de automóvel, lá muito mais para a frente na vida (estás a ouvir Universo?), diria que o esgotamento me iria derrubar sem dó nem piedade e que seria de caixão à cova. Não há cérebro nenhum, nem coração, que aguente a funcionar assim por muito tempo.

5 de maio de 2026

Celebrações

Olá, pessoas giras!

Estou de volta para celebrar a minha nova entidade patronal, na função número 16. Parece que afinal uma pessoa manifestar a sua opinião e mostrar o seu descontentamento ainda tem algum valor e o contrato lá foi alterado para assegurar os nossos direitos atuais.

Sempre fui defensora de empresas que abrem entidade em Portugal para proporcionar aos seus trabalhadores o mesmo tipo de direitos e regalias que os colegas da empresa de origem têm, portanto, nada como fazer a empresa crescer com a camisola certa vestida (não se enganem, não vesti camisola nenhuma que não a minha e dos meus interesses).

Simultaneamente, celebro a primeira viagem na Europa, desde que fui a Berlim ver a Pink (em 2019!), e o regresso foi feito em caminhadas por Barcelona. Perguntaram-me se soube a pouco e dei por mim, estranhamente, a dizer que não. Também me perguntaram qual tinha sido o ponto alto da viagem e, de tantas gargalhadas genuínas no meio da rua, com duas almas que dificilmente se alinham para sair de casa, foi difícil escolher. Amei viver e experienciar La Boqueria, não me recordo de ter estado por lá nas anteriores passagens por Barcelona, certamente não o vivi da mesma forma, portanto, valeu a pena. A cidade está toda esburacada e há obras por todo o lado, para além das infindáveis na Sagrada Família, mas o saldo foi positivo.

Próxima etapa: primeira viagem sozinha fora do país. Este desejo faz parte do plano Cuidar mais do "Eu" 2026, definido em paralelo com um existente no Cadaval, e é daqueles que podem ser publicamente partilhados, mas é também aquele que me deixa mais apreensiva. Tenho medo de não querer correr o risco, medo de me sentir brutalmente só (nota mental para mim própria, alinhar esta viagem com as semanas certas do meu período).

Boa semana!


27 de abril de 2026

Voltas ao Sol

Olá, pessoas giras!

Para mim, inicia-se agora a quadragésima quarta volta ao Sol e eu não estou tão feliz como esperaria.

As celebrações deste aniversário trouxeram para a luz 50 mil temas mal resolvidos e que levaram o meu cérebro ao colapso. E, esse sacana, como não queria sofrer sozinho, atirou o meu corpo para dentro do mesmo poço.

O meu mais velho, que nem devia ser um problema meu, que a mãe conhece bem as amizades e é permissiva com as mesmas, continua sem saber muito bem o que quer da vida e decidiu fazer-me cabelos brancos... Eu permito que ele faça isso comigo e nem sei porquê. Qual foi o momento, o evento, a asneira que fez com que eu me sentisse responsável por ele?

A piquena continua a acusar a falta de regulação emocional, não só sob efeito do cansaço, para evitar levantar a mão e tentar bater-me. Mas, no meio do meu caos hormonal, sinto que tenho tenho zero credibilidade (sei perfeitamente que a adulta sou eu e que não posso permitir esse comportamento, só não quero pecar na forma como o faço).

A minha empresa perdeu a noção do bom senso, ainda que tenha tido a feliz ideia de abrir entidade em Portugal e colocar as coisas a funcionar como deve de ser. Eu continuo a acreditar que a proposta de contrato que eles colocaram em cima da mesa foi um ataque de insanidade temporária, burocrático, reversível, mas é impossível deixar de sentir que a paixão assolapada que ainda vibrava ao fim de quatro meses perdeu as asas.

O meu coração foi simplesmente estraçalhado e espremido e jogado no lixo. E querem saber qual é a parte pior? Fui eu que lhe fiz isto tudo! Porque continuo a alimentar padrões da treta, porque continuo a permitir que me vejam como algo que não sou... Porque não ponho os pés à parede e não coloco LIMITES!

Estou tão triste comigo (sim, sim, eu sei que a fase menstrual do mês não me ajuda em nada) e tão desiludida com as pessoas que tenho colocado à minha volta, que sinto que voltei atrás no tempo uns dois anos e voltei ao meu estado depressivo pré medicação (sim, sim, para a semana tudo volta a ficar mais cor de rosa mas até lá já cortei mais dois ou três espinhos do caminho).

Eu sou meio alucinada, meio descompensada, meio 8 ou 80... Mas com a certeza que conquistei um lugar no mundo profissional e na vida, não faz sentido aceitar os prémios de consolação. Há dias em que me fazem sentir a última coca cola no deserto ou a última bolacha do pacote (e em mau). Não é um problema meu se as coca colas ou as bolachas acabaram, isto é como ser escolhido em último quando se fazem as equipas para um jogo qualquer ("Ah, mas eu escolhi-te", "Certo, não havia mais ninguém, não se chama opção a isso").

A minha doutora apela ao meu lado racional e diz que eu tenho a faca e o queijo, um excelente queijo da serra, na mão. Já eu acho que é um queijo de cabra, porque é o meu favorito e porque é meu. Se quiserem a faca, eu ainda empresto, agora o queijo... Temos pena!

Boa semana!