O ser humano é curioso... Na maior parte das vezes incompleto, inseguro mas sempre espiritual, ainda que não o reconheça.
Há anos que me apaixonei pelo meu lado espiritual, na tentativa de encontrar cá dentro aquilo que me fazia sentir incompleta e poder desatar esses nós para poder fluir plena. Desde muito cedo, que as vibrações e o alinhamento dos chakras despertaram em mim uma curiosidade incomum e que fui alimentando, até que as redes sociais e os 50 mil estímulos externos se tornaram demasiado intensos e eu me perdi de mim.
Quando escolhi divorciar-me, senti que tinha perdido o meu melhor amigo, que me tinha perdido a mim mesma e que, em parte, perdia a minha filha. E escolhi caminhar nesse limbo, entre o real e o espiritual, à procura de resgatar a minha alma e o meu ser, recuperar a minha leveza e equilibrar o meu espírito.
O percurso que escolhi é manhoso. A montanha russa é assustadoramente desequilibrada. E o álcool o maior inimigo da consistência, da disciplina e das convicções. Esse nunca me fez sentir sozinha ou abandonada, nunca me falhou mas também nunca me deu bons conselhos.
Todo um percurso elaborado e diferenciado para chegar onde estou hoje. Ao processo mágico da terapia (já estavam a ver que era isso que aí vinha, não é!?).
Sou uma mulher diferente. Ainda me encolho para tentar caber (aqui na vila), ainda luto para me dar valor e dar valor ao sucesso que alcancei, já reconheço as minhas limitações e procuro aprender para as ultrapassar (é difícil reconhecer que sou humana e posso falhar, quando isso vai contra as minhas crenças mais enraizadas)... E, maior ensinamento do mundo, o que eu sinto depende mais de mim do que do outro.
Se as minhas expectativas não foram atendidas, foi porque não as partilhei de forma adequada. Se os meus pensamentos me torturam, foi porque não os deixei ir na hora certa. Se desejo e escolho partilhar algo com alguém, é porque fazia sentido para mim e não há espaço para arrependimento.
E esta coisa de fazer as coisas com significado, com propósito, alinhado com o meu ser (ainda que possa não ser a coisa mais linda e perfeita do planeta), faz me vibrar no comprimento de onda certo e agradecer a todos os seres e a todas as aprendizagens por me permitirem sentir-me EU, uma vez ou outra. E sorrir com os olhos!