28 de agosto de 2026

Sobre saltar fora

Olá, pessoas giras!

A missiva de hoje começa com uma nota de orgulho: eu e a minha mini me voltámos das férias com dois braços, duas pernas e sem cabeças partidas. Mas é importante dizer que nunca me senti tão feliz porque umas férias chegaram ao fim.

Ser mãe 24 horas por dia, de uma criança de 5 anos com energia e vibração em níveis olímpicos, é intenso (e nunca foi o meu sonho). Eu sou claramente a mãe que suporta, a mãe que acolhe, a mãe que providencia, mas duvido que alguma vez vá ser a mãe que brinca e faz palhaçadas (sem ser nos nossos momentos de acordar devagarinho).

Ir de férias sozinha com uma cria assim, para um espaço cheio de crianças, foi um ato de pura loucura! É muito giro, ela precisa de tempo só com a mãe, mas o simples facto de ter que reunir a tralha toda e a cria para coisas tão simples como ir ao wc, fazem destas experiências uma carta fora do baralho. Ainda assim, estou grata por ter conhecido uma Joana Banana (uma "tia" Nep) que me possibilitou uns momentos com o radar ligado em modo menos intenso, enquanto a piquena fazia atividades com outras crianças.

Ir de férias com uma cria assim e com a família toda, para um espaço mais "limitado", foi igualmente um tiro no pé. Dei por mim a fugir do hotel para uma Ludoteca local, onde acabei a tecer uma mantinha e a jogar ao quem é quem, porque entreter a cria é obrigação da mãe (já mencionei que a parte das brincadeiras não é para mim!?).

Das férias em modo mãe por completo, passámos para o regresso à vida laboral, já com o mega evento da vila no horizonte. Foram dois dias de viagens para o escritório pautados por um referral a um antigo colega, uma reunião no quartel de bradar aos céus e zero vontade para o mega evento (ou nem seria eu!).

A formação de bombeiros já entrou na reta final, e já se aceitam inscrições para o próximo ano. Fomos convocados para uma reunião de alinhamento (em pleno primeiro dia de feira), por haver documentação / assinaturas em falta e, como o justo paga pelo pecador, perdi uma hora e meia de vida para ver um formador fazer o trabalho dele (que devia ter sido feito antes da reunião) e espumar veneno. [Sim, sr. Formador, desculpe lá se tenho a papelada toda tratada e assinada e as avaliações todas preenchidas porque só precisam de me pedir uma vez.] Tudo para perceber que como houve dois colegas que não estiveram presentes e têm documentos por assinar, vai continuar tudo em águas de bacalhau. Mas pronto, "nos próximos dias" seremos promovidos, teremos uma boina na cabeça e só fica na aventura quem quiser mesmo.

Simultaneamente, chegou a altura de abandonar a vida louca. Há pequenos / grandes gatilhos que nos empurram nas mais diversas direcções, eu tenho a sorte (ou o azar) de acumular gatilhos destes a torto e a direito e chegou o momento de "saltar fora". A pessoa capaz que habita em mim diz que fez escolhas manhosas na vida para perseguir o que lhe trazia paz e a deixava tranquila, escolhas boas demais para deitar no primeiro caixote do lixo. Não foi fácil caminhar até aqui, aprender, aceitar e sentir orgulho do meu valor, organizar a minha casa, a minha vida e aprender a gostar de mim, sentir que preciso ser eu e estar bem para criar uma mini me plena... Portanto, não me vou encolher para caber, não me vou contentar com migalhas, vou escolher-me e acumular aprendizagens.

Primeiro eu, depois eu, na dúvida eu, a seguir a minha mini me (de preferência nos meus braços, sem youtube e a aprender que quem manda sou eu). E um peito aberto, não alcoolizado, para receber quem quiser mesmo entrar e fazer sala e ser feliz comigo. Estou pronta para a reentré.

Boa semana!

12 de agosto de 2026

Noites de pagodinho

"Algures no tempo e no espaço, numa festa noturna, houve um menina mascarada que se meteu com um menino igualmente mascarado (diria que se meteu com vários, mas isso também não interessa nada). Esse menino era conhecido de longa data e, quis o destino, que se encontrassem naquele noite, depois de anos sem se cruzarem.

Nessa noite (diz quem se lembra), deu-se o reinício de uma amizade adormecida pelo tempo (e pela geografia também).

Conversa puxa conversa, que isto de não se ver pessoas durante anos assim o exige, o menino e a menina foram ganhando confiança um no outro e tiveram grandes desabafos, desabafos esses que mostravam em palavras traços de corações feridos e fechados...

As conversas deram origem a cafés, a minis, a passeios e saídas juntos e aos poucos ambos os corações feridos, magoados e fechados começaram a abrir um pouco e a dar o benefício da dúvida."

6 de agosto de 2026

Sobre a boina

Olá, pessoas giras!

Se são daqueles que já estão fartos de me ouvir debater o tema dos bombeiros, podem dar já meia volta que isto hoje vai ser a doer.

Na semana passada, andei a panicar com o facto de ter "reprovado" na formação de incêndios florestais (o que não deixar de ser algo bastante interessante porque acabei por passar com 18.6, uma das minhas melhores notas).

Toda a situação idiota à volta deste processo de aparecer na plataforma como reprovada, gerou em mim um desconforto gigante e abriu-me os olhos para toda uma estrutura e uma forma de funcionar que não se alinha com os meus valores. Ou seja, quinta-feira informei um graduado, no sábado informei outro e na segunda-feira informei o terceiro  toda a cadeia de comando que podia / devia estar a par deste tema. Ontem entrei na plataforma e verifiquei que a situação já está regularizada (acredito mesmo que deixaram passar os prazos para lançar as notas e, por defeito, a escola colocou-nos todos como reprovados, ainda que nem todos tenham dado conta). Hoje é outra vez quinta-feira (pasmem-se, ainda sei os dias da semana!) e eu continuo sem resposta, ninguém se dignou a responder nada, nem um simples ("foi um lapso na plataforma e vai ser resolvido").

Entretanto, enchi-me de coragem e ontem, depois de um dia no escritório em Lisboa, apareci no quartel para fazer umas horas de "estágio". Aquele "estar sem saber o que fazer", aquela espera sem saber se há serviço ou não, aquele sentimento gigante de ser uma tangerina no meio dos alhos chochos, aquele ambiente machista e aquela constatação do "dificilmente me vão ensinar alguma coisa, estão à espera que eu questione, tente desenrascar-me e aprenda assim" bateu-me com demasiada força.

Eu que sempre atribui um valor gigante a esta formação e a todo o percurso até colocar a boina na cabeça, neste momento penso gigantescamente diferente. A formação que eu considerava mais relevante, mostrou-me que, no fundo, não é ali que se aprende nada e, só por aí, já derrubou mais de metade dos meus sonhos, porque ninguém nasce ensinado, e se não for ali que aprendo algo que é completamente fora da minha realidade, vai ser onde!?

Depois, iniciou-se a fase de olhar à volta. Mais de 85% daquela gente está lá porque precisa do dinheiro e faz daquilo vida. Poucos são aqueles que estão ali porque acreditam na missão e abdicam do seu tempo livre por um bem maior e, desses, se não existisse uma recompensa monetária são poucos os que continuavam a aparecer.

Eu sou uma privilegiada e estou grata por isso. Tenho um bom emprego, na minha área, que paga decentemente, consegui que o trabalho ficasse naquele lugar próprio em que não me tira horas de sono e em que nem sempre concordo com os colegas ou com a chefia mas não me coloco em dinâmicas tóxicas ou "diz que disse" manhosos. Portanto, porque preciso fazer algo que contraria isto no meu tempo livre e por uma recompensa que não é em nada comparável!? A resposta correta é: não preciso!

Gostava de fazer dois machos felizes ao serem os meus padrinhos!? Gostava. Gostava de sentir aquele orgulho de chegar ao fim e colocar a boina na cabeça!? Gostava. Gostava de não desapontar as 20 pessoas que acreditaram em mim, sem que eu o fizesse, e que me ajudaram a chegar até aqui!? Gostava. Se sinto que é muito mais honesto e lógico desistir já, sem andar a roubar tempo às pessoas que nos tentam ensinar, sem avançar com processos burocráticos que não vão levar a lado nenhum, sem ser promovida e sem receber a boina!? Sim (é um sim duro, triste, mas honesto).

Se ando a trabalhar em mim, a descobrir quem sou, a fazer o meu próprio despertar e alinhar-me com o meu propósito, tenho zero necessidade arrastar isto e de me enfiar naquele ambiente corrosivo mais tempo.

Muito grata à alminha que atravessou a minha vida para que eu aprendesse a confiar e me abriu os olhos para um mundo em tons de arco íris (não tem que ser tudo preto e branco): "Salta fora" vai ser uma expressão que vou levar para a vida.

Boa semana!

4 de agosto de 2026

A minha energia 2026

Nada como pesquisar eventos no blog e encontrar um post desta natureza como lembrete para rever o estado da nação (leia-se "o meu alinhamento energético).

Os meus resultados estão aqui:
Raiz:             sob-ativo  (-19%)
Sacro:             aberto  (38%)
Umbilical:     sob-ativo  (-12%)
Cardíaco:     aberto  (31%)
Laríngeo:     aberto  (12%)
Terceiro Olho:     aberto  (12%)
Coronário:     sob-ativo  (-6%)


O Chakra da Raiz é sobre ser fisicamente lá, e o sentimento em repouso nas situações. Se você tender a ser medroso ou nervoso, seu Chakra da Raiz é provavelmente sob-ativo. Você não se sentiria facilmente bem-vindo.

O Chakra Sacro é sobre o sentimento e a sexualidade. Quando está aberto, seus sentimentos fluem livremente, e se expressam sem você perceber que é sobre-emocional. Você está aberto à intimidade e você pode ser passional e vívido. Você não tem nenhum problema em tratar de sua sexualidade.

O Chakra Umbilical é sobre afirmar-se em um grupo. Quando é sob-ativo, você tende a ser passivo e indeciso. Você é provavelmente tímido e não tem o que você quer.

O Chakra do Cardíaco é sobre o amor, a bondade e a afeição. Quando está aberto, você é piedoso e amigável, e você trabalha em relacionamentos harmoniosos.

O Chakra da Laríngeo é sobre a auto-expressão e falar. Quando está aberto, você não tem nenhum problema expressar-se, e você pode se passar por um modo artístico.

O Chakra do Terceiro Olho é sobre a introspecção e o visualização. Quando está aberto, você tem uma boa intuição. Você tende a fantasiar.

O Chakra da Coronário é sobre a sabedoria e ser um com o mundo. Se for sob-ativo, você não está muito ciente da espiritualidade. Você provavelmente, é completamente rígido em seu pensar.

Para mais tarde recordar... Daqui.

31 de julho de 2026

Outra vez os bombeiros

 Olá, pessoas giras!

O dia de ontem foi bastante intenso, maioritariamente por intervenção nada divina referente ao mundo dos aspirantes a bombeiros, e preciso vir aqui exorcizar e pôr as ideias no sítio.

De manhã, foi partilhada a escala de serviço para os dias da feira e, os estagiários, foram incluídos sem que lhes fosse dado qualquer contexto sobre o serviço, sobre a inclusão na escala e sem que lhes fosse solicitada qualquer disponibilidade. Eu estava em modo laboral e nem vi tal missiva, entretanto, recebi um telefonema de uma colega minha da recruta a destilar veneno sobre o tema (que não podem pôr e dispor da vida das pessoas, que nem sabem se as pessoas têm planos, que não se preocuparam em pedir disponibilidade...) e entrei em modo ventilação, sem paciência, sendo que o único tema que me incomoda mesmo é a forma como as coisas (não) são comunicadas.

Fui para a minha reunião de revisão de desempenho de meio do ano (que ficará toda ela para um só post) e, no final, já tinha mais umas 20 mensagens sobre o tema e o meu sistema nervoso entrou em sobrecarga total. O tema bombeiros é complicado, nós não somos todos iguais, não estamos todos na mesma fase da vida, não temos todas as mesmas aspirações e nem reagimos todos da mesma forma.

Honestamente, estar escalada para o primeiro dia de feira a sério, das 20h de sexta às 8h de sábado, até me pareceu algo bastante fofinho. Eu não sou uma pessoa de manhãs, tinha a sorte de fazer um horário simpático mesmo com as velhotas a desmaiar em modo Tony Carreira. Era despachar o serviço e curtir os restantes dias da feira.

De tarde, caí na asneira de abrir a plataforma da formação (porque é mesmo um hábito meu de vez em quando ir lá ver o estado da nação) e recebi um gigantesco murro no estômago. Fui reprovada na formação de incêndios rurais que ocorreu em Março. Problema: desta vez eu fui capaz de ouvir o meu corpo, aquele revolver do estômago, aquele acelerar do coração, aquele desespero do modo de fuga ativo e as lágrimas a escorrerem pela cara.

Eu tenho, desde sempre, problemas com "não ser perfeita". Aquela pauta algures no 6º ano, com um quatro e o resto tudo cincos ainda hoje me persegue. Aquela sensação de não ser suficiente, ditada por um número, um dia, um momento, sempre foi algo que não soube interpretar. E voltei a sentir isso tudo ontem, mas num contexto mais manhoso e com requintes de malvadez.

Não há mal nenhum em chumbar, eu sei perfeitamente que é uma profissão exigente fisicamente e as circunstâncias da vida naquela altura eram completamente diferentes (estava a terminar uma semana de tratamento com Pylera e restrições alimentares), mal preparada a nível físico. Agora, esperarem até ao final da formação, sabendo que deixava de existir a possibilidade de repetir o módulo noutro sítio e sentirem que era a única forma de me manterem lá para terem o número mínimo de pessoas para levar a formação até ao fim, roça a falta de respeito e de consideração. Nem é frustrada por falhar, é revoltada por nem terem sido capazes de me dizer.

Simultaneamente, aquela sensação de fracasso, em que as mentes pequeninas que frequentaram a formação comigo, para ingressarem nos bombeiros, só com o objetivo de conhecerem mais fauna masculina, seguem em frente. Devia estar muito agradecida, é um favor que me fazem cortar-me as pernas porque eu também não seria capaz de desistir, e se é para ser comparada com este tipo de pessoas mais vale saltar fora. Não tenho perfil para bombeira porque me falta força física e humildade, ok, mas sejam homenzinhos para me assumir isso e me dizer isso na cara.

Boa semana!

23 de julho de 2026

As festas de Fernão Ferro

Olá, pessoas giras!!

Por aqui, toda a vida avança num novo registo.

A música que se ouve numa base diária mudou (entre a música de fundo para foco total no trabalho, as sessões de Reiki em modo ASMR e as músicas da sétima essência a valorizar a mulher, nem sei qual foi a mudança maior).

Uma loira diferente entrou na minha vida. Accionou o meu gatilho "lá vou eu tentar outra vez ter uma amiga mulher para dar asneira daqui a 3 ou 4 semanas" mas dei lhe o benefício da dúvida. Acho que nos conhecemos minimamente no final de Junho, "colámos" no 11 e 12 de Julho, portanto, ainda está tudo dentro do prazo e não tenho desejos de revelar o meu lado besta ou calhau com olhos.

Eu vou ser sempre uma gaja de atos espontâneos e de surpresas simples e básicas, com o chip de quem tem "compromissos" ligado (quer sejam crianças, companheiros, piriquitos ou família), apelei à minha falta de noção e apareci onde não era esperada. [Sempre a viver a velha máxima do "faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti".]

O plano era conhecer um talho e jantar num lugar diferente, quando dei por mim tinham passado 3 horas, nada de jantar, e já tinha gargalhado tanto que a vontade de ir para casa era zero. Acabei na "feira" de Fernão Ferro, o mega acontecimento do ano da cidade.

Pessoas, eu sou de Grândola. Todo e qualquer evento que seja mais pequeno do que o nosso mercado mensal não tem a menor possibilidade de ser considerado uma feira, na loucura, chamem-lhe festa. Qualquer ajuntamento ou celebração pode ser uma festa, mas quem vive a feira de Grândola ganha uma certa incapacidade de chamar feira a qualquer mini evento.

Felizmente, foi uma das melhores festas de sempre (fez lembrar me as festas de Alvaiázere a que fui em tempos muito idos, quando ainda achava que as amizades das tunas - que não a minha - eram para a vida, em que fomos comprar rifas da quermesse, para ganhar o maior recipiente que houvesse para beber cerveja). Aquela magia de ir a um ajuntamento de gente, para comer e beber, com música por todo o lado e, cereja no topo do bolo, ninguém te conhece!

Portanto, foi um lembrete ativo que a feira de Grândola não vai ser fácil para mim, que é melhor começar já a trabalhar no tema, enquanto me permiti ser eu, rir com vontade, observar mais do que falar e conseguir estar comigo (só comigo) sem qualquer tipo de stress ou incómodo.

Mesmo com a viagem de uma hora até casa, para me dedicar ao descanso, fui feliz!
Sejam felizes por aí também!

20 de julho de 2026

Corrida Atlântica 2026

A Ultra Maratona Melides Tróia é épica. São 40 e muitos quilómetros feitos na areia da praia pelos "duros" e os "fortes", aqueles atletas hiper-preparados que enfrentam de ânimo leve qualquer tortura.

A prova Atlântica é aquele "miminho" para quem não quer ficar de fora. Este ano, foram 16km da Comporta a Tróia. Eu fui e cheguei ao fim. Tenho um orgulho gigante por ter ido, por ter feito parte, e por continuar a acreditar em mim.

Se quis bater em quem escolheu este dia, com esta maré, que me fez andar "de lado"!? Sim! Se senti que me saiu do couro e acredito que amanhã nem ando!? Sim! Se estou aqui com cravada em dores e com um sorriso de orelha em orelha!? Também!

Obrigada à família que estrebucha e reclama e que me ajudou a tornar este objetivo em "concluído com sucesso".

Este foi o post que escrevi ontem no Facebook, que relata a minha última aventura, com um mini sabor amargo (só para alimentar o meu lado pessimista, porque não tenho a menor dúvida que é uma sensação sem sentido e sem sustentação).

Há dois anos fiz esta prova, de 15km em 2h15, pouco tempo depois de ter tido uma crise de tensão alta e ter sido diagnosticada com hipertensão. Tive uma parceira incrível que me dizia "se andamos tão rápido como os outros correm, estamos bem", ambas tínhamos medo de correr e esticar a corda, portanto, não conseguimos tirar partido do piso espetacular que tivemos pela frente.

Este ano, embora soubesse à partida que a maré era ruim, e que a prova teria mais um quilómetro, ia com a convicção que me tinha preparado melhor (e preparei, achei que hoje não andava e a minha mobilidade está de volta e já sinto a anca e tudo), e coloquei a expectativa alta demais. Queria fazer a prova em duas horas (16km - 120min - 7:30min por km). Só que... Ninguém me explicou quão ruim é correr de lado e ao fim dos primeiros quatro quilómetros a bacia já parecia toda desencaixada e forçou em excesso todo o que não era suposto. A coach deste ano, mandou-me géis para ir recuperando as forças, o meu cardio nunca foi espetacular mas acompanhou e eu fui traída pela parte em que estava mais segura: as pernas!

Fiz a prova em 2h18, só mais 3 minutos para mais um quilómetro, cheguei ao fim e com um tempo excelente. Aprendi a custo que são as expectativas que nos lixam, queria melhor mas tenho um orgulho gigante porque ter feito orelhas moucas às opiniões do meu pai e da minha irmã. Soube bem fazer a chegada à meta a ouvir: "enganaste-me, achei que só chegavas daqui a meia hora, nem me preparei para a foto".

A prova este ano foi dura, já vi videos e partilhas de atletas bem mais experientes que sentiram o mesmo que eu. Não devia servir de alento, mas a validação nunca fez mal a ninguém e fico ainda mais orgulhosa da minha conquista. Até para o ano e que até lá não me doa nada (excepto o dedo do pé que tem a unha que matei ontem indecisa se caí ou se aguenta firme).

13 de julho de 2026

Leitura, conversa, amor e Ele

Sexta-feira foi dia de experiências novas.

O Universo surpreende nos de formas bastante engraçadas e a vaga para uma consulta alternativa que eu esperava desde quarta-feira à noite, prevista inicialmente para o final de Agosto, caiu-me no colo (um dia e pouco depois).

A Neuza é uma mulher incrível, com um dom muito especial de ver para além desta dimensão e partilhar os ensinamentos que esses contactos lhe proporcionam. Sei bem que com esta capacidade especial vem uma grande responsabilidade e, não só por isso, admiro-a imenso. Estou grata porque os nossos caminhos se cruzaram.

Este momento, foi para falar sobre mim e sobre os meus traumas, para permitir avançar nesta minha caminhada de me conhecer a mim própria e me amar um pouco mais. E acabei a descobrir um amor maior, um amor que inunda o peito de luz para me fazer sentir plena e tranquila (sem falar dos 3 centímetros extra que ganhei para encher quando respiro fundo).

Num instante inicial, fiquei chocada por não ter que esconder o maior trauma da minha vida "o que te aconteceu por volta dos 6/7 anos" e por perceber que as nossas relações anteriores se podem ancorar a nós e sugar parte da nossa essência. Só que a certeza que o avô Chico (da boina), a avó Isabel (baixinha e de óculos) e o tio Amílcar (o brincalhão da motorizada) estão comigo a testemunhar esta jornada, como eu sempre senti, dissipou todas as minhas dúvidas.

É duro ouvir / sentir que "O teu pai ainda está cá? É como se só tivesses mãe, o que aconteceu com vocês?". Quase tão duro como "agora és tu a ovelha negra da família que veio quebrar padrões, para o teu bem e da Catarina". Mas ganho uma convicção redobrada que estou no caminho certo, a fazer o que sinto alinhado comigo e a desbravar uma nova consciência.

Conversei com a minha criança interior e expliquei lhe que ela já pode sentir, expressar-se, fazer asneiras, ser pouco perfeita e dar trabalho, pode brincar sem se encolher para caber e agradar, porque o meu eu adulto está aqui pronto para a proteger. No fundo, ela cresceu e tornou-se uma mulher forte, decidida, próspera e capaz de se sustentar, a si e aos seus (abraçando a família que sou neste momento, eu e a Catarina).

Ao perceber isto, foi altura de assumir que as linhagens de trauma terminam em mim; que os padrões de comportamentos, pensamentos e acções tóxicas têm os dias contados; que aceito, respeito e estou grata por tudo o que veio antes de mim, da minha ancestralidade, e está na hora de deixar ir o que acrescenta pouco valor.

Como se não bastasse, ouvi-la falar das minhas relações sem que eu lhe contasse nada e do percurso que tenho feito para me curar através do outro, fez-me sentir acolhida. Sempre soube que todas as pessoas cruzam a nossa vida por um motivo e tenho uma clareza gigante para identificar esses motivos nas diferentes situações. A minha pessoa ainda está por vir e está tudo bem, há muito trabalho para fazer junto com as que já chegaram.

A caminhada começou tarde, mas tem tem tudo para vingar e ser bem sucedida - só depende de mim!

9 de julho de 2026

Outra noite estrelada


Os puzzles foram desde sempre uma companhia excelente para mim, trazem um silêncio especial e um "desligar" da vida que continua a acontecer lá fora. Como se não bastasse, sempre associei os puzzles a obras de arte pelas quais nutro um carinho especial e isso torna a aventura ainda mais aliciante.

A noite estrelada vai ser sempre uma parte gigante da minha história. Fui com uma amiga a Amesterdão, ao museu do Van Gogh, para descobrir que esta pintura em específico tinha sido oferecida ao Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque. E o que é que nós fizemos!? Planeamos nova viagem para um destino ainda mais brutal.

Este ano, no meu aniversário, a minha filhota foi com o pai escolher uma prenda para mim e diz que assim que viu o puzzle disse logo que sabia que a mãe ia gostar. Não se enganou.

Já não foi a primeira vez que fiz este puzzle. Amo cada detalhe, cada traço, cada pincelada, porque sinto que ao longo dos anos as noites estreladas foram crescendo dentro de mim e iluminando cada pedacinho do meu ser. A primeira versão esteve durante muitos anos pendurada no quarto dessa minha amiga e, entretanto, perdi-lhe o rasto. Desta vez, sinto e sei que vai merecer uma moldura a sério, um quadro por medida. E talvez acabe a iluminar a parede da minha sala.

As noites estreladas fazem-me feliz, lembram-me que nem toda a gente tem a oportunidade de olhar para o céu e sorrir a contar estrelas (grande parte das vezes porque o barulho das luzes não permite). No fundo, estamos todos debaixo do mesmo céu.

3 de julho de 2026

Lista de afirmações

A loira da minha vida pediu-me uma lista de afirmações que eu faço, para mim mesma, quase diariamente, para tentar identifica traumas que possam estar a sustentar ou boicotar esses desejos internos.

Eu não quero um homem que me sustente monetariamente e quero um homem que possa ser o meu ombro emocional (se souber cozinhar ainda melhor).

Vou beber um galão para acordar (continuo sem ver o pequeno-almoço como a primeira refeição do dia e apenas como um empurrão para começar o dia).

Eu posso fazer isto ao final do dia, que é rápido, porque ainda estou meio a dormir.

Eu não me importo de ir ao escritório duas vezes na semana em que não tenho a Catarina comigo, desde que na semana em que ela está comigo vá só uma.

Detesto ter que ir para Lisboa só por causa do trabalho (parece que me esqueço que é lá que tenho as conversas mais genuínas e interessantes).

O David ainda é um problema meu porque eu sou a mais estável a nível emocional / mental.

De cada vez que a Catarina me bate e me dá pontapés, penso que estou a criar uma delinquente e culpo-me só de pensar assim. A regulação emocional ainda é muito difícil (especialmente com cansaço envolvido ou situações em que a tenho que contrariar) e como eu sou a pessoa com quem se sente segura, calha-me a mim.

Eu não preciso que a minha mãe me ajude com as rotinas da Catarina (passar tempo com a neta parece ser das poucas coisas que ela faz com vontade e sem cobrança).

Ser mãe não é para mim, devia ter seguido as minhas convicções.

Eu ainda quero casar outra vez.