27 de abril de 2026

Voltas ao Sol

Olá, pessoas giras!

Para mim, inicia-se agora a quadragésima quarta volta ao Sol e eu não estou tão feliz como esperaria.

As celebrações deste aniversário trouxeram para a luz 50 mil temas mal resolvidos e que levaram o meu cérebro ao colapso. E, esse sacana, como não queria sofrer sozinho, atirou o meu corpo para dentro do mesmo poço.

O meu mais velho, que nem devia ser um problema meu, que a mãe conhece bem as amizades e é permissiva com as mesmas, continua sem saber muito bem o que quer da vida e decidiu fazer-me cabelos brancos... Eu permito que ele faça isso comigo e nem sei porquê. Qual foi o momento, o evento, a asneira que fez com que eu me sentisse responsável por ele?

A piquena continua a acusar a falta de regulação emocional, não só sob efeito do cansaço, para evitar levantar a mão e tentar bater-me. Mas, no meio do meu caos hormonal, sinto que tenho tenho zero credibilidade (sei perfeitamente que a adulta sou eu e que não posso permitir esse comportamento, só não quero pecar na forma como o faço).

A minha empresa perdeu a noção do bom senso, ainda que tenha tido a feliz ideia de abrir entidade em Portugal e colocar as coisas a funcionar como deve de ser. Eu continuo a acreditar que a proposta de contrato que eles colocaram em cima da mesa foi um ataque de insanidade temporária, burocrático, reversível, mas é impossível deixar de sentir que a paixão assolapada que ainda vibrava ao fim de quatro meses perdeu as asas.

O meu coração foi simplesmente estraçalhado e espremido e jogado no lixo. E querem saber qual é a parte pior? Fui eu que lhe fiz isto tudo! Porque continuo a alimentar padrões da treta, porque continuo a permitir que me vejam como algo que não sou... Porque não ponho os pés à parede e não coloco LIMITES!

Estou tão triste comigo (sim, sim, eu sei que a fase menstrual do mês não me ajuda em nada) e tão desiludida com as pessoas que tenho colocado à minha volta, que sinto que voltei atrás no tempo uns dois anos e voltei ao meu estado depressivo pré medicação (sim, sim, para a semana tudo volta a ficar mais cor de rosa mas até lá já cortei mais dois ou três espinhos do caminho).

Eu sou meio alucinada, meio descompensada, meio 8 ou 80... Mas com a certeza que conquistei um lugar no mundo profissional e na vida, não faz sentido aceitar os prémios de consolação. Há dias em que me fazem sentir a última coca cola no deserto ou a última bolacha do pacote (e em mau). Não é um problema meu se as coca colas ou as bolachas acabaram, isto é como ser escolhido em último quando se fazem as equipas para um jogo qualquer ("Ah, mas eu escolhi-te", "Certo, não havia mais ninguém, não se chama opção a isso").

A minha doutora apela ao meu lado racional e diz que eu tenho a faca e o queijo, um excelente queijo da serra, na mão. Já eu acho que é um queijo de cabra, porque é o meu favorito e porque é meu. Se quiserem a faca, eu ainda empresto, agora o queijo... Temos pena!

Boa semana!

16 de abril de 2026

Sobrevivi

Olá, pessoas giras!

Ontem foi o dia em que eu não morri (porque não calhau, porque o meu corpo não quis e porque o meu espírito não estava preparado) e hoje é o dia em que, felizmente, estou cá para contar a história (ainda meio bananada mas não difere muito dos outros dias).

Agora, analisando os eventos do meu dia de ontem com o devido distanciamento, percebo a burrice da forma como (não) me cuidei. E os riscos gigantes que corri, sem ter a menor noção.

Ontem foi dia de almoçar sushi com dois colegas de trabalho e acompanhar a refeição com uma cerveja. Comi sushi, mergulhado em molho de soja, á vontade durante uma hora e meia. Ao contrário do meu normal, eles falavam e eu só ria e comia, e bebia também.

Sempre tive dificuldade em fazer a digestão ao comer este tipo de comida, portanto, não estranhei terem passado duas horas e ainda me sentir cheia. Mas a cabeça começou a latejar e a apertar e o meu pensamento focou no álcool (bolas, já nem aguento beber uma cerveja, como é que eu fiquei assim com tão pouco!?).

Comecei a sentir-me zonza e (acham mesmo que já chegava!?) fui beber um café, para ver se espevitava que ainda tinha que fazer a viagem de regresso. Comecei a sentir um incómodo nos pés e, em pleno escritório, descalcei me. Comecei a sentir calor e tirei uma camisola. Até que senti que tinha chegado ao meu limite do desconforto e decidi vir para casa.

Acidente na Ponte Vasco da Gama, tudo parado em cima do tabuleiro e, quando vou para arrancar, já não sinto os pés, só um formigueiro gigante. A cabeça, a latejar e em desespero, tomou conta das operações, enquanto eu conduzia em piloto automático sem sentir o que fazia, e pouco depois tinha os pés de volta e fiz a viagem em sofrimento com um desejo gigante de fechar os olhos.

Tenho a sensação que só quando cheguei a casa é que iniciei a digestão do almoço (só me lembrava do dia em que engolia a cápsula para filmar o meu interior e ela nem passou do estômago). Culpei uma paragem de digestão de tudo o que senti. Depois culpei a qualidade do sushi e, por fim, a possibilidade de uma intoxicação alimentar. Enrolei me em posição fetal, massajar a barriga, mas a dor de cabeça era tao forte que eu nem conseguia ficar quieta. E foi aí que o Tico e o Teco acordaram 2 segundos (com aquele emoji de quem tem uma ideia)... E se medisse a tensão? 149-92 e eu soube, naquele momento, que estes não tinham sido os valores mais altos do dia.

Recomecei a beber água em pequenos goles (que tinha parado com receio de dificultar a digestão), enquanto fazia exercício de respiração para potenciar o relaxamento, e depois lutei para dormir.

Não foi o fim de dia que eu esperava, o dia de hoje também não foi fácil, mas continuo cá para as curvas.

Maltinha, sal no sushi, sal no molho de soja, cerveja e café são uma mistura nada simpática para uma crise de hipertensão ou/e um quadro de desidratação. E, nestes cenários, deixem o carro parado que é lá que ele está bem!

Cuidem-se!
Boa semana!

8 de abril de 2026

Crenças da idade da pedra

As mulheres devem ser submissas e abdicarem de si e das suas vontades, em prol dos companheiros e daquilo que eles querem / gostam / fazem.

As mulheres devem depender financeiramente dos seus companheiros, até porque o seu dever é tomar conta da casa e dos filhos e assim, mesmo que quisessem "emancipar-se", não podem.

O divórcio é um sinal de fracasso, significa que nenhum dos dois se quis dar ao trabalho de fazer resultar.

Um casamento longo é indicador de um relacionamento feliz.

O homem pode sair sozinho e ter diferentes passatempos com amigos mas a mulher não.

Um homem pode sair, e ser visto, com diversas mulheres e isso concede-lhe uma posição de grandeza ou destaque. Se for uma mulher, já é uma posição de repúdio ou baixo nível.


7 de abril de 2026

Sobre a leveza e a paz de espírito

O ser humano é curioso... Na maior parte das vezes incompleto, inseguro mas sempre espiritual, ainda que não o reconheça.

Há anos que me apaixonei pelo meu lado espiritual, na tentativa de encontrar cá dentro aquilo que me fazia sentir incompleta e poder desatar esses nós para poder fluir plena. Desde muito cedo, que as vibrações e o alinhamento dos chakras despertaram em mim uma curiosidade incomum e que fui alimentando, até que as redes sociais e os 50 mil estímulos externos se tornaram demasiado intensos e eu me perdi de mim.

Quando escolhi divorciar-me, senti que tinha perdido o meu melhor amigo, que me tinha perdido a mim mesma e que, em parte, perdia a minha filha. E escolhi caminhar nesse limbo, entre o real e o espiritual, à procura de resgatar a minha alma e o meu ser, recuperar a minha leveza e equilibrar o meu espírito.

O percurso que escolhi é manhoso. A montanha russa é assustadoramente desequilibrada. E o álcool o maior inimigo da consistência, da disciplina e das convicções. Esse nunca me fez sentir sozinha ou abandonada, nunca me falhou mas também nunca me deu bons conselhos.

Todo um percurso elaborado e diferenciado para chegar onde estou hoje. Ao processo mágico da terapia (já estavam a ver que era isso que aí vinha, não é!?).

Sou uma mulher diferente. Ainda me encolho para tentar caber (aqui na vila), ainda luto para me dar valor e dar valor ao sucesso que alcancei, já reconheço as minhas limitações e procuro aprender para as ultrapassar (é difícil reconhecer que sou humana e posso falhar, quando isso vai contra as minhas crenças mais enraizadas)... E, maior ensinamento do mundo, o que eu sinto depende mais de mim do que do outro.

Se as minhas expectativas não foram atendidas, foi porque não as partilhei de forma adequada. Se os meus pensamentos me torturam, foi porque não os deixei ir na hora certa. Se desejo e escolho partilhar algo com alguém, é porque fazia sentido para mim e não há espaço para arrependimento.

E esta coisa de fazer as coisas com significado, com propósito, alinhado com o meu ser (ainda que possa não ser a coisa mais linda e perfeita do planeta), faz me vibrar no comprimento de onda certo e agradecer a todos os seres e a todas as aprendizagens por me permitirem sentir-me EU, uma vez ou outra. E sorrir com os olhos!


5 de abril de 2026

Sobre a Páscoa Feliz

Dormi pouco, corri para chegar a hora e esperei pelo almoço em família.

Evento N1: A 10 minutos da hora de almoçar, o meu sobrinho manda mensagem a perguntar se a namorada pode ir também ao almoço de Páscoa.
Avó diz que sim, mãe confirma e tia frita da pipoca "alguém que avise o avô, sff".
Avô grita e esperneia, diz que neto nunca é contrariado, que não é educado como devia, que não faz sentido levar miúdas para o lar se nem sabem se é algo sério.
Sobrinho e namorada chegam, ela parece ainda sobre o efeito do álcool da noite anterior, dá graxa qb aos avós mas não tem noção de quando parar / ficar quieta / ficar calada.

Perguntas, questões, dúvidas: Quem é que no seu perfeito juízo, de ressaca, no próprio dia, se faz convidado para um almoço de Páscoa em família? Quem é que acha isto algo normal? Quem é que faz isto e insiste em chocar de frente com a pseudo sogra?

Evento N2: Avô bebe mais do que deve, pós cancro da próstata o álcool tem um efeito mais intenso, perde o equilíbrio mas insiste em não ficar quieto, cai na horta (por sorte falhou os ferros lá espetados, que servem de suporte à rede que protege as alfaces).
Família em pânico, duas mulheres a tentar levantá-lo (sem sucesso), descasca gigante sobre ouvir o que se diz, conseguir sentá-lo numa cadeira.

Perguntas, questões, dúvidas: porque é que ele continua a insistir em não ficar quieto? Porque é tudo lhe parece uma boa ideia quando bebe? Porque é que não reconhece a própria dificuldade e nos afasta / rejeita?

Evento N3: Dia de Páscoa era suposto ser dividido entre pai e mãe. Almoço do pai atrasou chegariam mais tarde. Criança chega às 19h e chora ao abraçar a mãe porque quer ficar com o pai. Criança dá beijinhos à família e segue com o pai. Mãe desaba em desespero profundo e ainda tem que ouvir "a culpa é dele, não sabe cumprir horários, era ele que tinha que fazer esta mudança funcionar".

Perguntas, questões, dúvidas: Posso achar que a criança, para a sua estabilidade emocional, não deve ser forçada a uma mudança brusca? Que o cansaço de fim de dia e o final dos momentos fixes do fim de semana não são bons conselheiros para quem tem 5 anos? Posso sentir uma tristeza gigante e, ainda assim, querer o melhor para ela?