Olá, pessoas giras!
Na semana passada, andei a panicar com o facto de ter "reprovado" na formação de incêndios florestais (o que não deixar de ser algo bastante interessante porque acabei por passar com 18.6, uma das minhas melhores notas).
Toda a situação idiota à volta deste processo de aparecer na plataforma como reprovada, gerou em mim um desconforto gigante e abriu-me os olhos para toda uma estrutura e uma forma de funcionar que não se alinha com os meus valores. Ou seja, quinta-feira informei um graduado, no sábado informei outro e na segunda-feira informei o terceiro toda a cadeia de comando que podia / devia estar a par deste tema. Ontem entrei na plataforma e verifiquei que a situação já está regularizada (acredito mesmo que deixaram passar os prazos para lançar as notas e, por defeito, a escola colocou-nos todos como reprovados, ainda que nem todos tenham dado conta). Hoje é outra vez quinta-feira (pasmem-se, ainda sei os dias da semana!) e eu continuo sem resposta, ninguém se dignou a responder nada, nem um simples ("foi um lapso na plataforma e vai ser resolvido").
Entretanto, enchi-me de coragem e ontem, depois de um dia no escritório em Lisboa, apareci no quartel para fazer umas horas de "estágio". Aquele "estar sem saber o que fazer", aquela espera sem saber se há serviço ou não, aquele sentimento gigante de ser uma tangerina no meio dos alhos chochos, aquele ambiente machista e aquela constatação do "dificilmente me vão ensinar alguma coisa, estão à espera que eu questione, tente desenrascar-me e aprenda assim" bateu-me com demasiada força.
Eu que sempre atribui um valor gigante a esta formação e a todo o percurso até colocar a boina na cabeça, neste momento penso gigantescamente diferente. A formação que eu considerava mais relevante, mostrou-me que, no fundo, não é ali que se aprende nada e, só por aí, já derrubou mais de metade dos meus sonhos, porque ninguém nasce ensinado, e se não for ali que aprendo algo que é completamente fora da minha realidade, vai ser onde!?
Depois, iniciou-se a fase de olhar à volta. Mais de 85% daquela gente está lá porque precisa do dinheiro e faz daquilo vida. Poucos são aqueles que estão ali porque acreditam na missão e abdicam do seu tempo livre por um bem maior e, desses, se não existisse uma recompensa monetária são poucos os que continuavam a aparecer.
Eu sou uma privilegiada e estou grata por isso. Tenho um bom emprego, na minha área, que paga decentemente, consegui que o trabalho ficasse naquele lugar próprio em que não me tira horas de sono e em que nem sempre concordo com os colegas ou com a chefia mas não me coloco em dinâmicas tóxicas ou "diz que disse" manhosos. Portanto, porque preciso fazer algo que contraria isto no meu tempo livre e por uma recompensa que não é em nada comparável!? A resposta correta é: não preciso!
Gostava de fazer dois machos felizes ao serem os meus padrinhos!? Gostava. Gostava de sentir aquele orgulho de chegar ao fim e colocar a boina na cabeça!? Gostava. Gostava de não desapontar as 20 pessoas que acreditaram em mim, sem que eu o fizesse, e que me ajudaram a chegar até aqui!? Gostava. Se sinto que é muito mais honesto e lógico desistir já, sem andar a roubar tempo às pessoas que nos tentam ensinar, sem avançar com processos burocráticos que não vão levar a lado nenhum, sem ser promovida e sem receber a boina!? Sim (é um sim duro, triste, mas honesto).
Se ando a trabalhar em mim, a descobrir quem sou, a fazer o meu próprio despertar e alinhar-me com o meu propósito, tenho zero necessidade arrastar isto e de me enfiar naquele ambiente corrosivo mais tempo.
Muito grata à alminha que atravessou a minha vida para que eu aprendesse a confiar e me abriu os olhos para um mundo em tons de arco íris (não tem que ser tudo preto e branco): "Salta fora" vai ser uma expressão que vou levar para a vida.
Boa semana!