Sexta-feira foi dia de experiências novas.
O Universo surpreende nos de formas bastante engraçadas e a vaga para uma consulta alternativa que eu esperava desde quarta-feira à noite, prevista inicialmente para o final de Agosto, caiu-me no colo (um dia e pouco depois).
A Neuza é uma mulher incrível, com um dom muito especial de ver para além desta dimensão e partilhar os ensinamentos que esses contactos lhe proporcionam. Sei bem que com esta capacidade especial vem uma grande responsabilidade e, não só por isso, admiro-a imenso. Estou grata porque os nossos caminhos se cruzaram.
Este momento, foi para falar sobre mim e sobre os meus traumas, para permitir avançar nesta minha caminhada de me conhecer a mim própria e me amar um pouco mais. E acabei a descobrir um amor maior, um amor que inunda o peito de luz para me fazer sentir plena e tranquila (sem falar dos 3 centímetros extra que ganhei para encher quando respiro fundo).
Num instante inicial, fiquei chocada por não ter que esconder o maior trauma da minha vida "o que te aconteceu por volta dos 6/7 anos" e por perceber que as nossas relações anteriores se podem ancorar a nós e sugar parte da nossa essência. Só que a certeza que o avô Chico (da boina), a avó Isabel (baixinha e de óculos) e o tio Amílcar (o brincalhão da motorizada) estão comigo a testemunhar esta jornada, como eu sempre senti, dissipou todas as minhas dúvidas.
É duro ouvir / sentir que "O teu pai ainda está cá? É como se só tivesses mãe, o que aconteceu com vocês?". Quase tão duro como "agora és tu a ovelha negra da família que veio quebrar padrões, para o teu bem e da Catarina". Mas ganho uma convicção redobrada que estou no caminho certo, a fazer o que sinto alinhado comigo e a desbravar uma nova consciência.
Conversei com a minha criança interior e expliquei lhe que ela já pode sentir, expressar-se, fazer asneiras, ser pouco perfeita e dar trabalho, pode brincar sem se encolher para caber e agradar, porque o meu eu adulto está aqui pronto para a proteger. No fundo, ela cresceu e tornou-se uma mulher forte, decidida, próspera e capaz de se sustentar, a si e aos seus (abraçando a família que sou neste momento, eu e a Catarina).
Ao perceber isto, foi altura de assumir que as linhagens de trauma terminam em mim; que os padrões de comportamentos, pensamentos e acções tóxicas têm os dias contados; que aceito, respeito e estou grata por tudo o que veio antes de mim, da minha ancestralidade, e está na hora de deixar ir o que acrescenta pouco valor.
Como se não bastasse, ouvi-la falar das minhas relações sem que eu lhe contasse nada e do percurso que tenho feito para me curar através do outro, fez-me sentir acolhida. Sempre soube que todas as pessoas cruzam a nossa vida por um motivo e tenho uma clareza gigante para identificar esses motivos nas diferentes situações. A minha pessoa ainda está por vir e está tudo bem, há muito trabalho para fazer junto com as que já chegaram.
A caminhada começou tarde, mas tem tem tudo para vingar e ser bem sucedida - só depende de mim!
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