20 de julho de 2026

Corrida Atlântica 2026

A Ultra Maratona Melides Tróia é épica. São 40 e muitos quilómetros feitos na areia da praia pelos "duros" e os "fortes", aqueles atletas hiper-preparados que enfrentam de ânimo leve qualquer tortura.

A prova Atlântica é aquele "miminho" para quem não quer ficar de fora. Este ano, foram 16km da Comporta a Tróia. Eu fui e cheguei ao fim. Tenho um orgulho gigante por ter ido, por ter feito parte, e por continuar a acreditar em mim.

Se quis bater em quem escolheu este dia, com esta maré, que me fez andar "de lado"!? Sim! Se senti que me saiu do couro e acredito que amanhã nem ando!? Sim! Se estou aqui com cravada em dores e com um sorriso de orelha em orelha!? Também!

Obrigada à família que estrebucha e reclama e que me ajudou a tornar este objetivo em "concluído com sucesso".

Este foi o post que escrevi ontem no Facebook, que relata a minha última aventura, com um mini sabor amargo (só para alimentar o meu lado pessimista, porque não tenho a menor dúvida que é uma sensação sem sentido e sem sustentação).

Há dois anos fiz esta prova, de 15km em 2h15, pouco tempo depois de ter tido uma crise de tensão alta e ter sido diagnosticada com hipertensão. Tive uma parceira incrível que me dizia "se andamos tão rápido como os outros correm, estamos bem", ambas tínhamos medo de correr e esticar a corda, portanto, não conseguimos tirar partido do piso espetacular que tivemos pela frente.

Este ano, embora soubesse à partida que a maré era ruim, e que a prova teria mais um quilómetro, ia com a convicção que me tinha preparado melhor (e preparei, achei que hoje não andava e a minha mobilidade está de volta e já sinto a anca e tudo), e coloquei a expectativa alta demais. Queria fazer a prova em duas horas (16km - 120min - 7:30min por km). Só que... Ninguém me explicou quão ruim é correr de lado e ao fim dos primeiros quatro quilómetros a bacia já parecia toda desencaixada e forçou em excesso todo o que não era suposto. A coach deste ano, mandou-me géis para ir recuperando as forças, o meu cardio nunca foi espetacular mas acompanhou e eu fui traída pela parte em que estava mais segura: as pernas!

Fiz a prova em 2h18, só mais 3 minutos para mais um quilómetro, cheguei ao fim e com um tempo excelente. Aprendi a custo que são as expectativas que nos lixam, queria melhor mas tenho um orgulho gigante porque ter feito orelhas moucas às opiniões do meu pai e da minha irmã. Soube bem fazer a chegada à meta a ouvir: "enganaste-me, achei que só chegavas daqui a meia hora, nem me preparei para a foto".

A prova este ano foi dura, já vi videos e partilhas de atletas bem mais experientes que sentiram o mesmo que eu. Não devia servir de alento, mas a validação nunca fez mal a ninguém e fico ainda mais orgulhosa da minha conquista. Até para o ano e que até lá não me doa nada (excepto o dedo do pé que tem a unha que matei ontem indecisa se caí ou se aguenta firme).

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