Olá, pessoas giras!
A minha veia de interesse político ainda não tinha despertado e, depois de meses, que me pareciam intermináveis, de debates, de anúncios, de tempo de antena dedicado (e sem capacidade de exercer o meu direito de simplesmente abandonar a televisão nacional), eis que surgia uma lufada de ar fresco, aquele dia espetacular em que não era permitida campanha.
Ainda hoje, sinto que a melhor fase das diferentes aventuras em que uma pessoa se envolve é a reflexão. Aquele reflexão em jeito de "apesar de tudo fez sentido" ou "porque é que me andei a enganar a mim mesma".
Por aqui, o dia da reflexão são todos! Ou não fosse eu conhecida brutalmente por ser alguém que pensa demais. Portanto, sentem se de forma confortável, apertem os cintos, mantenham a calma e em caso de emergência liguem o 112.
O curso de instrução inicial para bombeiro está longe de estar terminado mas iniciou-se agora uma nova fase. Concluímos os seis módulos de formação e passámos à fase de estágio. Cada um dos módulos teve a sua fase de alucinação e loucura.
Os dois primeiros foram bastante interessantes (organização do serviço de bombeiros e tecnologias de base na atividade de bombeiros), maioritariamente teóricos e conseguiram despertar o interesse. As técnicas de socorrismo e tripulante de ambulância de transporte abriram horizontes para todo um novo mundo, mas ficou aquela sensação de "quando é que começa mesmo a formação", porque não há tempo para tudo, os conceitos são abordados por alto, as técnicas de avaliação não são colocadas em prática e o foco vai para o processo de reanimação, que é o único que nós esperamos nunca precisar. No nosso caso, seguiu-se a extinção de incêndios urbanos. E, não sei se por toda a polémica e drama envolvida, se pela intensidade e exigência física, nesta altura quis mandar tudo às urtigas (a minha resiliência para coisas que eu não tenho mesmo necessidade de aturar morreu na praia). O módulo de extinção de incêndios florestais, de que tanto ouvi críticas, tornou-se o meu favorito, porque aprendemos a extinguir o fogo com material de sapador e a trabalhar o rescaldo para evitar reacendimentos e, embora tenha que admitir que não é fácil andar de pá e ancinho às costas, a vontade de fazer acontecer e o espírito de equipa fizeram toda a diferença. E, como não podiam ser tudo rosas, o salvamento e desencarceramento veio dar cabo disto tudo. Eu sei que a teoria do "treino difícil, combate fácil" é muito gira mas eu já não tenho 20 anos para andar com 20 quilos de material às costas e achar piada quando quase paro de respirar (e se não fosse o meu futuro padrinho a aparecer por lá e fazer me acreditar que não sou assim tão parvinha, tinha sido o dia de deixar lá a tralha toda - até porque já anda sempre na mala do carro).
Simultaneamente, este fim de semana marcou o início do meu serviço de brigada de aeródromo, aquela malta fofinha que dá apoio ao centro de meio aéreos de cada vez que um helicóptero decola para fazer serviço. E todo um novo mundo sobre o que é estar de serviço no quartel se revelou (e isto sim, precisa de reflexão adequada).
Por agora, continuo a acreditar na missão dos bombeiros, e continuo a acreditar que se der um dia ou dois de disponibilidade por mês posso fazer a diferença na vida de por quem lá anda (que são sempre os mesmos e podem aproveitar uma folga extra). Sem decisões tomadas, sem grandes filosofias e ainda com vontade de mudar o mundo.
Boa semana!
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