Olá, Universo!!
Como vai isso?
Por aqui super hiper mega ocupada, a tentar dar conta de 50 mil pedidos e a sentir que falho em todos, mas nada de novo.
Dei por mim a questionar se tens tido saudades minhas... Já não falamos como antes, ainda que o meu cérebro não pare de processar, os meus pensamentos já não te são dirigidos como antes e as verbalizações acerca dos meus desejos e do meu futuro também não, portanto, decidi tirar um tempinho para ajustarmos as agulhas e re-alinharmos os chakras.
Para começar: Desculpa-me! Menti-te durante muitos anos e de uma forma tão convicta que nem sabia que estava mesmo a mentir. E, como o teu trabalho se baseia nas minhas crenças e nos meus pedidos, foste-me proporcionando "experiências" que se alinhavam com o que eu dizia mas não com o que eu sentia. Fizeste um bom trabalho mas eu trabalhei contra mim (auto-sabotei-me, quem diria).
No contexto profissional, a maior das mentiras (dos últimos 5 anos) é que não precisamos de ser/ter amigos no trabalho. Mentira gigante! Ou não fosse eu aquela que gosta de pessoas (apesar de dizer que as odeio), gosta de interação, gosta de conversar.
O facto de ter partilhado as minhas últimas oportunidades laborais com alguém que pensa exatamente o oposto, fez com que eu me "encolhesse para caber", para evitar confronto. Grande erro! Sinto e sei que essa pessoa é o motivo da minha dificuldade em ser feliz nas anteriores empresas, ele era para mim o Grilo Falante do descontentamento permanente, portanto, mesmo quando eu estava bem, ele vinha e minava tudo. E eu quero mesmo é rodear-me de malta com boa vibração, que fala da mulher e das filhas e partilha fotos e mete nojo nas férias, com quem se partilha muito mais do que o espaço de trabalho e o nome da empresa no currículo.
Segunda mentira profissional, e esta eu nem estou certa como se desenvolveu, acho que vem associada ao sentimento de ver outros a ser promovidos em responsabilidades e não em compensação. Universo, pasma-te porque esta é dolorosa, não quero gerir pessoas! Hahahahahaha! Pois é, descobri agora que gostava mesmo muito de ter a oportunidade de gerir pessoas. Continuo sem encontrar o gestor humano que sabe que tem pessoas sob a sua orientação e não apenas prazos para cumprir mas, nesta empresa, onde já se passaram 6 meses com um único stress (transição de entidade), sinto que posso ser eu e estou um pouco mais perto de ter essa pessoa que sabe que a vida prega rasteiras mas que se não tivermos sempre a corda no pescoço, é mais fácil ganhar folga quando faz mesmo falta. E sinto que seria muito feliz a ser para um "júnior" a pessoa com experiência que eu só vi em algumas empresas, quando comecei a trabalhar.
Sobre a vida no Alentejo e ser tangerina (para alguém) no meio dos alhos chochos, eu nunca te escondi que a minha vida aqui faz pouco sentido. Sim, quero ter a mansão com um tanque e um quintal para passar os fins de semana e fazer ajuntamentos com os amigos, quero ver a Catarina a crescer num ambiente mais tranquilo e com níveis de stress muito relativos, quero estar perto da família quando para nós fizer sentido. Mas, enquanto a reforma antecipada fica adiada e o mundo laboral passa pela capital, odeio fazer piscinas, odeio fazer a viagem (tenho zero stress em conduzir mas fico cansada, parece sempre que levei uma sova), odeio sentir-me obrigada a ir ao escritório e fingir que estar ali tem para mim o mesmo impacto que tem para quem apanhou o metro no Areeiro. Eu sei que por vezes me tento enganar, e a ti, porque efetivamente eu trabalho muito melhor no escritório (sou mais disciplina e mais focada), mas não adianta dizer "prefiro ir duas vezes na semana em que estou sozinha e não ir nenhuma quando estou com ela" quando o que eu prefiro mesmo é trabalhar ao virar da esquina (algo pouco provável neste momento porque a relação qualidade-rendimento aqui deixa a desejar).
Ainda neste registo, sempre senti que não encaixo em lado nenhum, que nunca limei a minha paciência para conseguir pertencer (a um grupo, a uma associação, a uma entidade). Mesmo quando estive na tuna, era difícil aturar uma cambada de gaja, cada uma com o seu trauma por resolver. Em Lisboa, era menos evidente porque tinha amizades de empresas antigas a quem me podia colar e acabava sempre por conhecer pessoas novas (eu e a minha faceta extrovertida), mas aqui!? Achei que ia fazer amizades no ginásio, mas o espaço e a acústica não ajudam (o meu cérebro mal se ouve quanto mais conseguir conversar com alguém). Achei que os bombeiros iam ser a tábua de salvação, mas prefiro evitar pessoas mal resolvidas a projetarem os seus dramas e dilemas nos outros (já lá encontrei 2 ou 3 alhos a tentar brotar flor mas não é um espaço milagroso). E as amizades que andava a alimentar... Tudo drama! Sempre tive excelentes amizades com homens, ao ponto de verem relações onde elas nunca existiram, mas nunca ao ponto de eles verem essas relações como uma possibilidade, muito menos ao ponto de toda a gente saber que eles têm esse interesse e a idiota ser só eu. E como, para mim, isto roça um pouco a desonestidade, a amizade com as bases retorcidas, a porta é serventia da casa e eu saio sozinha porque quem está mal muda-se. Já as amizades com mulheres (essa carência disfarçada de partilha e de troca), ficam adiadas para uma fase da vida em que eu queira efetivamente um complemento e não uma competição (mulheres divorciadas, separadas ou solteiras que sabem bem o que não querem e não toleram incomodam mesmo muita gente, especialmente numa terrinha pequena).
Para terminar, disse durante muitos anos que "ainda está para nascer o homem que me vai dar a volta" e nasceu, fizeste brutalmente bem o teu trabalho. Deu-me a volta ao coração, deu me a volta ao cérebro e deu-me a volta ao sistema nervoso. Mas agora está na hora de parar com isso. Sempre disse que "o meu mais velho é o homem da minha vida", que tinha vindo partilhar lugar com o "único homem da minha vida", o meu pai. Tudo falácias, aldrabices. Ó, Universo, tinhas obrigação de me conhecer melhor. Eles dois são sem dúvida os homens NA minha vida (o Paulo é bónus porque é o homem na vida da minha irmã e convém não puxar muito por ele senão vai para a terapia e a culpa ainda é minha), mas eu sou de paixões, de abraços, de mimos, de carinho... Vai sempre haver espaço na minha vida para alguém (homem, perdoem-me mas eu gosto mesmo de gajos, másculos e mauzões - na fachada) que traga valor acrescentado, sem roubar a paz e sem ter que forçar nada.
Não há um homem na minha vida, mas há uma mulher. Uma mulher que vira o meu mundo "de ponta cabeça", que me põe a vibrar no registo errado, que me testa, que me esgota as forças. Ela sim, tem o poder de ser a mulher da minha vida. Existem outras mas sem a essência que ela tem, sem as minhas células do cérebro e não só a habitarem dentro de si, sem aquela garra e aquele brilho de que tanto me orgulho (mesmo que em segredo). Amo-a e aprendo a viver, vivo e aprendo a amá-la.
Obrigada, Universo, agora sim, podemos continuar a caminhar lado a lado!
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