Sem que eu saiba bem como, voltei a ver o "Love is blind". Um daqueles programas televisivos de realidade, em que as pessoas se conhecem e se apaixonam sem nunca se verem e depois... A vida real cai-lhes em cima.
A fórmula é simples e básica, não dá que pensar... Mas, tal como em quase tudo, aquela montanha russa, em que todos começam super resolvidos e super apaixonados e, no fim, estão todos mais ou menos sem saber para que lado se virar, pode ressoar com os nossos medos menos bem resolvidos e não há como desligar.
Eu queria muito ser uma pessoa capaz que sente zero necessidade de ter alguém do lado mas, ainda que não tenha sido da melhor forma, habituei-me, ao longo dos anos, a ter com quem partilhar a vida e estou a ter uma dificuldade gigante em contrariar isso.
Não estou a dizer que naveguei de um namorado para o outro (até porque mais de metade das minhas relações foram vividas às escondidas), só que sempre houve alguém na minha vida. As amigas da tuna, as colegas de casa, as companhias de maluqueira, uma amizade mais próxima, um colega de trabalho mais disponível, um grupo pronto para ouvir desabafos... E, aqui e agora, as minhas relações parecem todas mais frias e distantes. Portanto, sinto que os desabafos e as verbalizações me fazem falta.
O sentimento de pertença sempre foi algo muito difícil de alcançar, para mim. Sempre andei meio perdida por me sentir diferente (valores diferentes, conceito de justiça brutalmente enraizado, auto estima inexistente) e a rede de suporte que deveria ter tornou-se sempre demasiado fina.
Problema: Eu não quero ter que me "diminuir" para caber, não quero ter que fingir ser quem não sou, não quero ter que usar uma máscara e, muito menos, quero depender de alguém para me moldar nesse sentido.
E tudo isto veio com a mudança de vida... Não foi só a maternidade, não foi só a mudança para a vila, não foi só o divórcio. Foi um "quero muito encontrar uma tangerina aqui na terra dos alhos chochos e não me contento com menos que isso". O que me choca e me irrita porque é, simultaneamente, uma constatação dura (Sou uma fortalhaça e não preciso de ninguém, então porque continuo à procura!?) e também uma tarefa quase impossível (As tangerinas têm zero paciência para lidar com alhos, como é que vão frequentar os mesmos espaços que eu!?).
Não se preocupem, podia ter-me dado para pior. Estou naquela fase da vida em que assumo uma relação de dependência, com a minha Princesa. e tento perceber se preciso mesmo de mais do que isso.
Boa semana!
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