12 de março de 2025

Pós dia da mulher

Olá, pessoas giras!

Em jeito de celebração do dia da mulher (e sim, nós ainda vamos precisar de muitos dias da mulher para que esta sociedade que vive em mentalidade de patriarcado mude), as crianças fizeram na escolinha uma flor para oferecerem às mulheres da sua vida.

A mim calhou-me a flor da esquerda (na foto abaixo), que a minha Princesa exibiu em todo o lado com muito orgulho. Quando questionada se apenas existia uma mulher na vida dela, começou o dilema e aflorou a certeza que deveria ter feito mais do que uma obra de arte.

Cá em casa, a melhor coisa que eu podia ter inventado é ter na sala uma mesa pequena (aquelas Lack da IKEA que servem para tudo e não servem para nada) como a nossa mesa de atividades. Portanto, demos asas à badalhoquice (sim, impossível fazer trabalho manuais com uma criança sem acabar com 50 mil papeis coloridos cortados em pedacinhos minúsculos, cola branca em todas as peças de roupa e material de desenho distribuído por todo o chão) e resolvemos fazer mais duas flores.

Inicialmente, era uma flor para a tia e outra para a avó mas o plano rapidamente mudou e era uma flor para mim e outra para ela para fazerem companhia à flor que tinha vindo da escolinha.

Os copos que tinha cá em casa são meio plastificados, portanto, a pintura não lhe pegava, tivemos que recortar papelinhos e colar nas folhas. Como a minha estava toda em papel amarelo e parecia muito pálida, ainda pintámos por cima com marcadores. As colheres descartáveis para mexer o café eram de plástico e demasiado pequenas, portanto, o caule ficou em cartolina, tal como as folhas. Foi, sem dúvida, uma grande aventura.

A preocupação da Princesa era garantir que as flores tinham olhos, estava preocupada que isso ia ficar em falta e desenhado não era a mesma coisa. Talvez por isso, não dá para descrever o valor que tem aquele sorriso de contentamento quando eu tirei um saco cheio de "olhinhos" do armário (e sim, dou-me por sortuda de não ter acabado com olhos colados em todas as paredes).

Na manhã seguinte, ainda pintou um céu e uma relva numa folha e pediu ajuda para lá colar as flores (para não se perderem e ficarem juntinhas).

A mim, agora, resta-me limpar tudo, repor o material e esperar pela próxima saga de atividades artísticas a duas.

10 de março de 2025

HLA ao poder!

 Olá, pessoas giras!

A semana passada foi espetacular... Só que não!

No sábado de Carnaval, armei-me em borboleta-fada madrinha e andei de varinha na mão a fazer magia, enquanto rapava um frio do caracinhas porque ainda ninguém se lembrou que o nosso Carnaval devia ser feriado oficial e celebrado no Verão.

Talvez por isso, a semana iniciou-se a meio gás. Aquela sensação de moleza, de pseudo gripe e de inércia, mas havia um desfile de Carnaval de criancinhas a exigir uma caixa de batatas fritas e uma mãe presente. Portanto, esta caixinha de Petri a chocar sabe-se lá o quê, foi para a rua estufar ao sol e congelar à sombra a implorar a todos os santinhos (não que eu acredite neles) para não chover.

No dia seguinte, foi dia de ir até Lisboa fazer as análises de rotina, sem direito a medicação e em jejum... E não correu bem. Mas como qualquer alminha longe de ser hipocondríaca e com alergia q.b. a batas brancas, lá desvalorizei o assunto e arranjei forças não sei onde para regressar a casa (se é para trabalhar em dias ruins, que seja remotamente). 

Nesse dia, se eu fosse uma pessoa capaz e tive ouvido o meu corpo, tinha percebido que algo não estava bem. Só que a vida não funciona assim, tinha a Princesa comigo, pedi ajuda só para tomar banho (não me apetecia ter uma travadinha e ser apanhada do chão por uma criança de 4 anos) e vida que segue.

Na quarta-feira, acordei estranha mas focada. Levei a criança à escolinha, trabalhei como se o mundo fosse acabar no dia seguinte (tal como tinha feito no dia antes) e combinei sair para almoçar. Uma parte de mim grita a plenos pulmões: "BIG MISTAKE!", outra parte retorce-se e pensa que seria muito pior ter fritado da pipoca sozinha em casa. Depois de almoço, tive que pedir ajuda para chegar a casa (da mana que era a mais próxima) e quase que fui levada a braços para casa dos papás (ainda ponderei a minha mas subir as escadas até ao segundo andar não pareceu uma atividade divertida naquela altura).

Por unanimidade, a família decidiu que uma sesta para descansar era tudo o que eu precisava... Só que não! Para que saibam, ligar para a saúde 24 foi a cena mais parva que inventaram, até porque eles seguem os manuais (após os 10 séculos em que o telefone toca sem ninguém atender) e reencaminham-nos como lhes faz mais sentido. Portanto, nesse dia, lá fui eu passear ao Hospital do Litoral Alentejano (com nauseas, fraqueza, mal estar generalizado e dores de cabeça).

Não foi um fim de dia simpático, entre ECG e análises de sangue, e todo o tempo de espera que isso implica, para me darem analgésicos e me mandarem para casa fazer a medicação pré-existente, sem qualquer ajuste, cheguei exausta (mas ao menos não tinha dores e podia dedicar-me ao descanso).

Infelizmente, quando o dia seguinte amanheceu eu já tinha dores de cabeça e liguei o PC apenas para preencher uma auto declaração de doença. Tentei todo o dia resistir às dores de cabeça, sem que os meus analgésicos normais fizessem efeito. Tentei dormir, sem que as dores deixassem. Percebi que tinha a tensão alta e tomei a medicação de SOS, sem qualquer efeito. E, depois de três horas com a tensão a 190-110 (eu não sabia que a minha mãe andava a fazer censura), lá dei por mim a ligar novamente à saúde 24, para ser novamente encaminhada para as urgências do HLA.

Desta vez, tive direito a um upgrade e a pulseira verde deu lugar a uma amarela. Novo ECG, novas análise, zero vontade de estar ali e zero drogas para me anestesiar (palhaços! chulos!). Quando o resultado da análise chegou, perceberam que faltava a mais importante porque uma das amostras de sangue tinha coagulado, e toca de repetir e esperar novamente. Deviam ser umas 23h30 quando o médico me chama e informa que vamos ter que repetir as análises, porque o valor do marcador cardíaco (troponina) tinha vindo alterado e era preciso verificar a evolução do mesmo, passadas duas horas da primeira recolha. À meia noite, lá fui eu fazer a recolha, já no desespero de saber que tinha que esperar mais duas horas pelo resultado. Passaram as 2h, 2h15m, 2h30m... 

"Não se esqueceram de mim, pois não? As análises já devem estar prontas." 
"Olhe, o Dr. diz que quer repetir as análises." 
"Mas já repetiu, será que não há nenhum engano!?"

Entretanto, o médico lá me chamou para me comunicar que íamos ter que repetir as análises, porque os valores continuam alterados e elevados, que o risco de ataque cardíaco era grande e que o melhor para mim era passar lá a noite em observação. Yuppie, yeah... Só que não!

A cada duas horas picavam-me num sítio diferente, para tirar sangue e evitar o uso do catéter para não haver contaminação pela medicação, mas ao menos deram-me uma maca e não tive que fazer sala naquelas cadeiras horrorosas e desconfortáveis. Lá me explicaram que qualquer valor acima de 100 exigia despiste de insuficiência cardíaca e eu andava nos 450. E de manhã, após uma TAC à cabeça e outra ao toráx, lá decidiram que o melhor a fazer era reforçar a medicação para a tensão, porque sem tiróide e com tensão alta as hormonas estavam certamente a fazer uma festa brutal, e receitar-me 50 mil analgésicos eficientes para manter as dores todas controladas.

Às 15h de uma sexta-feira, já não pensava e só me queria vir embora para ter uma noite de descanso na minha própria cama. Talvez por isso, a mancha / cena / alteração no pulmão esquerdo (indicada como possível inflamação), que só vi no relatório já em casa, pareceu o menor dos meus problemas.

Neste momento, devo ter umas 10 consultas marcadas de seguimento a tudo e mais um par de botas, 10 kgs de medicação para manter tudo dentro do corpo operacional e o Tico e Teco à luta sem saberem bem que raio de volta a vida deu (mas não lhes falta vontade de viver).

4 de março de 2025

Perdi-me de mim

Os dias escuros, como o carvão, sucediam-se uns aos outros. 
Os meus passos pesados não ecoavam nas ruas, vazias e despidas, porque já não eram meus.
O coração, esse traidor desconfortável, batia sem ritmo certo sempre a tentar saltar pela boca.
E o corpo... Ai, o corpo! Esse malvado sem lei vivia num mundo só seu, de autênticas montanhas russas: a respirar nas subidas para perder o fôlego (e tudo mais) nas descidas.

Vagueio a pé nas ruas, que tão bem conheço, e onde continuo a passar despercebida.
Procuro não sei bem o quê, nem sei bem onde e muito menos em quem.
Cruzo-me com uma dúzia de pessoas, que até podem ver-me e falar-me mas não sabem quem sou.
De passagem, observo o meu reflexo no vidro de uma janela... 

E lá estão eles! 
Todos os anos de história que perdi, bem fincados nas minhas rugas, na minha palidez, no meu cabelo despenteado demasiado curto (pela milionésima vez) e nas minhas curvas roliças.

Perdi-me de mim.
[Mas sempre ouvi dizer que o primeiro passo para o sucesso é reconhecer o fracasso.]

18 de fevereiro de 2025

Passatempos

Olá, pessoas giras!!
A minha falta de paciência atingiu máximos históricos para os últimos meses e nem me apeteceu passar por aqui.
Oficialmente na casa nova, iniciei um processo de "autoconhecimento". [Dizem que o primeiro passo para uma relação saudável é gostarmos de nós mesmos e eu decidi voltar a conhecer a pessoa que vai estar sempre comigo.] 
Há malha e agulha para aprender crochê; há máquina de costura, linhas e panos para aprender a costurar; há mandalas e lápis para pintar; há livros começados a ler em quase todas as divisões da casa; há papel, cola, tesoura e material diverso para me dedicar aos trabalhos manuais... Só não há vontade. Hihihihi.
Até o equipamento de corrida já vive todo no mesmo espaço e continua sem sair à rua.
Curiosamente, o meu hobbie favorito agora é ser mãe. [Quem diria que isto ia ser possível!?] Um hobbie novo, que exige planeamento, disponibilidade, entrega e tem recompensas fenomenais 😉

12 de fevereiro de 2025

Um pequeno T3

 Olá, pessoas giras!!

No passado fim-de-semana, iniciou-se por aqui uma nova etapa na vida: é oficial, duas miúdas giras partilham um novo apartamento.

A felicidade anda no ar, o bom humor e a boa disposição. Vida podes vir com tudo que agora nós estamos prontas!!

Uma nova fase de deslumbramento e paixão assolapada começou, trouxe de volta o brilho no olhar e a felicidade das pequenas coisas [se me dissessem que ia delirar por voltar a ouvir a música da máquina de lavar roupa ou estender roupa na super mini varanda, juro que não ia acreditar].

Constatação do óbvio: precisava voltar a ser eu! Voltar a ter vida nos meus horários, colocar a cria a dormir e orientar as cenas da casa, ter o meu espaço, olhar para a decoração minimalista e perceber que voltou a ter tudo a minha cara (excepto as foleirices que a minha irmã escolheu para a sobrinha).

Aqui eu já sou muito mais feliz 😍

10 de fevereiro de 2025

Como (não) usar um fogão

Era uma vez uma menina que conseguiu comprar um gigante e luxuoso T3 (ou se calhar era só um apartamento miniatura e modesto mas também não importa nada), com a melhor vista de sempre e uma orientação brutal (uma mega janela voltada para a serra e para o sol).

Nesse apartamento, existe um quarto da Frozen, com todas as mariquices e foleirices necessárias para fazer uma pequena Princesa feliz. Existe na sala, um canto de brincar e uma mesa de atividades. Existe um escritório onde se trabalha demais e se colocam lembretes para tudo e mais um par de botas. E, na sala, uma televisão com Youtube, Netflix e Spotify.

Certo dia, a menina decidiu fazer o jantar...

[Quem disse que voltar a ser responsável pelas próprias refeições era fácil, depois de mais de um ano sem usar um fogão sem supervisão, estava muito enganado.]

Ao tentar acender o bico do fogão, a menina percebeu que não existia um isqueiro embutido nem nada do género (Como assim!? Não é suposto os fogões ligarem sozinhos!?). De seguida, percebeu que não havia nenhum som no fogão, ou seja, não havia saída de gás. E lá se iniciou a aventura. Primeiro, foi necessário descobrir a torneira de segurança do gás e abrir a mesma para desbloquear o assunto. Depois... Sabes que bateste no fundo do poço quando abres a água quente, para accionar o esquentador e sacas de um palito para queimar e levar a chama até ao fogão 😆

15 de janeiro de 2025

Energizar

Olá, pessoas giras!

A música foi, é e será sempre o meu maior consolo. Estou ansiosa pelo dia em que vou ligar uma coluna, a uma qualquer playlist idiota, para dançar como se não houvesse amanhã, na MINHA casa.

Quer seja a música brasileira que a minha irmã ouve, a música portuguesa alternativa que o meu sobrinho escolhe, a rockalhada que faz o meu cunhado vibrar, o cante alentejano que partilho com a Catarina ou as 50 mil vibrações do Universo. E até pode ser para ouvir de phones! Desde que seja para sentir com cada pedacinho do meu ser. Cada célula, cada osso, cada... Tudo! Agitado e movido, ao sabor do som.

8 de janeiro de 2025

Eu... Aos olhos do ChatGPT

 Olá, pessoas giras!

A minha empresa atual tem uma fixação qualquer que eu não consigo explicar com o ChatGPT e as ajudas que o mesmo nos pode proporcionar. Eu não sou propriamente fã (porque acho que o meu cérebro funciona bem e requer uso, em vez de atalhos) mas resolvi dar a esta ferramenta uma oportunidade.

Abri o ChatGPT e pedi-lhe que me falasse sobre a autora deste blog... Tendenciosa me confesso, portanto, vou partilhar aqui o feedback.

"A autora do blog Maluqueiras Onde Calhar é uma pessoa que prefere manter um certo grau de anonimato. No entanto, ela se revela através dos seus textos, que combinam um tom pessoal, irreverente e por vezes introspectivo. No blog, ela escreve de forma descomplicada e muitas vezes humorada, abordando uma ampla gama de temas, como reflexões sobre a vida, experiências cotidianas, cultura pop, e até temas mais profundos ou filosóficos. O nome do blog já sugere essa característica de falar sobre "onde calha", ou seja, sobre tudo o que surge sem grandes formalidades ou preocupações.

Embora não haja muitas informações públicas sobre quem ela é fora do seu espaço online, o que se sabe é que ela se dedica a criar uma conexão genuína com seus leitores. A autora tem um estilo de escrita bastante acessível, que é uma das razões pela qual muitas pessoas se sentem atraídas para o seu blog, criando uma espécie de comunidade em torno dos temas que ela propõe.

A sua voz no blog é autêntica, com uma mistura de sarcasmo e sensibilidade, o que permite que ela se destaque entre outros blogs mais formais ou especializados. Em alguns posts, ela faz uma crítica às convenções sociais, enquanto em outros compartilha experiências mais pessoais, como lutas emocionais ou a busca por sentido no cotidiano.

Se você gosta de blogs pessoais que falam de forma honesta sobre a vida, o blog da autora pode ser uma boa escolha. Ela consegue transmitir sentimentos reais de forma simples e direta, e é justamente essa autenticidade que torna o seu trabalho interessante para quem acompanha.

Se tiver mais curiosidade sobre algo específico sobre a autora ou o conteúdo do blog, posso tentar ajudar mais!"

Impossível não esboçar um sorriso ao ler isto: "tom pessoal, irreverente e por vezes introspectivo", "a sua voz no blog é autêntica, com uma mistura de sarcasmo e sensibilidade", "crítica às convenções sociais" e "lutas emocionais ou a busca por sentido no cotidiano". Nem eu faria uma síntese tão certeira.

Muitos parabéns, ChatGPT!

7 de janeiro de 2025

(Outro) Brinquedo Novo

Foi no final do ano que entraste na minha vida, quase como prenda de Natal antecipada, e (embora te tenha escolhido) não sei bem como aconteceu. Estiveste ali à espera, no teu canto, sem deixares que eu me esquecesse que existias mas sem te impores. Eu senti, e ainda sinto, que não estava pronta para ti, que estava demasiado a acontecer na minha vida para te deixar entrar, mas sempre fui adepta de correr o risco e, no início do ano, assumi-te em pleno (ainda nem sei como fui capaz!). Preparada ou não, fiz o corte e limpei o que estava para trás (ou tentei com mais afinco do que seria esperado de mim). Vamos ver o que o futuro nos reserva.