22 de fevereiro de 2021

Furo

Aguentei o máximo que consegui mas, ao fim de dois meses e meio, percebi que ou pensava em mim ou me atirava da janela (ser num segundo andar poderia não ser fatal mas seria claramente uma "wake up call").
Assim sendo, furei o confinamento e levei a minha depressão pós parto sem diagnóstico oficial para se isolar no Alentejo, em casa dos meus papás. 
Naquele sítio, onde há calor humano, colinho extra para a Catarina, onde a minha palidez e as minhas olheiras ainda causam preocupação e onde a mesa é farta (entre outra coisas), reencontrei-me, voltei a rir com vontade e voltei a ter vontade de fazer planos e projetos, só não descansei tudo o que tinha idealizado (consequências temporárias de abraçar a vida de vaca leiteira).
Agora, volto à luta isolada do (meu) mundo, aqui onde estou por minha conta e risco e faço o melhor que consigo.

13 de fevereiro de 2021

Six - Parte 2

Há seis anos saímos para jantar, o nosso primeiro jantar. Fomos à Capricciosa de Carcavelos, comer pizza (sabemos agora que se não fosse pelo fator gordalhufice as nossas refeições podiam ser todas de pizza), e acabámos a partilhar uma sangria de frutos vermelhos.
Tenho quase a certeza que falámos sobre o tempo, para perceber se dava para combinar uns treinos de corrida (ainda corríamos) ou se afetava os nossos planos de uma próxima saída (ir ao cinema no Teatro São Jorge tem disso, já que não estacionamento à porta).
Acabámos a noite num miradouro com vista para a ponte 25 de Abril e uma Lisboa já adormecida, debaixo de um céu estrelado.
E voltámos para casa com uma única certeza: "se é para ser é a sério" 😉

Este ano, pedimos pizza para o jantar, que acabou por ficar a arrefecer em cima da mesa, e optámos pela cerveja (ainda que a minha tenha congelado, visto que lidar com bebidas sem álcool é todo um novo mundo).
Celebrámos o nosso momento à mesa, juntos, tranquilos mas a ser observados. Não falámos muito mais, comemos, exaustos.
Acabámos a noite, lado a lado, depois de mais uma luta contra o João Pestana, e abraçámo-nos em silêncio.
Seis anos de nós e agora, se é que tínhamos dúvidas, é mesmo a sério.

4 de fevereiro de 2021

Segundo mês

Imaginar aqui o vídeo da versão da Sara Tavares para o filme da Disney, o Corcunda de Notre Dame.

Ou espreitar neste link:

Longe do mundo, perto de ti!
Assim são os nosso dias...

20 de janeiro de 2021

Banda Sonora

Cá por casa, o Pai proibiu o Atirei o pau ao gato, acha ele que é demasiado limitado e espera melhor de mim. Portanto, fiquei encarregue de procurar alternativas.

Confesso que ainda tentei o "Era um vez cavalo que vivia num lindo carrocel..." Mas esta foi também boicotada.

Então, optamos por estragar a pequena desde cedo e "competir" com a voz de músicos com pouca relação entre si: 
Quem és tu, miúda - Azeitonas;
Sei-te de cor - Paulo Gonzo;
Longe do mundo - Sara Tavares;
Versos de amor - Carlos Paião;
Lisboa Menina e Moça - Carlos do Carmo;
Com um brilhozinho nos olhos - Sérgio Godinho;
Quase perfeito - Donna Maria;
Garça Perdida - Dulce Pontes;
O que foi que aconteceu - Ana Moura.

Felizmente, a voz de uma mãe é sempre excepcional aos ouvidos de uma criança e, mal ou bem, alcança-se o resultado esperado, que nunca se sabe qual é porque nesta aventura não há dois momentos iguais (há sempre algo novo a surgir para manter o pessoal alerta e com os níveis de "ya, right, vale tudo a pena" em alta).

11 de janeiro de 2021

Six

Há seis anos atrás, não tinha televisão em casa, tinha comprado recentemente o meu primeiro smartphone (que ainda não usava) e ainda vivia o êxtase de uma viagem a Nova Iorque (enquanto preparava uma outra a Roma).

Há seis anos atrás, fui "substituir" o marido de uma amiga numa corrida. Ele e mais dois amigos iam fazer a corrida de reis, tipo estafeta, e uma lesão parva (dentada de cão no tendão de Aquiles) impediu-o de participar.

Há seis anos atrás, nessa mesma corrida, recusei dar os meus dados porque o meu nome já estava na folha ("Tens ali Dias, sou eu! Não, ele também é Dias. Mas o primeiro começa por G! Sim, este é o Gustavo").

Há seis anos atrás, conheci um senhor jornalista que achou por bem ir para a discoteca até de madrugada, na véspera de fazer uma corrida com os amigos.

Há seis anos atrás, num pequeno grande instante, conheci alguém diferente, alguém fora do "meu" mundo... "E a minha vida mudou",

31 de dezembro de 2020

4 de dezembro de 2020

May the 4th be with you

Mesmo que seja Dezembro, e que a vida mude de uma forma que não tem mais volta, que este seja de agora em diante O dia.

Welcome to this crazy world!

19 de novembro de 2020

Spa Moments

Desde sempre que me conheço como uma fã de massagens. Adoro aquele momento em que a única coisa que se espera de mim é travar a fundo e abandonar-me às mãos de um profissional para simplesmente relaxar.

Com esse intuito, reservei-me um momento num dos meus spots de relax de eleição, o Float In.

Desta vez, optei por um programa completo, uma junção de uma flutuação, que se diz corresponder a 4 horas de sono (e eu estou na fase de acumular todas as horas de sono que eu puder), com um ritual do chá e uma massagem de relaxamento.

Já tinha experimentado esta coisa da flutuação em sal Epson, em que o corpo se mantém à tona da água devido à elevada concentração de sal, e lembrava-me de na altura ter sofrido um pouco com os efeitos do sal na psoríase do meu couro cabeludo, por esse motivo, estava receosa dos efeitos que poderia ter agora. Mas esta experiência foi totalmente diferente, vinte vezes mais pacífica em termos físicos e vinte vezes mais complexa em termos mentais.

Basicamente, dei por mim enfiada numa cápsula, fechada, às escuras, numa tentativa de privação total de sentidos... Eu, os nossos corpos e o meu cérebro!! Ninguém merece!!
Usei a música como muleta, numa tentativa de me focar em qualquer coisa que não os meus pensamentos (a respiração só por si não estava a dar) e abandonei-me, na medida do possível, ao descanso.

"Põe quanto és no mínimo que fazes" disse alguém famoso, mas eu atrevo-me a dizer que há alturas em que é melhor não. 
Há alturas em que não precisamos de travar as nossas batalhas internas, de nos impor e de nos fazer valer (sim, custa-me que achem que tive um qualquer processo de amnésia, que deixei de ser eu e que só por ter feito uma escolha consciente diferente tenho que passar a amar lacinhos, folhinhos e mariquices cor de rosa e, sim, estou a lutar comigo mesma para mostrar ao mundo que não há mal nenhum em ser diferente).

Na fase da massagem, o chip mudou completamente... Sempre fui pessoa de dormir de lado e, a impossibilidade de fazer a massagem de bruços, jogou a meu favor. Abandonei-me em cima da marquesa, quase em posição fetal e desliguei. Há imenso tempo que não tinha uma experiência, deste tipo, tão gratificante e senti mesmo as baterias recarregadas.

Obrigada ao Float In pelo empenho em manter o espaço COVID free e às excelentes profissionais por transmitirem constantemente a sensação de conforto aliada à segurança. Valeu cada minuto 😉

12 de novembro de 2020

TO-Day (sem viagens à vista)

33 semanas de uma nova aventura;

5 dias de baixa médica - papo para o ar para dissipar o stress, relaxar e engordalhufar;

50 dias até ao final do ano...

Ainda há quem diga que a vida não passa a correr.


2020 foi sem dúvida um ano diferente (ainda está a ser), um ano de mudança, um ano que nos obrigou a olhar para dentro - mais que não seja porque nos confinou a todos "dentro" das nossas casas, de nós, do nosso agregado familiar, do nosso concelho... Ou seja, confinou-nos em destinos onde escolhemos não estar a maior parte do tempo, ou onde vamos apenas para dormir/repousar, ou onde somos/estamos em piloto automático.


Talvez por isso, este ano, assumiu-se a preocupação com a saúde mental - tarda mas não falha! 


É verdade que se continua a mascarar tudo, com uma facilidade diferente, já que a máscara faz parte do nosso dia-a-dia e o trabalho remoto, e o distanciamento que o mesmo proporciona, ganhou maior expressão. Continuamos a ser todos muito "fortalhaços" e os "melhores da nossa rua" mesmo que desfeitos por dentro e a ansiar por um abraço apertado e uma palavra de carinho das nossas pessoas especiais com quem já nem podemos estar, privar ou conviver, mas torna-se mais difícil lidar com isso visto que as distrações estão gigantescamente reduzidas e, a pouco e pouco, lá nos assumimos como tugas que somos e seres sociais (em carência).


Nesta caminhada, que agora todos somos obrigados a fazer, felizmente, nem tudo são espinhos ou nem tudo são dias ruins... A vida continua a mostrar-nos que encontra o seu caminho e faz o melhor que consegue, desde que nós não lhe coloquemos barreiras e estejamos receptivos e dispostos a dar de volta o melhor de nós 💓