13 de outubro de 2026

No mundo da fantasia

Na semana passada, estive no céu. Andei por lá de mão dada com o meu mentor, um loiro de cabelos cacheados, com uma túnica branca (daquelas da antiga Grécia) com cordões dourados e umas sandálias aladas nos pés. Encontrámos um grupo de 4 crianças a brincar e ele levou-me até uma delas, uma menina, meio loira, com o cabelo aos caracóis que me chamou de "mamã" (tinha mesmo muitas semelhanças com a Catarina mas não era ela) e à única pergunta que lhe fiz, mesmo antes de me dar um abraço apertado, respondeu "Se tu quiseres!".

Sempre fui uma sonhadora, sempre achei que os meu sonhos e pensamentos eram meus e sempre acreditei no poder da nossa imaginação como guia para as criações da nossa vida (mesmo as mais mundanas, como cozinhar uma refeição diferente).

Saí do céu e desci para o meu abismo, sozinha, para explorar o meu lado mais obscuro. Havia uma presença escondida debaixo da escada, um pedaço de mim, com medo de mim mesma, que pude acolher e encaixar de volta no seu lugar no meu ser, envolto num amor incondicional.

Dizem que quando alguém entra no processo da cura, da transformação para ficar mais próximo do seu verdadeiro eu, passa por uma fase de tristeza profunda e inexplicável, daquelas em que a apatia se instala porque há algo muito maior ou superior em jogo. E que o mais importante é acreditar que esse esforço vai dar frutos, que vai abrir a porta a uma vivência mais plena e harmoniosa. Sempre fui uma daquelas pessoas que tenta acelerar o relógio, que vive em função "da próxima aventura", que salta de uma ideia tonta para uma ideia maluca sem se dar o devido tempo para respirar, para assimilar, para ser.

Envolvi-me numa chama de cura, com a minha filha no colo, e chamei a minha família até mim. Um por um, foram entrando naquele local de amor, redenção e proteção. Tinha duas almas negras no meu núcleo e uma terceira que teve direito a um espaço só seu. Quando chamámos as suas crianças interiores para brincar, tive aquela sensação de estar num recreio da escola, rodeada de caras familiares. Na hora da despedida, houve abraços mais ou menos sentidos, mais ou menos apertados, mas todos calorosos e amorosos. Abracei a minha mãe de uma outra vida, aquela que naquele momento mais precisava de colo e seguimos o nosso caminho de compaixão, empatia e gratidão.

Sempre fui uma sonhadora e sempre achei que os sonhos são o espelho da alma. Não me recordo quanto tempo estive sem conseguir sonhar, sem conseguir ler, sem conseguir simplesmente estar... E reencontrei essa parte de mim. Estou feliz e em paz e muito mais em mim, mesmo que a imaginação rume para sítios demasiado distantes e fantasiosos.

1 de outubro de 2026

Promoççããããoooo

São 4 da manhã.
A pequena dorme na sua cama, no seu quarto, alheia ao "mundo" da mamã.

Ontem, dia 30 de Setembro de 2026, fui promovida a bombeira de 3° e, ao contrário do que sempre me disseram e sempre idealizei, não sinto que atingi uma meta ou concluí uma etapa.
(Amanhã informo a AI que a boina é azul, está coisa de ter fotos tiradas ao pôr do sol baralha as cores todas).

Hoje, mais do que nunca, sinto me "perdida" de mim. Fui para os bombeiros atrás do amor, o único com quem conseguia ser eu, que fazia companhia e que ria ao aturar os meus desabafos. Ainda não tinha lá chegado, já ele estava a sair. E eu fiquei. Sem saber porquê, a questionar cada passo, com a certeza que vão sempre fazer falta mais braços para chegar a todo o lado no que diz respeito á emergência médica (que muitas vezes passa apenas por ser um transporte para o hospital).

Ao longo da jornada, tentei desistir 3 vezes (ou mais), e agora, queria sentir que desistir é o caminho mas... Houve abraços que fizeram sentido, pessoas em quem ainda acredito. Há ainda muito por aprender e um caminho diferente que eu posso querer fazer.

Pai do Céu, podes fazer uma limpeza energética ao quartel e a todos os que nele interagem, para que aquela casa fique mais leve e menos carregada? Podes invadir o coração daquelas pessoas e lembrar-lhes que jurámos cultivar a verdade, a justiça e a lealdade, que há uma missão a cumprir que ultrapassa os nossos egos e que a nossa segurança, enquanto bombeiros, depende de toda a equipa?

Aquele ambiente não é bom (nem é para mim, eu sei), mas a causa é nobre e nisso eu nunca deixei de acreditar.